COISAS A SABER … PARA NÃO ENTRAR EM PÂNICO !

COISAS A SABER … PARA NÃO ENTRAR EM PÂNICO !

1. Vivemos um época de meta informação, que mete tudo num mesmo saco, fontes fidedignas e boateira, a que parolamente designam por “Fake News”, transmitidas por gente séria, uns, e outros oportunistas de ocasião, a que se juntam ainda alguns incompetentes, e uns tantos incautos. Isto para dizer que são veiculados, até, inadvertidamente, a nível oficial, conceitos errados ou erróneos, que levam, qual virose, a uma disseminação do erro, sendo o seu corolário natural o disparate. Vou abordar aqueles que me parecem mais importantes, a saber: Isolamento Social; Isolamento Profiláctico; Confinamento obrigatório ou preventivo; Quarentena.

O Isolamento Social – É contraproducente juntar o conceito de isolamento ao conceito de Social.O acto de isolar é retirar de um contexto, no caso, do contexto comunitário, grupal, se quisermos, uma pessoa e separá-la dos demais. O aspecto social manifesta-se na sociabilidade grupal, comunitária, ou apenas entre 2 pessoas, tornando-as sociáveis, sendo a sociabilidade a aptidão para viver em sociedade. Ora a sociedade é o complexo relacional dos indivíduos, que se acham organizados de determinada forma. Nas sociedades humanas esse complexo relacional concretiza-se por recurso a um sem número de meios, quer de proximidade, quer à distância. Assim quem se acha segregado (acto de afastar, separar, isolar) na sua habitação, isolado dos demais, continua a sociabilizar com os amigos, família, colegas de trabalho, autoridades, etc, por telefone, redes sociais, fax, correio, por interposta pessoa, ou seja, não estão socialmente isolados, continuam a sociabilizar, mas à distância. Assim se conclui que isolamento social não existe, é pois errado.

O ISOLAMENTO PROFILACTICO – A profilaxia é a componente das ciências médicas que se preocupa com as precauções a ter com determinada doença. A acção profiláctica são os meios em concreto para acautelar a prevenção. Como bem se percebe, no caso vertente, isolar uma pessoa sintomática, profilaticamente, significa separá-la, segregando-a, de todas as outras, mesmo as que lhe são mais próximas. Quando se recomenda o isolamento profilático de um sintomático, em sua casa, isso significa uma de duas coisas: ou a família sai de casa, para o sintomático ficar sozinho, ou, não sendo isso possível, o sintomático terá de ficar confinado a um quarto, ou sala. E sempre que precisar de sair por necessidades fisiológicas, impoêm-se cuidados de higienização específicos. Neste caso já não se trata de isolamento profilatico, mas sim de confinamento.

O CONFINAMENTO OBRIGATÓRIO ou PREVENTIVO – É semelhante ao isolamento, na medida em que se destina a segregar alguém, dos demais, mas ao contrário daquele, esta segregação não é feita para um espaço distinto dos demais, mas para um espaço contiguo, cujas “fronteiras” confinem com o espaço onde estão os demais. É a situação da segregação na mesma residência do resto da família, em que a pessoa a segregar, ocupará uma divisão, e o resto da casa fica-lhe interdito, pois destina-se ao resto da família.

A QUARENTENA – Em bom rigor é o período de 40 dias a que se obrigavam fazer as pessoas e mercadorias oriundos de país ou região com moléstia, antes de entrar no país de destino. Com os tempos vulgarizou-se a utilização deste termo para qualquer período de isolamento, antes de entrar em território de destino, sendo errado apesar de tudo. Na nossa história, na epopeia dos descobrimentos, era vulgar os descobridores observavam essa quarentena antes de aportar em território desconhecido. Um exemplo próximo, João Gonçalves Zarco quando chega à ilha da Madeira fez quarentena num dos dois ilhéus, então existentes, ou em ambos, antes de por o pé na ilha da Madeira. É semelhante, em termos de objectivo, ao isolamento profiláctico, diferindo da obrigatoriedade, em regra a quarentena é obrigatória, e o período de observação são os tais 40 dias.

