Histórias d’Africa – Em Espanha, há ‘sábado santo’ para coronavírus

Em Espanha, amanhã, sábado, dia 2 de Maio, ficará marcado por ser o primeiro dia em que será dada uma trégua ao confinamento a que os cidadãos estão obrigados desde 14 de Março. É o primeiro dia de folga do coronavírus, uma espécie de feriado nacional que será dado ao vírus, durante 17 horas.

Todos vamos poder sair à rua. De acordo com as previsões meteorológicas e por coincidência a maioria de nós sentiremos temperaturas máximas excepcionalmente altas, mesmo acima da média para esta época do ano, particularmente no território continental.

A decisão do governo de Pedro Sanches – coligação socialista com a extrema-esquerda – faz jus a uma afirmação recente do papa Francisco: “A IMAGINAÇÃO é a metade da doença; a TRANQUILIDADE é a metade do remédio; a PACIÊNCIA é o começo da cura”. Uma declaração oportuna que se ajusta perfeitamente à realidade, principalmente à comunidade crente na espiritualidade, mas que não significa dar tréguas sem certezas ou sem prévio controlo sanitário global a qualquer custo.

Coronavírus folga durante 17 horas

Mas se a pandemia do coronavírus mantém meio mundo suspenso em incertezas, a governação do Reino de Espanha arquitectou um sábado livre de preocupações maiores: Todos vamos poder sair à rua num raio de 1 quilómetro a partir das nossas casas, em horários escalonados entre as 06:00 e as 23:00 horas. Vejamos:

  • Os maiores de 14 anos, mas com menos de 69 anos, podem fazer desporto ou caminhadas em dois períodos, entre as 06:00 e as 10:00 horas; e das 20:00 às 23:00;
  • Os maiores de 70 anos e dependentes também o podem fazer em dois períodos, das 10:00 às 12:00 e entre as 19:00 e as 20:00 horas;
  • Já os menores de 14 anos podem continuar a fazer passeios entre as 12:00 eas 19:00 horas e naturalmente acompanhados por um adulto que deverá ser familiar directo preferencialmente.

Esta decisão inclui algumas regras: a actividade permitida deverá acontecer apenas uma vez, dentro do município de residência e sem contactos físicos, enquanto nas caminhadas se admite um acompanhante e que apenas se façam no raio de 1 quilómetro a partir da casa de cada cidadão.

Em Espanha o número de mortos voltou a baixar – 301 nas últimas 24 horas -, enquanto o número de casos recuperados é já de 112.050 pacientes em 213.435 infectados. O número de falecidos totais ascende a 24.543 cidadãos. Contudo, estes números não encerram uma distribuição territorial equilibrada. Há grandes diferenças entre comunidades, mesmo contabilizando o número de casos e mortos por milhão de habitantes. Por exemplo, no arquipélago das Canárias mantêm-se os 2.205 casos e os 135 falecidos e isto numa população global acima dos 2,3 milhões de habitantes.

Testes de sorológicos podem antecipar alívio dos confinamentos

Antecipar o alívio dos confinamentos passa fundamentalmente por manter alguns constrangimentos menos repressivos, acreditando no sentido de responsabilidade dos cidadãos, e fazendo cumprir algumas regras de ouro: utilização obrigatória de máscaras ( o maior propagador dos vírus são as nossas bocas) e luvas, afastamento social e redução das ocupações dos espaços semi-públicos e públicos. Antever investimento maior no controlo sanitário nas fronteiras, isto caso se entenda abrir os países ao exterior numa perspectiva mais economicista que será sempre bem-vinda na redução do risco da vulnerabilidade social.

Há países que seguem esta via e com sucesso demonstrado. Pode dizer-se que acontece onde o Índice de Desenvolvimento Humano é mais elevado? Talvez! Mas acima de tudo faz-se pela aposta na educação e na responsabilização social. Pois se esta opção foi assumida em países como a Noruega, Dinamarca, Coreia do Sul ou Nova Zelândia, países de elevado IDH, não é menos verdade que a consciencialização dos 10,8 milhões de habitantes da República Checa permitem esta opção na estratégia de combate à pandemia do coronavírus.

