UNIVERSALIDADE DO RACISMO: DA ESSÊNCIA HUMANA À GENÉTICA

Este meu pequeno exercício escrito é curto. Alongá-lo seria mais justo e moral fazê-lo na sequência de um debate que forçosamente percorreria o caminho que vai da universidade da teoria à ciência genética, curiosamente estudada pela primeira vez, do ponto de vista científico por Gregor Johann Mendel cientista e frade agostiniano austríaco do século XIX.

Para quem priva ou privou de perto comigo, conhece bem as minhas posições sobre as questões relacionadas com o racismo. Sabe que tenho bastante repugnância pelos seguidores do «sunitísmo» e conhece a justeza da minha da minha convicção.

Na universalidade não poderemos considerar questões de racismo puro e duro. De uma forma simplista e académica, racismo são um conjunto de teorias, muitas assentes nas religiosidades, que estabelecem uma hierarquia entre etnias.

Perguntar-se-á: O que é isso?

São cidadãos que mantém uma crença subjectiva numa procedência comum. Acreditam nas diferenças, baseando-se somente em semelhanças de aspecto exterior, costumes, idioma, religião ou memória de eventos históricos como migrações e as lutas ancestrais entre povos.

Claramente, o racismo não é um predicado só de alguns humanos. É de todos e consubstancia-se num comportamento animal, menos racional que todos nós enfermamos, uns mais que outros, é certo. Bastava fazer um exercício ingénuo: Compilar as filmagens de algumas aulas de história do 11º ano de escolaridade ao longo de um ano lectivo, mesmo em turmas ou escolas distintas. Menos inocente é termos a pachorra de querermos ser cultos e ler alguns dos livros que são base da aprendizagem nas Universidades e de Leste a Oeste do planeta, nas áreas das letras e das ciências da história. Dificilmente encontraremos um autor que não manifeste – e alguns fazem-no de modo voluntário e honesto – dúvidas sobre as diferenças dos humanos neste exclusivo ponto de vista.

Por exemplo, Anthony D. Smith, sociólogo e historiador britânico é determinante: «As etnias podem ser definidas como populações humanas que partilham mitos sobre a ascendência, histórias, culturas e que se associam a um território específico e têm um sentimento de solidariedade».

Esta questão coloca-nos a todos numa espécie de corda bamba, entre o que apregoamos e o que fazemos. É demagogia afirmarmos que há uns mais e outros menos racistas. É falso afirmar que há cidadãos portugueses que não são racistas de todo.

Ponderemos na história do século XVI e na actuação do papel dos portugueses no comércio da escravidão: Portugal teve papel pioneiro — e cimeiro — no tráfego de escravos, principalmente transatlântico.

O fluxo de negros entre a África meridional portuguesa e o Brasil, manteve-se em pleno até 1850, mesmo depois da proibição da entrada de novos escravos em território português decretada em 1761. Portugal fê-lo sempre com a justificação da “honra nacional”. Realmente, só em 1869 foi publicado o decreto que abolia a escravatura em todo o território de Portugal. Aliás, foi na década de 30’ do século passado que morreu a última escrava portuguesa que se conhecia. Viva em Lisboa e tornou-se muito conhecida no Bairro Alto pela sua banca de venda de amendoins e já depois de 1860.

Em 400 anos, mais de 8 milhões de escravos viajaram de África para as Américas.

Quase 8,3 milhões de escravos foram transportados do continente africano para as Américas entre o início do século VI e a segunda metade do século XIX. Portugal colonizou as desabitadas ilhas do arquipélago de Cabo Verde para que servissem de entreposto comercial de escravos entre os dois continentes. Foi naquele território que durante décadas se escolhiam os mais capazes e se fazia uma espécie de controlo sanitário.

O período de maior expansionismo deste comércio de seres humanos aconteceu no século XVIII: foram negociados mais de 6 milhões de seres humanos. A Inglaterra e Portugal foram os maiores traficantes neste período: Segundo a documentação histórica reunida, só no século XVIII, os ingleses negociaram mais de 2,8 milhões de seres humanos, enquanto Portugal 1,8 milhões, à frente de holandeses e franceses.

Matemática da genética

Somos todos iguais e todos diferentes! Não é uma teoria. É uma verdade matemática. A genética comprova isso mesmo. Foi o austríaco Gregor (Johann) Mendel que abriu essas primeiras páginas da ciência genética Os resultados das suas experiências e observações de 23 anos foram publicados em 1866, sob o título “Experimentações com Plantas Híbridas”, onde apresentou as sustentações da transmissão hereditária e as suas conhecidas leis (de Mendel).

