Portugal é 4º na venda de veículos elétricos mas nem os vai construir, nem vai fabricar baterias

ZERO quer Portugal na linha da frente da mobilidade elétrica, mas, pelo menos até 2025, o país não irá construir automóveis elétricos nem produzir baterias.

Estudo sobre a evolução de mercado dos veículos elétricos divulgado da Federação Europeia dos Transportes e Ambiente

Nos próximos três anos, o número de modelos de veículos elétricos no mercado europeu mais que triplicará, passando dos 60 disponíveis no final de 2018 para 214 em 2021 (ver figura ), segundo as conclusões de um estudo [1] realizado pela Federação Europeia dos Transportes e Ambiente (T&E), da qual a ZERO é membro.

O estudo partiu da análise dos dados de uma fonte independente do mercado automóvel IHS Markit que aponta para a tendência clara de que a maioria dos fabricantes automóveis está preparada para adotar a mobilidade elétrica, mas os governos devem garantir que os cidadãos tenham os incentivos fiscais adequados e a infraestrutura de carregamento para a transição dos combustíveis fósseis (gasóleo e gasolina) para a mobilidade elétrica.

Os fabricantes de automóveis irão desenvolver para o mercado europeu 92 novos modelos 100% elétricos e 118 modelos híbridos plug-in em 2021, cujas vendas irão permitir atingir o limite de emissões CO2 da UE para esse ano de 95 gCO2/km. Se esta previsão de evolução do mercado automóvel for cumprida, em 2025, 22% dos veículos produzidos poderão ter uma tomada para ligação elétrica, mais do que suficiente para cumprir a meta de emissões de CO2 na UE para o mesmo ano.

Por outro lado, os planos de produção para veículos movidos a combustíveis alternativos são quase inexistentes: apenas está prevista a produção de 9 mil novos veículos a célula de combustível até 2025, comparativamente com os 4 milhões de elétricos. A produção de veículos a gás natural comprimido (GNC) deverá mesmo diminuir, representando menos de 1% dos veículos produzidos na Europa em meados da década de 2020.

As previsões do mercado automóvel mostram que a produção de veículos elétricos está a aumentar substancialmente, substituindo a produção de veículos a gasóleo na Europa, com os maiores centros de produção estabelecidos na Europa Ocidental (Alemanha, França, Espanha e Itália). Em 2025, a Eslováquia será o país europeu com o maior número de veículos elétricos per capita. A República Checa e a Hungria serão também centros de produção significativos.

Até 2023, estão confirmadas ou provavelmente entrarão em operação 16 fábricas de produção de baterias de iões de lítio em grande escala. Só os planos das fábricas confirmadas permitirão fornecer 131 GWh de capacidade de produção de baterias, segundo dados da Benchmark Mineral Intelligence – mais do que os 130 GWh necessários para abastecer os veículos elétricos e baterias de armazenamento estacionário em toda a Europa em 2023.

Com base nos dados do Joint Research Centre (o centro de investigação da UE), a produção de baterias permitirá a criação de cerca de 120.000 empregos diretos e indiretos na cadeia de valor. Mas a UE também precisará garantir que as baterias vendidas na Europa tenham uma baixa pegada de carbono e sejam reutilizadas, recicladas e fornecidas de forma ética.

Produção automóvel em Portugal continuará a ter por base apenas motores a combustão, prevendo-se apenas uma ligeira mudança em 2023

Os dados da IHS Markit consideram que em Portugal, até 2023, se produzirá apenas automóveis com motores de combustão interna. Em 2024, de acordo com a expectativa presente na informação revelada pela Volkswagen, 5% dos veículos produzidos no nosso país serão veículos automóveis híbridos plug-in mas nenhum será integralmente elétrico. No que respeita às baterias para veículos elétricos, Portugal está completamente fora dos países produtores, apesar de ser o país europeu com maiores reservas na Europa e o sexto a nível mundial.

Entre 2019 e 2025, espera-se que Portugal produza entre 2 a 6 veículos elétricos por cada 1000 habitantes, um valor baixo comparativamente com outros países, justificado pelo facto da redução da produção de veículos de combustão interna não ser compensada com a expansão da frota de veículos elétricos, tendo por base os planos de produção conhecidos.

Neste contexto, a ZERO considera que é imperativo o governo proporcionar as condições para que fábricas como a Autoeuropa passem a rapidamente assegurar a produção de modelos 100% elétricos, bem como o aproveitamento do lítio, feito dentro do integral respeito pelas condições ambientais, possa ter um ciclo de aproveitamento mais extenso no nosso país, criando maior valor acrescentado.

Portugal ocupa o 4º lugar europeu nas vendas de veículos elétricos em 2018. Tendência dominante das vendas de veículos a gasóleo invertida nos primeiros meses de 2019.

Apesar de um forte crescimento em 2018, o estudo evidencia que o mercado europeu de veículos elétricos atingiu apenas uma quota de mercado de 2,5% em 2018 (2,0% apenas nos 28 Estados-Membros da UE). Os principais mercados foram Noruega (49%), Suécia (8%), Holanda (6,7%), a Finlândia (4,7%) e Portugal (3,4%)

Segundo os últimos dados divulgados pela Associação Automóvel de Portugal (ACAP) referentes ao primeiro semestre de 2019 [2], do total de 128.595 veículos ligeiros de passageiros vendidos em Portugal, 51,2% eram movidos a gasolina e 39,4% a gasóleo, invertendo a tendência dominante da motorização a gasóleo que se verificava desde 2003. Os veículos alternativos já representam 9,4% do mercado automóvel. Destes, os veículos 100% elétricos já representam 3% da quota de mercado português.

ZERO quer medidas legitimamente mais restritivas na venda de veículos a gasóleo e gasolina em Portugal pela poluição que provocam, acelerando-se a descarbonização do sector dos transportes

Para a ZERO, este é um momento crucial para a indústria automóvel da Europa. Os fabricantes estão a investir 145 mil milhões de euros em eletrificação e a produção de baterias está finalmente a chegar. É fundamental enviar um sinal claro à indústria de que a era dos motores de combustão interna está a chegar ao fim e não existe outra saída à eliminação progressiva das vendas de automóveis a gasolina e a gasóleo nas cidades, na UE e em Portugal.

Graças aos limites de emissão de CO2 dos novos veículos ligeiros, a Europa está prestes a assistir uma revolução nas vendas de novos veículos elétricos, com maior autonomia e a preços mais acessíveis, mas será necessário que os governos ajudem a implementar postos de carregamento em casa e no trabalho, e revejam a tributação sobre os veículos para tornar os elétricos ainda mais atrativos do que os veículos a gasóleo e gasolina.


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