Duarte Cordeiro, Secretário de Estado, em entrevista, esclarece algumas questões sobre a pandemia do Covid-19 no concelho de Loures

O Secretário de Estado Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Duarte Cordeiro, na qualidade de Coordenador da Região de Lisboa e Vale do Tejo, prestou alguns esclarecimentos sobre a situação da pandemia do Covid-19 no concelho de Loures, numa entrevista em exclusivo para o ‘NoticiasLX’.

Duarte Cordeiro – Secretário de Estado Adjunto e dos Assuntos Parlamentares

– Que medidas implementou o Governo no sentido de apoiar os Municípios, como Loures, a combater a pandemia do Covid-19?

Uma das medidas que procurámos desenvolver em todo o território nacional para apoiar os Municípios e em particular na Região de Lisboa e Vale do Tejo foi testar todos os profissionais das creches e dos lares que têm convenções com a Segurança Social e dos lares privados. Esse trabalho está concluído com taxas de contágio muito baixas (0,5% nos lares e 0,2% nas creches). Falta-nos neste momento acompanhar os lares informais em que temos de identificar os colaboradores destas instituições que devem ser testados. Estamos a fazê-lo em conjunto com os Municípios e com a Saúde Pública.

-Nos últimos dias o número de casos de pessoas infetadas no concelho de Loures tem sofrido um dos maiores aumentos. O Município de Loures teve contactos com o Governo no sentido de reivindicar uma maior intervenção da DGS e das Autoridades de Saúde? Está nos planos do Governo dar uma atenção especial ao concelho de Loures e apoiar direta ou indiretamente um maior esforço no combate à COVID-19?

A Região de Lisboa e Vale do Tejo tem tido um crescimento superior de casos positivos àquilo que é a média a nível nacional e isso tem-se sentido nos concelhos com muita população e por isso também no município de Loures. Temos estado a acompanhar os casos que nos vão surgindo em estreita colaboração com os Municípios. Muitas das diligências que temos estado a adotar são de natureza regional. Quando existem situações como surtos em empresas procuramos ter um olhar mais atento localmente. Muitas vezes os trabalhadores com casos positivos de empresas de outros municípios podem ser moradores de Loures e isso pode fazer com que os números de Loures aumentem. Também temos feito rastreios em lares que, a partir de um caso positivo, nos levam a ter de testar todas as pessoas que vivem e trabalham nessas instituições. Não temos outra situação identificada no município de Loures que resulte de surtos em empresas ou lares que temos procurado acompanhar em detalhe.

– Em Loures tem havido uma relevante e constante diferença entre os números fornecidos pela DGS e os números fornecidos pelo Delegado de Saúde. Ao dia de ontem a DGS informava de 642 casos e o Delegado de Saúde informava de 800 casos de pessoas infetadas. Como comenta este constante diferencial?

A Direção Geral de Saúde já explicou que a diferença entre os números divulgados a nível nacional e os números das autoridades locais deve-se aos métodos de contagem e à proximidade que as autoridades locais têm com os seus concelhos que lhes permite ter dados mais finos e precisos.

– Relativamente ao caso do grupo de migrantes infetados com o COVID-19 e transferidos da base aérea da Ota para uma zona residencial em Loures, a Câmara Municipal foi avisada previamente da operação? Que medidas estão a ser implementadas para que haja vigilância adequada dado que temos testemunhos da população da Mealhada e de colaboradores de uma superfície comercial local que comprovam a livre circulação deste grupo de indivíduos colocando em risco a saúde pública? O que pode garantir à população da Mealhada?

A Câmara Municipal foi avisada previamente à operação, foi-lhe transmitido que iam ser transferidos aqueles migrantes para aquela localização mas não foi requerida a concordância do Município, foi simplesmente informado. Neste momento eles já não se encontram naquela localização, portanto julgo que o assunto já está devidamente resolvido.

– O Delegado de Saúde de Loures, afirma que a Segurança Social se recusa a entrar nos lares ilegais com medo de legitimar essas situações. O que é possível o Governo fazer para ultrapassar esta questão?

Está definido um protocolo de visitas a essas instituições e esse protocolo pressupõe que essas visitas sejam feitas pela Proteção Civil e pela Saúde Pública. O objetivo é procurar sensibilizar os profissionais dessas instituições a serem testados e nós disponibilizaremos os testes necessários.

26.maio.2020

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