2. As medidas impostas pelas autoridades passam por um distanciamento físico entre as pessoas, que começou por ser de 1 metro, e agora é de 2 metros, isto para impedir, fundamentalmente, que pingos de saliva que são projectados quando falamos uns com os outros, uma vez que o vírus chinês só é passível de contágio em contato directo, ou com superfícies ou com pessoas. Isto é um bocado como uma pratica social existente na Índia, cuja sociedade está estratificada em castas, e uma é a dos Intocáveis – ou seja, aquelas pessoas em que o estado de indigência humana é tal que não se lhes pode tocar. Porém as praticas postas em vigor passam por as farmácias, e não só, também as estações de serviço, realizarem os seus serviços através de um postigo, ficando os clientes na rua, faça chuva faça sol. Tráz à memória uma pratica medieval, que era a roda dos enjeitados – os conventos tinham um mecanismo circular, incrustado na parede, ficando uma metade no exterior e a outra metade no interior da parede, alguém depositava um bebé na metade exterior, tocava um sino, e de dentro faziam girar a roda para recolher a criança, estas em regra eram baptizadas recebendo o apelido de SANTOS.

Não há nenhuma razão, tendo presente o “estado da arte” para uma farmácia fazer atendimento por postigo – qualquer farmácia do País (qualquer uma, reforço) tem espaço suficiente para conter no seu interior o farmacêutico que atende o cliente e pelo menos 2 clientes, distando um do outro os tais 2 metros. Não há transmissão por via atmosférica. E mesmo que um cliente seja propenso a “lançar” cuspo cada vez que abre a boca, dificilmente uma gotícula de saliva alcança os 2 metros. Aliás, essa era até uma forma de garantir privacidade aos clientes, e dar algum conforto, no momento de pagar, protegido da chuva e da curiosidade alheia, e, sobretudo para evitar o que está a suceder agora – os clientes não se amontoam dentro da farmácia, mas fazem-nos cá fora., Pessoalmente já passei pela situação de estar a ser atendido no postigo, ao mesmo tempo que à minha direita e à minha esquerda, estavam outros clientes, a menos de 40 cm de mim, para responder às perguntas que lhes faziam lá de dentro outros técnicos farmacêuticos. Um disparate.

Quando me dizem, veementemente, que isto é necessário, interrogo-me porque razão, os hipermercados não fazem o mesmo, atender por postigo ? Serão diferentes as pessoas dos hipermercados ?

Em ambientes abertos, e por maioria de razão, não há nenhuma razão para as pessoas não passearem-se nas redondezas das suas casas, ou até passearem-se num parque, desde que à distância de segurança uns dos outros. Obviamente isso não se aplicará aos membros do agregado familiar assintomáticos. Os casais podem continuar a dar as mãos … .

Quanto ao uso de luvas e máscaras … as luvas se usadas para cada acto, enfim, compreende-se, caso sejam descartadas, no fim de cada acto, o que implica a quem vai ao hipermercado de luvas, ter de transportar consigo dezenas de luvas, porque se vai usar sempre as mesmas está a contribui para a disseminação, a lavagem frequente das mãos é a alternativa MAIS eficaz. A máscara, é preciso perceber que existem 2 tipos de máscaras, a cirúrgica, que são as que mais se vêem por aí, e as usadas pelos profissionais de saúde conhecidas por N95, também conhecida como “respirador de partículas”. Se forem de tecido é uma inutilidade completa, se for a cirúrgica não é adequada pois não foram concebidas para bloquear as partículas de tamanho necessário à filtragem de partículas com 400 microns (medida abaixo do milímetro), pois os vírus são mais pequenos que partículas de pó, e para além disso estas máscaras não se adaptam na perfeição aos contornos do rosto deixando aberturas por onde os vírus chineses facilmente penetrará, e esta serve essencialmente para proteger os outros de quem a usa e não o contrário.

É contraproducente, no caso das farmácias, que para além de fazerem atendimento ao postigo os farmacêuticos andem todos de máscara … um absurdo.

