Prognósticos em Loures? Só no fim do jogo.

Depois do verão entraremos na animada disputa eleitoral para a Presidência da República. Ainda pouco se sabe sobre o alinhamento final dos candidatos mas parece ser cada vez mais certo que Marcelo Rebelo de Sousa não terá um passeio no parque.

Só depois dessas eleições os motores vão, em definitivo, aquecer, no que às Autárquicas em Loures diz respeito. A dinâmica de André Ventura nessa eleição presidencial pode depois ser transportada para o domínio autárquico. O Chega vai ter candidaturas fortes no contexto municipal e ao nível das várias freguesias. É hoje a minha absoluta convicção. Creio que Bruno Nunes se perfila como o mais natural candidato pelo Chega. E sobre isso já chega mesmo de apontarmos às pessoas o facto de serem candidatas por partidos diferentes em eleições diversas. É assim a vida. Um clube de futebol é para a vida. Um partido político não se ama. Não se tem paixão irracional. E se é o caso, então nada abona a favor de quem nutre esse sentimento por uma agremiação partidária. Os partidos são, simplesmente, estruturas de intermediação de poder. Que devem ser dinâmicos e que, por isso mesmo, devem contar com uma massa de pessoas que também muda ao longo do tempo. Basta olharmos para a nossa história e temos vários grandes estadistas com histórico de troca partidária, desde logo talvez o maior de todos eles, Winston Churchill.

Se o Chega aparecer nas autárquicas com uma boa dinâmica nacional, com um candidato forte – como creio que o é Bruno Nunes – e se conseguir aglutinar bons candidatos à Assembleia Municipal e a algumas (ou todas) as freguesias julgo que existe uma hipótese real de eleger várias pessoas.

O PS parte com todo o favoritismo para ganhar a eleição municipal. Mas, também aqui, e com uma campanha presidencial em que o partido parece que vai ficar calado a torcer por Marcelo Rebelo de Sousa, acrescentando, por isso, zero à dinâmica autárquica, julgo que o momento em que se encontrar o Governo central na altura será decisivo pelo menos para percebermos a dimensão do resultado dos socialistas. Fazia bem o PS abrir a personalidades de fora do partido que lhe permitissem uma base de apoio mais ampla e que pudesse constituir uma plataforma para um trabalho que, na perspetiva do PS, não poderá ser de um mandato, mas pelo menos de uma década.

O PCP está em declínio acentuado. O desgaste é enorme e indisfarçável. Os casos sucedem-se. Não fossem as eleições em 2021 e parece-me que até seria difícil chegarem ao final do mandato. Claro que beneficiam de uma forte implementação no terreno e que em política tudo muda muito rápido.

Continuo a pensar, como já o disse por mais que uma vez, que a Direita além do Chega (que tem uma dinâmica própria) e do PSD (que não abdicará de ter os seus candidatos internos nas 12 eleições a decorrer em Loures) devia sentar-se a uma mesa e perceber se existem condições para uma plataforma comum para, pelo menos, eleger um ou dois deputados municipais e, eventualmente, ter força em algumas freguesias. CDS-PP, Iniciativa Liberal e Aliança, deviam, em sede autárquica, perceber os pontos de convergência, eventualmente até, procurando aglutinar outras forças políticas respeitáveis como por exemplo o Nós Cidadãos, apresentando uma alternativa que seja muito mais de cidadania do que partidária. Com pessoas do movimento associativo, cultural, etc. Poderia ser um dado interessante para juntar à contenda.

Sobre resultados o melhor é mesmo esperarmos pelo fim do jogo.

– Tiago Mendonça

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