O povo é quem mais ordena

Numa altura conturbada da política internacional, também a política nacional e os próprios partidos políticos nacionais contribuem com achas a esta fogueira que já vai alta.
Do plano extraterritorial, vemos os Estados Unidos que de união querem saber cada vez menos, com a proposta de construção de um muro na fronteira com o México; reivindicação de tal forma imperial que assistimos neste momento a milhões de cidadãos americanos que viram os seus salários cativados até que se chegue a um acordo entre o Presidente e o Senado para o Orçamento e expansão da dívida.

Mais a Sul, temos a Venezuela que para tristeza de todos teve a maior implosão social e económica de que há memória naquele país. Razões externas ou internas, que estão directa ou indirectamente ligadas às decisões e aos decisores políticos fazem com que este país que, de acordo com o relatório da OPEP, apesar de ser o segundo maior produtor de petróleo da América do Sul, com uma capacidade de produção de 1.970.000 de barris por dia, vê-se mergulhada numa hiperinflação, com bens essenciais como o pão a custarem múltiplos do salário mínimo nacional.

No velho continente, vemos em França o povo contra os políticos, e no Reino Unido os políticos uns contra os outros. De forma insistente e de extrema violência, temos assistido em França uma manifestação de coletes amarelos que teima em não desarmar. Se no início tudo se prendia com o aumento dos combustíveis, agora essa reivindicação vai longe; o governo francês acedeu a esta reivindicação, o que serviu como rastilho para que a população francesa viesse para a rua com mais e mais reivindicações: tributação às grandes fortunas, diminuição de cargas horárias, mais benefícios da segurança social, menos impostos para as classes baixa e média. Já no reino de Sua Majestade, ganha força uma tese que já assistimos em Portugal: a reversibilidade do irreversível.

Depois da votação no referendo a favor do Brexit, de todas as reuniões tidas com a comissão Europeia, eis que o UKin começa a ganhar tração. A própria primeira-ministra Theresa May sente-se cada vez mais solitária nesta luta que inicialmente até estava contra. Ou seja, aquando o referendo, May era contra o Brexit, mas agora está de pedra e cal convicta que esta é a melhor solução para o Reino Unido, mesmo assistindo a um êxodo quase diário dos apoiantes do seu partido para a ideia de UKin. Porém isto não significa que em outras matérias a queiram fora, pois isso poderia significar o fim da carreira política de alguns dos mais importantes deputados e militantes do partido de May, e assim se justifica a reprovação da moção de censura apresentada no parlamento Britânico. Enfim, já diz o provérbio britânico “Todos os gatos adoram peixe, mas odeiam ficar com as patas molhadas”.

Por terras lusas, as sirenes tocam em toda a horizontalidade política. Depois do “caso Robles” com o Bloco de Esquerda, os variadíssimos e igualmente gravíssimos casos do PS como as armas de Tancos e os incêndios, eis que temos um líder do PSD desafiado a eleições internas do partido num ano de eleições europeias, legislativas e regionais, e temos um alegado caso de trocas de favores na Câmara Municipal de Loures por parte do PCP.
A somar a tudo isto, não nos podemos esquecer do envolto de mediatismo e extremismo manifestado por prós e contras da campanha e eleição de Bolsonaro no Brasil.

Conclui-se que para além de se viver um período conturbado na política internacional, poderemos estar a dar os primeiros passos para que ela mesma (a política) se transforme, se transfigure.
Sem teorias do Armagedão, mas o que é facto é que tudo o que é regimento obsoleto colapsa, e por isso mesmo, a política mundial começa a sofrer pequenas, mas importantes, mutações.
É crucial que o povo não se renda à abstenção à boca das urnas. Embora não nos apercebamos, a abstenção demonstra um desprezo pela situação política, e, claro, havendo desprezo por quem é o homem do leme, ele levar-nos-á onde e como entender.
Assim, sempre atentos e participantes, todos temos o serviço comum de exigirmos que a política seja feita à medida das necessidades da sociedade, pois que nunca nos esqueçamos: a política existe para servir o interesse público!


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Pedro Lopes - pedrocastanheiralopes@gmail.com
Pedro Lopes - pedrocastanheiralopes@gmail.comPedro Castanheira Lopes
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