3. Higienização, esta é a palavra de ordem do momento, mas poucas pessoas entendam de que se trata, e as autoridades também não ajudam a explicar. A higienização, de um modo simples, comporta 3 níveis de segurança, a saber: Limpeza, Desinfecção e Esterilização.

A Limpeza, limita-se a remover a sujidade, e uma boa parte de bactérias (à volta de 85%) com as quais convivemos diariamente. Do que se conhece, aparentemente, a limpeza por recurso à lavagem das mãos, com água e sabão (sem esquecer produtos similares) é suficiente para a remoção do vírus chinês das nossas mãos.

A Desinfecção, é mais eficaz que a limpeza pois remove boa parte de bactérias, fungos e o vírus chinês, em cerca de 90%. Mas atenção só resulta se for utilizado Álcool a 70%, se for mais, ou inferior a 70%, é inócuo, não serve para nada. Por isso as soluções em gel, contendo álcool, fora do parâmetro dos 70%, não passam de meros produtos de limpeza. Eu próprio já adquiri frascos em lojas dos chineses, sem nenhum rótulo, sem nenhuma informação técnica que permita aferir da adequabilidade dos mesmos para fins desinfectantes … .

A Esterilização, é de todas a mais eficaz a 100% seja para bactérias, fungos ou vírus entre eles o chinês. Quem tem filhos certamente foi confrontado com esta acção algumas vezes, para esterilizar biberões. O Recurso mais simples para esterilizar, em casa, é ferver água. Por essa razão, e à partida, quando cozinhamos o próprio processo de cozinhar no lume elimina as bactérias, fungos vírus chinês etc. Ora uma boa medida é esterilizar os talheres que utilizamos colocando-os numa panela com água a ferver durante uns minutos. Uma alternativa, mas com o mesmo conceito, é a panela de pressão. Neste caso é de evitar que os talheres toquem na água, pelo que será necessário um suporte, tipo rede, elevado para colocar dentro da panela e que fique acima da água.

Tem tudo a ver com a elevada temperatura. Por exemplo as roupas devem ser lavadas à temperatura mais alta que puder suportar, funciona como esterilização.

4. Um bom exemplo de mau jornalismo foi uma notícia passada numa TV generalista a propósito de um navio de cruzeiro que atracou em Lisboa, e do qual se dizia ter 26 passageiros com nacionalidade portuguesa, sendo apenas autorizados a desembarcar os que tivessem autorização de residência … como é possível que um jornalista, mesmo que lhe tenham dado esta informação, dê uma notícia tão descabelada ? Basta ter nacionalidade portuguesa para não ser necessário autorização de residência … mas isto é elementar. Isto trouxe-me à memória, quando a minha filha do meio nasceu, tendo solicitado um subsidio (não me recordo se era de nascimento ou outro qualquer) recebi um ofício da segurança social, assinado por uma técnica superior, pelo qual instava-nos a fazer prova de autorização de residência … estupefacto dirigi-me, com a minha mulher e recém-nascida à segurança social e solicitei ser recebido pela senhora técnica em causa. Foi-me respondido que as técnicas não falavam com as pessoas (o povo), que fizesse uma exposição escrita. Enfim, foi o que fiz, e o texto foi muito simples, limitámo-nos a pedir à douta técnica que nos explicasse como é que um cidadão nacional faz prova de autorização de residência em Portugal ? Isto foi há 17 anos e ainda aguardo resposta.

5. Em toda esta crise, ou diria mesmo, crises, uma há que me preocupa sobremaneira, é o caso de quem não pode fazer o isolamento profiláctico … e quem são eles ? Os sem abrigo, claro. Quem vive na rua, neste momento, mais do que entregue à sua sorte, porque isso já acontecia antes do vírus chinês, agora está entregue à sua morte eminente.

É absolutamente imprescindível que as autarquias, incluam nos seus planos de contingência, esta realidade, e a forma como esta população desamparada e desprotegida pode (e deve) ser ajudada.

Oliveira Dias

DPO da ANPR (IPSS)

Associação Nacional de Pensionistas e Reformados


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