Pergunta-se: Haverá outras opções para a retoma da actividade sócio-económica de modo mais acelerado? Em todos os processos existem mais do que uma escolha. Isso passa pela vontade dos políticos que governam e pelos critérios no investimento versus disponibilidade dos montantes financeiros para ajudar as empresas. Ou seja, fazer uma escolha onde colocar o dinheiro disponível que é sempre finito.

Uma das melhores opções é fazer os testes sorológicos, para identificar os autoimunes e consequentemente libertar estas pessoas imediatamente para as suas tarefas profissionais e quotidianas. É um processo relativamente moroso que custa dinheiro. Mas é uma das únicas opções perante a inexistência de vacina.

Antecipar o alívio dos confinamentos passa fundamentalmente por manter alguns constrangimentos menos repressivos, acreditando no sentido de responsabilidade dos cidadãos, e fazendo cumprir algumas regras de ouro: utilização obrigatória de máscaras ( o maior propagador dos vírus são as nossas bocas) e luvas, afastamento social e redução das ocupações dos espaços semi-públicos e públicos. Antever investimento maior no controlo sanitário nas fronteiras, isto caso se entenda abrir os países ao exterior numa perspectiva mais economicista que será sempre bem-vinda na redução do risco da vulnerabilidade social.

Há países que seguem esta via e com sucesso demonstrado. Pode dizer-se que acontece onde o Índice de Desenvolvimento Humano é mais elevado? Talvez! Mas acima de tudo faz-se pela aposta na educação e na responsabilização social. Pois se esta opção foi assumida em países como a Noruega, Dinamarca, Coreia do Sul ou Nova Zelândia, países de elevado IDH, não é menos verdade que a consciencialização dos 10,8 milhões de habitantes da República Checa permitem esta opção na estratégia de combate à pandemia do coronavírus.

Pergunta-se: Haverá outras opções para a retoma da actividade sócio-económica de modo mais acelerado? Em todos os processos existem mais do que uma escolha. Isso passa pela vontade dos políticos que governam e pelos critérios no investimento versus disponibilidade dos montantes financeiros para ajudar as empresas. Ou seja, fazer uma escolha onde colocar o dinheiro disponível que é sempre finito.

Uma das melhores opções é fazer os testes sorológicos, para identificar os autoimunes e consequentemente libertar estas pessoas imediatamente para as suas tarefas profissionais e quotidianas. É um processo relativamente moroso que custa dinheiro. Mas é uma das únicas opções perante a inexistência de vacina.

Mais uma vez, salienta-se que o confinamento apenas diminui a velocidade de contágio do coronavírus e portanto, o entupimento das urgências e serviços de medicinas internas dos hospitais, isto enquanto persistir a ausência de uma vacina e se obstaculizar a utilização de alguns inibidores como a hidroxicloroquina.

O exame sorológico é baseado na sorologia, um exame de laboratório efetuado para comprovar a presença de anticorpos no sangue, ou seja, determinar concretamente sua presença. Este exame também pode ser usado para identificar a presença ou revelar a ausência de anticorpos relacionados a um patógeno no sangue do paciente e a presença do próprio patógeno que poderá ser um vírus, bactéria ou protozoário.

Portanto, a sorologia (diferentemente do teste RT-PCR) verifica a resposta imunológica do corpo em relação ao vírus. Faz-se a partir da detecção de anticorpos IgA, IgM e IgG em pessoas que foram expostas neste caso ao coronavírus (SARS-CoV-2). O exame é realizado a partir da amostra de sangue do paciente e para que tenha maior fiabilidade – aproximadamente 95% – recomenda-se que se faça pelo menos, 10 dias após o início dos sintomas.

Realizar o teste de sorologia fora do período indicado pode resultar num resultado falso negativo. Nem todas as pessoas que têm a infecção desenvolvem anticorpos detectáveis pelas metodologias disponíveis, principalmente aquelas que apresentam quadros com sintomas leves ou os assintomáticos, precisamente os que não apresentam nenhum sintoma.

