A ILHA DE COLOMBO…

10 Horas frenéticas. Volta à Isla de La Gomera. 369,8 Quilómetros quadrados a circunscrever a segunda ilha mais pequena do conjunto principal do arquipélago das Canárias. Mas talvez a mais exótica. La Gomera é a ‘Isla Colombina’, ou seja a Ilha de Colombo. No porto de Los Cristianos, em Tenerife, às 08:00; regresso às 19:00. Viagem a bordo de um dos ferries da Armas. Num dos mais antigos, mas nem por isso mais lento. Sempre acima dos 30 nós, para fazer 43 quilómetros, qualquer coisa como 23 milhas náuticas.

Em Los Cristianos entrámos pela proa e saímos pela popa do ferrie. Na viagem de regresso, em San Sebastián de la Gomera, foi precisamente em sentido inverso.

Mas o dia foi cheio… De curvas e contra-curvas, de subidas e descidas entre os 100 e os 1.350 metros de altitude em escassos quilómetros (em asfalto irrepreensível).

À chegada, somos levados a meia decepção: ao extremo de um pequeno vale esculpido entre gigantescas escarpas e encostas verticais rochosas, a San Sebastián de La Gomera, uma cidade (minúscula) que o é, certamente, por ser a capital da ilha. Mas em poucos minutos, ao virar costas ao terminal portuário, abrem-se as portas de cenários idílicos: sucedem-se paisagens únicas, mais agrestes e áridas cheias de socalcos cultivados numa obra-prima humana – a fazer lembrar as encostas do Douro – ou incrivelmente densas de uma vegetação luxuriante, como a do Parque Nacional de Garajonay declarado Património da Humanidade, pela UNESCO, e literalmente sobre a larga cratera de um vulcão completamente adormecido. Viajamos entre vales profundos que nos transportam ao quimérico dos antigos glaciares. É aqui que a vida da ilha acontece.

Tudo isto, encontra o azul de um céu luminoso, só visto em África, ou do Atlântico sob uma costa de encostas a pique e de contornos vincados. Em fundo, dependendo da vertente, podemos ver o Teide de Tenerife, com os seus 3.718 metros que estava perfeitamente visível, acima de um manto de ‘algodão’ branco que cortava a meio a montanha mais alta do Reino de Espanha.

21 Mil habitantes recebem mais de 200.000 turistas, muitos repetentes. La Gomera não é um espaço de turismo mercantil, frenético… Recusa o fenómeno: As praias são todas de areias vulcânicas e quase intactas, águas cristalinas de diversos tons de azul (claramente a fazer lembrar o Pacífico), pouco apetrechadas de modernices, prezadas por gente sensata que desliga do Mundo pelo menos uma vez por ano, que aprecia unidades hoteleiras pequenas e ambientes mais familiares.

Valle Gran Rey é um dos melhores exemplos: Disponho-me a passar oito dias neste paraíso virado a Sudoeste, onde o horizonte se perde na imensidão do oceano. Quero ouvir bem o dialecto da ilha, feito de sons vocais combinados, com que os antigos comunicavam de montanha para montanha e de pico em pico, recentemente tornado disciplina obrigatória nas escolas.

Obrigo-me a subir mais vezes ao miradouro (Mirador) de Abrante, um verdadeiro aquário de vidro agarrado a uma estrutura de betão suspensa sobre o vazio, no topo de uma encosta a mais de 620 metros de altura da vila de Agulo, no Nordeste. É a melhor vista. Também poderá ser um almoço de uma vida, liminarmente sobre o precipício. É local de passagem obrigatória! … E uma das curiosidades da sua construção é o sistema de fixação de vidro Fitechnic RD e Fi-Var que foi foi fornecido pela empresa portuguesa Pentagonal.

O percurso entre Las Hayas e San Sebastián tem mirantes de cortar a respiração. E em Arure, a Oeste, voltarei ao prazer da mesa na Casa da Conchita, um restaurante de todo aconselhável em pratos de atum fresco, carnes de porco, tortilha, saladas e creme de leite.

E como em tudo, uma nota muito negativa para quem autoriza a circulação a veículos pesados – a maioria autocarros turísticos – nas estradas interiores do Parque Nacional de Garajonay.

Na rota Tenerife – La Gomera, a Armas tem a concorrência da Fred. Olsen, todos com modelos de ferries de última geração.

por José Maria Pignatelli

 

José Maria Pignatelli

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