Coincidências? Ou talvez não!

Decidiu-se dificultar a prescrição dos medicamentos com hidroxicloroquina e cloroquina

Espanhóis e outros países europeus decidiram dificultar a prescrição dos medicamentos com hidroxicloroquina e cloroquina, conhecido por ser um dos inibidores da Malária que em Portugal é conhecido por Plaquinol. A combinação deste fármaco com o antibiótico Zithromax, a molécula azitromicina, está a revelar resultados positivos na luta contra o coronavírus. Há casos concretos em vários Estados e as primeiras notícias surgiram da Coreia do Sul e do Brasil. Este facto está a ser estudado em profundidade por alguns especialistas da comunidade científica. E em Portugal, há clínicos a prescreverem estas tomas como prevenção a pessoas com 60 e mais anos.

Acredita-se que os obstáculos que se levantam a estas prescrições se ficam a dever à escassez principalmente do Plaquinol no mercado. Mas também há quem defenda que é uma questão de gastos nos sistemas de saúde públicos.

Obviamente que estes fármacos carecem de prescrição médica para ser vendidos. Contudo, uma receita emitida por um médico do Serviço Nacional de Saúde de Portugal não terá de ser contestada nem de sofrer constrangimentos quando apresentada em outro país Membro da União, tão-só por servir apenas de comprovativo que a sua prescrição foi efectivamente realizada por um profissional saúde habilitado, ou seja acreditado nos serviços públicos e pela Ordem dos Médicos do seu país. Perceba-se que uma receita médica do SNS de Portugal não determina quaisquer descontos no preço de venda ao público, isto é não obriga o sistema de saúde do país terceiro a comparticipar no custo do medicamento. Portanto, o cidadão que apresenta a receita portuguesa – neste caso em território espanhol – não está seguramente abrangido por uma norma de prescrição que só diz respeito aos serviços de saúde desse país.

Mas no terreno não é isso que se passa: Em Espanha, pelo menos uma farmácia, recusou-se a vender hidroxicloroquina sustentando a sua decisão num documento emitido pelo ‘Colégio Oficial de Farmacéuticos’ (instituição homóloga à Ordem dos Farmacêuticos portuguesa), que anuncia limitações à emissão do receituário quer pelos serviços públicos quer pelos privados, podendo ler-se no primeiro parágrafo que o “Serviço de Uso racional de Medicamentos e Control de Prestação do SCS lhes indicaram que não se podem dispensar as prescrições de hidroxicloroquina e cloroquina que apareçam prescritas em receitas electrónicas (…) como não financiadas. Só se podem dispensar as prescrições com visado”, adiantando mesmo que “o sistema não vai permitir a sua dispensa se não estiver visada”.

Ora, pergunta-se o que se entende por ‘visado’?

Significa que a receita terá de ser validade pelo topo da hierarquia do sistema de saúde publico… Que os clínicos nem sequer sabem quem é realmente esse responsável.

Lendo o documento facilmente se conclui que o “Colegio Oficial de Farmacêuticos” segue estritamente as ordens governamentais, neste caso do Governo das Canárias.

Fica-se com a ideia que a Ocidente – e seguindo um velho ditado popular português – se opta por poupar na farinha e gastar no farelo. Os regimes de quarentena servem fundamentalmente para evitar o colapso dos sistemas de saúde, particularmente no que respeitam aos serviços de Medicina Interna dos hospitais, onde se tratam as enfermidades virológicas. E foi nesta área hospitalar onde menos se investiu nas últimas décadas, tão simplesmente por serem espacialidades onde a maioria dos pacientes têm idade avançada.

Mas afinal o que é o Plaquinol ou hidroxicloroquina?

Vamos ser práticos: Trata-se de um fármaco que se revelou ‘amigo do homem’, são bem absorvidos e tolerados quando administrados por via oral. É um anti-inflamatório, imunossupressor e modular de resposta imunitária que mostram enorme eficácia num conjunto alargado de enfermidades e simultaneamente poupadores de corticosteroides. Inicialmente serviu para combater as doenças reumáticas. Mostrou-se mesmo benéfico e dos fármacos mais úteis e seguros no combate de muitas patologias autoímunes.

A hidroxicloroquina – também conhecida como sulfato de hidroxicloroquina – é portanto um medicamento antiartrítico que é usado na prevenção da malária. Nos estados Unidos é vendido sob o nome Plaquenil e também se encontra à venda enquanto medicamento genérico.

Surpreendente foram os resultados positivos que o medicamento teve na prevenção da malária enquanto inibidor, particularmente quando utilizado no tratamento de atrites reumatoides e em pacientes com lupus.

A toma da hidroxicloroquina é aconselhada num nível equivalente a 6,5 mg por quilograma de peso/dia e é vendida em comprimidos de 400 mg.

A malária é uma doença geralmente transmitida pela picada de uma fêmea infectada do mosquito Anopheles que introduz parasitas no sistema circulatório do hospedeiro que se depositam no fígado, órgão onde se desenvolvem e reproduzem. Os seres humanos podem ser infectados por cinco espécies de Plasmodium.

A malária atingiu mais de 260 milhões de pessoas em 2016 e só nesse ano ocorreram 731.000 mortes, 90% das quais no continente africano.

por José Maria Pignatelli


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