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Notícias da GRANDE LISBOA

O POVO

Do povo se faz a força deste país. Angustiado por muitas vezes ver inglório o seu esforço, agraciado por Deus pela valentia da resiliência que mostra desde o inicio da sua história em não baixar os braços rendido às adversidades, talvez seja esta a característica que melhor nos define.
Habituado a viver no embolo dos extremismos do séc XX, povo valente este que resiste à anarquia, ao comunismo e sindicatos no pós monarquia reclamando para si as hostes do que definiam como “democracia” que não mais passava de um país “sovietizado”. Povo valente que viveu durante a ditadura militar e estado-novo, aproveitando a desorganização e caos criados pelos seus leninistas e trotskistas, para então imporem a lei anti-democrática. Povo valente este, o que em Abril de 74’ sai à rua para se manifestar, dizendo que ele sim! Ele é quem mais ordena! O português da Beira Interior que não é menos que o de Lisboa, o que habita para perto do Mondego que não é menos que o que almeja o estuário do Sado todos os dias, o que trabalha em Vila Real empurra o país para a frente com a mesma força e vigor do pescador do Algarve.
Povo este que é humilde e ambicioso. Qual implantação de uma segunda ditadura, ou terceira desordem social, desta feita de foice e martelo, recordando que fizeram o mesmo em 23’ e 25’. Povo de memória longa, que recorda que esta franja comunista reclama para si a liberdade do 25 de Abril, comunismo este que só a proclamou, porque percebeu a conveniência de se aliar a este movimento social no dia 30 com o seu sumo-pontífice Cunhal a chegar à capital nessa data. Povo este que se manifesta no 25 de Novembro de 75’ por não querer ser dominado por esta extrema. Nunca! Ao povo o que é do povo!
O povo que é crente, mas não mais apenas no valores do Fado, Futebol e Fátima, mas sim no trabalho, honesto, que este sim dará frutos. “Menos conversa e mais trabalho”, era a expressão mais usada nos felizes anos 80, ansiando pela tão aclamada meritocracia proveniente do trabalho honesto e profícuo. Há esperança, há futuro, há Portugal, há Europa. Há um país pronto para os desafios, que se ergue das cinzas com a subtileza e integridade que untam a imagem que lá por fora começaríamos a criar.
O povo é unido. Ao mesmo tempo que as notas supracitadas ganhavam relevo e corpo, tínhamos os nossos amados irmãos e familiares provenientes de África, perdidos nas guerras civis, no esquecimento do caloroso abraço da história portuguesa, que voltavam à metropole à procura do que era seu de direito: a sua pátria amada. Esse mesmo povo que clandestinamente conseguiu fazer com que estes retornados conseguissem voltar, enquanto tentavam entrar normalmente pelos aviões que os traziam, mas que recebiam a mensagem perentória de Soares “Aviões de África? Não queremos cá esses pretos!”. Se esta união não existisse, eu não cá estaria. Afinal, tambem foi assim que a minha mãe cá chegou.
O povo é o povo português. Que perante todas as adversidades tem sempre um sorriso para dar, uma palavra amiga para partilhar, um abraço para consolar. Um povo que acredita na democracia, meritocracia, e em todas as “cias” que predisponham a capacidade de escolha honesta e transparente. Porque é um povo livre. Porque é um povo de bons costumes. Porque é um povo pleno de tradições. Porque descobriu o mundo, e porque tem um mundo inteiro à espera de verem ser erguidos orgulhosamente o vermelho que lembram o sangue derramado no passado para construirem o presente e o futuro, o verde da esperança num futuro risonho e unido, o brasão e os castelos que representam e lembram as tantas e tantas vezes que este povo
atravessou os mais adversos problemas, a esfera armilar do pioneirismo que é nosso predicado por direito.
Somos Portugal, somos democracia! Somos princípio e fim de uma rica história, que teima em vencer as adversidades. Somos Abril! Somos Novembro! Porque somos o povo: Quem mais ordena!


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Pedro Lopes - pedrocastanheiralopes@gmail.com
Pedro Lopes - pedrocastanheiralopes@gmail.comPedro Castanheira Lopes
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