Os testes rápidos também se encontram disponíveis no mercado. Existem dois tipos: Os de antígeno que detectam proteínas do na fase de atividade da infecção, e os de anticorpos que reconhecem a resposta imunológica do corpo em relação ao vírus. A vantagem desses testes é a obtenção de resultados rápidos para que se possa tomar uma decisão de procedimento… Como atrás referi para restituir estas pessoas a uma vida mais normalizada, iniciando o cenário de alguma recuperação social e económica. Mesmo os países mais desenvolvidos estão impreparados para quebras no PIB de 8%, 10% e 13% como se anuncia. Por outro lado, é destes países considerados mais ricos de que os mais pobres esperam ajuda. É a própria Organização das Nações Unidas que adverte para o perigo do aumento da escassez de recursos e da fome, adiantando que isto pode mesmo suceder no Ocidente Europeu.

Perguntar-se-á por que só a Itália anunciou uma campanha de testes sorológicos?

Primeiro, por dispor-se ao investimento, por força de manter um dos melhores serviços de saúde pública do Mundo; segundo, por não estar minimamente preocupada com as restrições impostas pela Lei da Protecção de Dados subscrita pelos Membros da União Europeia.

100 Anos depois nada mudou? Onde foram parar os triliões gastos na robotização/domótica/artificialismos algorítmicos no Mundo desenvolvido

O vírus “Influenza” – também conhecido por gripe espanhola – causou a epidemia mais mortal da história que se conhece em pormenor: Fez 100 anos que aconteceu e fez mais de 50 milhões de vítimas, em dois anos entre Março de 1918 e Dezembro de 1920. Tudo começou no dia 4 de Março de 1918: Um soldado da base militar de Fort Riley, nos Estados Unidos, ficou de cama, com sintomas de uma forte gripe. Espanha foi o primeiro país europeu a informar sobre a doença e assim a epidemia passou a pandemia e ganhou a designação que ficou para a história.

Agora, sobressaem alguns investigadores como profetas da desgraça: Regressam ao passado para antever um futuro mais ou menos catastrófico pós-desconfinamentos.

100 Anos depois nada mudou? Será mesmo assim? Afinal de contas para que servem as novas tecnologias? Onde foram parar os triliões gastos na robotização/domótica/artificialismos algorítmicos no Mundo desenvolvido?

100 Anos depois devia ter mudado quase tudo nos Sistemas Públicos de Saúde. É o que qualquer cidadão culto – realmente não abecedário, o que nada tem de relação com a literacia -, esperava, analisando os investimentos desmedidos em algumas causas. Mesmo as enormes dotações anuais para os orçamentos da saúde e, em alguns casos, para algumas especialidades médicas do ponto de vista tecnológico.

Obviamente, a Ocidente muitos esqueceram de acompanhar a pesquisa e a investigação puramente teórico-matemática ou experimentalista. De um modo simplista – para que todos percebam – o confinamento serve apenas para alargar no tempo os eventuais futuros contágios e evitar a superlotação das urgências dos hospitais e das unidades de cuidados intensivos dos serviços das chamadas medicinas internas. Mantendo uma linguagem simplista o grande problema do coronavírus é a velocidade de contágio. Depois, o medo da pandemia ocorre porque nos últimos 25 anos se investiu nas especialidades médicas de ponta e deixou-se para trás as medicinas internas, por força de serem mais utilizadas por pessoas com mais de 60 anos, os mais antigos, os tais sénior que incomodam porque custa mantê-los, porque nunca se cuidou em guardar bem e rentabilizar os seus descontos de uma vida. Também se deixou para trás o empenho na virologia, tratando-a como o parente pobre da evolução e das biociências.

Agora, anunciam-se centenas de milhares de milhões para suster os desequilíbrios sociais e económicos que se avizinham, mas para a prevenção à pandemia tudo acontece devagar, devagarinho e sob notícias contraditórias.

A maior sorte é que a maioria da população global estará auto-imune ao vírus como acontece com quase todos os outros vírus que se conhecem. Muitos serão contagiados ou já o estão sem saber e provavelmente nunca o saberão. Chamamos-lhe assintomáticos que, segundo um estudo publicado na revista Science, serão responsáveis por dois terços das infecções Covid-19.

– por José Maria Pignatelli


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