A Genética é um ramo da biologia que estuda os mecanismos da hereditariedade ou herança biológica. É o estudo dos genes, variação genética e hereditariedade em organismos, embora isso tivesse sido já observado há milénios segundos escritos encontrados e que se mantêm preservados para as gerações vindouras como parte da história da humanidade. Mais recentemente chamamos-lhe biologia molecular ou a genómica. Genética permitiu-nos entender o desenvolvimento de alguns tipos de tumores, criar clones, realizar testes de DNA, criarmos produtos genéticos, verificar e compreender as diferenças entre humanos… Perceber mesmo que homens e mulheres são diferentes e que entre elas e eles há seres distintos. Isso revela-se na antecedência mais ou menos longínqua e que está intimamente ligada às regiões do planeta sob todas as suas formalidades. Há excepções dentro das mesmas descendências: Para isso, contribui a globalização e a aculturação, esta última termologia muito discutida que perturba agentes políticos e culturais mais puritanos, principalmente mais radicais e defensoras de uma certa libertinagem de regimes onde o Ocidente se deve adaptar para bem da humanidade, ou melhor a bem da integração das comunidades migrantes que não vislumbraram futuro nos seus países de origem.

Este paradigma modernizou-se nestes últimos vinte anos. Confundiu-nos. Misturou-se a ética com a genética, no fundo não soubemos separar a moral da matemática. Pretendemos colocar todos no mesmo saco.

Isso é impossível suceder: Não somos mesmos todos iguais como respondeu o futebolista Ricardo Andrade Quaresma Bernardo ao deputado André Ventura do partido ‘Chega’ por este ter defendido medidas de maior controlo em algumas comunidades ciganas que se negam cumprir as regras do Estado de Emergência e o confinamento a que todos os outros cidadãos que vivem em território português se encontram obrigados por força do combate à pandemia do coronavírus. É a ciência que o demonstra.

André Ventura, em nome do partido Chega, não fez mais que a sua obrigação enquanto legitimamente eleito para a Assembleia da República: Anunciar que apresentará proposta para colmatar problemas específicos que se têm verificado em algumas comunidades ciganas. Pode ser censurável que não o tenha feito para outras comunidades que também não cumprem as medidas restritivas impostas aos demais portugueses. Mas André Ventura não disse nenhuma mentira e nem sequer generalizou. Ainda assim, os números oficiais compilados pelos atestados das diversas polícias não desmentem: 70% da comunidade cigana em Portugal e Espanha vive acima da Lei e outros 15% fora do contexto de normalidade social e cultural vigente.

Em Espanha, ao invés do que sucede em Portugal, relatam-se os casos (quase todos são filmados pelos próprios agentes que operam equipados para isso mesmo como forma de testemunhar a legalidade dos métodos utilizados nas intervenções, mesmo as mais musculadas como sucedeu em Son Banya, nas Baleares), fazem-se reportagens e ouvem-se todas as partes. Há vários canais de televisão que se dedicam a mostrar os meandros da criminologia mais violenta, como a Cuatro, BeMad, Telecinco, estes três canais da Mediaset; la Sexta, da Atresmedia e Dmax… Fazem-no sempre penetrando nos mundos dos bons e dos maus.

No ‘mundo’ do chamado crime pesado, que movimenta e introduz nas economia de Espanha e de outros países europeus milhares de milhões de euros – falamos do narcotráfico, da venda ilegal de armas, de madeiras preciosos, de fármacos, de produtos de beleza, de contrafeitos de marcas de luxo e de tabaco – aparecem sempre os mesmos clãs ou uma espécie de seus filiados, os empregados de patrões bilionários desaparecidos ou a cumprir penas de prisão pesadas mas que continuam a controlar as actividades ilícitas. São líderes de comunidades ciganas com várias origens (também da Roménia, Moldávia e albaneses), russos, ucranianos, lituanos, italianos ligados às mafias napolitanas que se refugiam nos locais mais emblemáticos e insuspeitos de Espanha, ou ao contrário, em quintas e povoações mais discretas onde as populações são mais vulneráveis e susceptíveis de aceitar a generosidade destes clãs familiares organizados.

Como ouvi afirmar uma médica cigana: “Não somos todos iguais”. Trata-se de uma clínica que explicou o sacrifício e a tormenta por que passou ela e um irmão ao terem decidido sair da “bolha”… De uma família cigana meio rica e a viver em meio de classe média/alta. De se ter inconformado com a vida que lhe tinham destinado, de dona de casa, em ter que aceitar um dos três casamentos que lhe impuseram em ter de deixar de estudar…

As nossas géneses impõe-se independentemente do estatuto social que conseguimos atingir. Reincidimos! Exemplo recente: O ex-jogador do Real Madrid, o colombiano Edwin Congo que foi apanhado numa operação contra o narcotráfico.

Depois, temos a globalização dos ideais, das convicções disseminadas em nome de religiosidades absurdas. Encontramos este flagelo a Oriente médio e há séculos.

Finalmente, qualquer um de nós tem direito à liberdade de pensamento por mais estranho que seja… E é bom que assim seja; que saibamos o que é que cada um de nós pensa, sobretudo aqueles que podem assumir cargos públicos de maior responsabilidade. Passamos a estar precavidos!

por José Maria Pignatelli

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