A Câmara Municipal de Odivelas, a COVID-19, a INÉRCIA e o SILÊNCIO …

Nota de Imprensa – Partido Aliança
A CMOdivelas, a COVID-19, a INÉRCIA e o SILÊNCIO …
Vivemos tempos difíceis que nos obrigam a repensar as nossas atitudes. Vivemos situações inesperadas que nos fazem tomar decisões impensáveis. Vivemos uma crise pandémica que nos vincula a todos sem excepção, a agir e a reagir. Vivemos um tempo que exige de cada um de nós a colaboração absoluta para o sucesso de todos. É verdade! É tudo abrupto, violento, inseguro, difícil, desconhecido e inesperado.

Aquilo que todos nós neste momento mais queremos, é não nos sentirmos sós, apesar do distanciamento e do isolamento a que somos obrigados por via preventiva. Numa altura de grave crise pandémica, não podemos estar sós. Parece antagónico face ao isolamento que nos é pedido, mas na realidade não é. Quando nos referimos a não estar “sós”, é sentir que temos apoio, que temos alguém que pensa, cuida e olha por nós e pelos nossos, que as entidades superiores planearam e estão preparadas ou se estão a preparar, que foi definido um Plano de Contingência que é público e que qualquer cidadão pode consultar. Obviamente que a articulação de um plano desta natureza deverá estar sempre alinhada com as instâncias centrais e com os órgãos decisores, mas cada uma das estruturas locais pode e deve, por iniciativa própria e de acordo com a realidade da região e da população, ser pro-activa e voluntariamente tomar medidas de proximidade, adequadas às necessidades e anseios dos seus munícipes. É aqui que entra a comunicação como uma área de importante acção preventiva, esclarecedora, informativa, de suporte e apoio. É também aqui e agora, numa situação de crise, que a falta da comunicação, mais se faz notar e que causa maiores danos e perturbações.

As directrizes da DGS (Direcção Geral de Saúde) são normativas nacionais e são para cumprir, não são uma ideia ou iniciativa do poder local. Localmente, a nível concelhio, há que agilizar e executar o plano estabelecido a nível nacional dentro “timing” definido. Ora no que a isto diz respeito, a CMOdivelas tem mostrado uma total inércia perante os seus munícipes, coisa que nos surpreende a todos, visto serem habitualmente activos, sobretudo em períodos pré-eleitorais, na proliferação de cartazes, na instalação de outdoors e muppies com marketing político, na distribuição de jornais ou revistas do Concelho e até com a colocação porta a porta de propaganda panfletária. O método é discutível e quanto a isso não nos manifestamos desde que o resultado final a que se destina (político ou não), seja alcançado. Ora não é isso que se passa agora, sobretudo numa altura em que temos obrigação cívica e moral de estar unidos, cooperantes e assertivos nas atitudes e tomadas de decisão, mas também e sempre informados. Gostávamos de saber informação de quantos casos de Covid-19 há no Concelho de Odivelas e o que fez ou está a fazer a CMOdivelas para os apoiar ou encaminhar. Gostávamos de saber que puseram ao dispor da população o Convento de Odivelas como ponto de isolamento ou de apoio para quem não tem mais ninguém que cuide de si. Gostávamos de já ter ouvido falar num pedido ao Ministério da Defesa, de isenção de renda temporária do Convento, como forma de mitigar o impacto financeiro ao município e permitindo ter folga para o apoio aos munícipes. Gostávamos de já ter ouvido falar da isenção temporária de taxas na água, no saneamento, na luz e no gás, resultante de protocolos estabelecidos com os fornecedores.

Gostávamos de ter ouvido dizer que estão a avaliar o impacto de isentar os munícipes de IMI até ao final do ano.
Gostávamos de saber quais os centros de saúde, USF, CATUS, etc. que estão disponíveis, para que tipo de doentes, em urgências ou não e em que horários.
Gostávamos de saber que todos os trabalhadores que nos asseguram diariamente os bens essenciais nos mercados, o saneamento básico, a segurança, a protecção, os voluntários e demais forças vivas, se encontram protegidos com EPI’s.
Gostávamos de ver equipas de rua a desmobilizar quem está fora do seu domicílio desnecessariamente.
Gostávamos de saber onde se podem dirigir e a quem, as pessoas idosas ou com mobilidade reduzida, que devendo permanecer em suas casas, precisam de alimentos, de medicamentos ou de cuidados básicos de saúde.
Gostávamos de ter conhecimento de um calendário de desinfecção de ruas e espaços.
Gostávamos de saber como podem os reformados receber as suas pensões quando não podem ir aos correios levantar os vales.
Gostávamos de saber quais as escolas que continuam abertas para dar apoio aos profissionais de saúde com filhos menores a cargo.
Gostávamos de saber que existe uma bolsa de voluntariado no Concelho, gerida pela CMO, para dar resposta às carências dos serviços, das empresas ou das pessoas.
Gostávamos de ter uma lista actualizada com os contactos urgentes numa situação de crise pandémica como a que estamos a viver.

Gostávamos de ter respondidas tantas perguntas … Mas pior que tudo isto, é que a CMOdivelas e as respectivas Juntas de Freguesia do Concelho, até podem estar a fazer alguma coisa, podem mesmo estar a fazer um esforço tremendo, ou até a fazer imenso e quem sabe até se muito bem feito, … só que ninguém sabe, porque não comunicam. A informação não chega ao cidadão comum, as pessoas desconhecem o que se passa, quando, como, onde e porquê. Não devemos esquecer que não podemos sair de casa e falar com outras pessoas, não vamos ao café, nem ao cabeleireiro, nem ao restaurante, nem levar os filhos à escola, nem ao fim de semana ao sarau de ginástica ou ao futebol, nem ao jogging de final de dia, não se esqueçam que o nosso mundo passou a ser restrito e muito circunscrito ao nosso domicílio e pouco mais e sem contactos sociais. A informação tem que chegar por outras vias, mas tem que chegar às PESSOAS, e nem todos têm computador, telemóvel android ou internet ou estão 24h ligados às redes sociais … É desta forma que apelamos à comunicação com as PESSOAS.
AS PESSOAS SÃO E SERÃO SEMPRE O FOCO DAS NOSSAS INTENÇÕES

Maria da Conceição Roberto
militante do Partido Aliança
03Abril/2020


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