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Escolas de Loures recebidas na Assembleia da República por causa do amianto

Movimento “Escolas de Loures sem Amianto” é ouvido na Comissão de Educação e Ciência da Assembleia da República no próximo dia 12. Iniciativa conta com a adesão de mais escolas e promete não ficar por aqui.

O movimento “Escolas de Loures sem Amianto” vai ser recebido no próximo dia 12 de junho, na Comissão de Educação e Ciência da Assembleia da República. A audiência tem lugar às 14h00 e conta com a presença de deputados de todos os partidos políticos.

O movimento “Escolas de Loures sem Amianto” é constituído por quatro agrupamentos de escolas do concelho de Loures que fizeram queixa do Ministério da Educação à Provedora de Justiça por inação na retirada do fibrocimento degradado, contendo amianto, dos vários estabelecimentos escolares daqueles agrupamentos.

Constituído por pais, professores, diretores e antigos alunos do Agrupamento de Escolas D. Nuno Álvares Pereira (Camarate), Agrupamento de Escolas de Moscavide e Portela (Portela), Agrupamento de Escolas Eduardo Gageiro (Sacavém) e Agrupamento de Escolas de São João da Talha (São João da Talha), o movimento tem vindo a crescer e vai contar, em breve, com a adesão de mais agrupamentos do concelho de Loures.

“Estamos a crescer, temos sido contatados por outras escolas, sobretudo pelas associações de pais, que têm manifestado o desejo de integrar o nosso movimento e de nos acompanhar nas várias iniciativas que temos vindo a desenvolver e que temos programadas para o futuro”, revela André Julião, encarregado de educação e impulsionador da iniciativa.

“Ontem, fomos recebidos pelo Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda, que manifestou o seu total apoio à nossa iniciativa e nos incentivou a ir em frente”, desvenda. “Para a semana, iremos ser recebidos na Comissão de Educação e Ciência, o que é ilustrativo da dinâmica e da importância que este movimento já granjeou”, adianta André Julião.

As escolas em questão – Escola Secundária da Portela, EB 2,3 Gaspar Correia, Escola Secundária Eduardo Gageiro, EB 2,3 Mário de Sá Carneiro e Escola Secundária de São João da Talha – são frequentadas, no total, por mais de 6 mil alunos.

“Já perdemos a conta às vezes que reportámos, a par da Associação de Pais e Encarregados de Educação do agrupamento escolar, ao Ministério da Educação a necessidade de se proceder à substituição dos telheiros em fibrocimento, numa escola que, em mais de 35 anos de existência, não conheceu uma única obra estruturante, nem consta de nenhuma lista de escolas consideradas prioritárias para esse tipo intervenção, o que se estranha”, aponta Carlos Candeias, diretor do Agrupamento de Escolas Eduardo Gageiro.

“Existe uma clara inércia por parte do governo e do Ministério da Educação relativamente aos seus deveres quanto à retirada de amianto das escolas e de salvaguarda da saúde das crianças e jovens que frequentam o ensino obrigatório nas escolas públicas, no que ao concelho de Loures diz respeito”, adianta o diretor.

“O amianto é um problema grave, que se arrasta há anos e para o qual parece não haver fim à vista, pelo que nos vemos forçados a recorrer a iniciativas como esta para tentar pressionar o Governo a fazer o que lhe compete”, refere, por seu turno, Marina Simão, diretora do Agrupamento de Escolas de Moscavide e Portela.

“Não haverá certamente prioridade maior quando está em risco a saúde das crianças, dos professores e dos funcionários que, todos os dias, convivem de perto com as estruturas de fibrocimento degradado”, adiciona Marina Simão.

O fibrocimento que compõe as estruturas das passagens e coberturas dos pavilhões das escolas destes quatro agrupamentos está bastante degradado e é presença assídua nos relatórios dos delegados de saúde que periodicamente vistoriam estas escolas.

O amianto é também presença assídua nos relatórios que, todos os anos, a Associação de Pais, Encarregados de Educação e Amigos do Agrupamento de Escolas D. Nuno Alvares Pereira leva a cabo, por sua conta e iniciativa, denunciando todos os problemas e anomalias existentes nas várias escolas daquele agrupamento.

“Tentamos, por todos os meios, melhorar as condições em que os nossos filhos aprendem, mas esta é uma tarefa inglória se, do lado de quem decide e tem a competência para, de facto, fazer as coisas acontecerem, não houver nem um sinal de que poderá haver melhorias a curto ou médio prazo”, avança Ricardo Oliveira, presidente da Associação de Pais, Encarregados de Educação e Amigos do Agrupamento de Escolas D. Nuno Alvares Pereira.

“A existência deste tipo de materiais em escolas públicas, onde circulam crianças, coloca em risco a sua saúde, pelo que não é minimamente compreensível que, quase oito anos após a publicação da lei que prevê a retirada do amianto dos edifícios públicos, possam existir escolas públicas onde o mesmo ainda se encontre presente”, acrescenta Ricardo Oliveira.

“É angustiante ver que, ano após ano, os problemas na Escola Secundária de São João da Talha, e este do amianto em particular, continuam a acentuar-se sem que haja sequer uma declaração de intenções do Ministério da Educação no sentido de os resolver”, confessa, por sua vez, Pedro Camarinha, presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola Secundária de São João da Talha.

“Todos os dias, vamos trabalhar sem ter a certeza de que os nossos filhos estão em segurança e que não está a ser colocada em causa a sua saúde a médio e longo prazo”, desabafa Pedro Camarinha.


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