Histórias de África – Singularidades!

Espanha abrirá as fronteiras com os países do espaço de Schengen no próximo dia 21 de junho, precisamente quando terminará o Estado de “Alarma Nacional” que vigora desde 14 de Março último. Portugal será a única excepção. Segundo revelou Pedro Sanchez, presidente do governo espanhol, ontem, ao início da tarde, numa conferência de imprensa, será possível transitar livremente entre os dois países ibéricos a partir de 1 de Julho.

O líder do governo de Espanha confirmou que o rei Felipe VI, o presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa e ele próprio vão estar juntos na reabertura das fronteiras numa dupla cerimónia conjunta dos dois países que deverá acontecer primeiro em Badajoz e em seguida no Caia, do lado português.

Recorde-se que as fronteiras entre Portugal e Espanha foram encerradas devido à pandemia do vírus corona às 23h do dia 16 de Março (00h00 de dia 17 em Espanha). Desde então, apenas se mantiveram abertos nove pontos de passagem, mas exclusivamente destinados ao designado tráfego profissional, ou seja ao transporte de mercadorias e para os cidadãos que tenham de se deslocar por razões estritamente profissionais.

Hoje (dia 15 de junho), começa projecto-piloto nas Baleares. Hotéis já têm todos mecanismos de segurança e muitos renovaram-se. Ainda se desconhecem como se vão realizar os “voos seguros”

Pedro Sanchez confirmou projecto-piloto de abertura de fronteiras a 10.900 turistas alemães nas ilhas Baleares a partir desta manhã com chegadas faseadas nos próximos oito dias, a fim de testar as condições de segurança das unidades hoteleiras, com o propósito de mostrar a capacidade e qualidade desta indústria espanhola. O presidente do governo de Espanha lembrou que o País é o segundo destino mundial e o que mais turistas recebe per-capita, qualquer coisa como 87 milhões de cidadãos que fazem estadias superiores a 4 noites e em média mínima de uma semana.

Los Cristianos, a Sul de Tenerife, é um dos locais mais concorridos. Faz fronteira com Las Américas e integra dois areias de areia branca com mais de 1,6 quilómetros. Sexta-feira e sábado, quase se assemelhava a um deserto. Nem os milhares de residentes saem de casa, tal permanecem as incertezas e a desconfiança e o medo lançado pelas governanças

No entanto, Sanchez não explicou as regras de funcionamento nos aeroportos para garantir os indicados ‘voos seguros’, adiantando que essa ainda é matéria que está a ser acordada entre os países Membros da União, mesmo estando-se a uma semana da abertura de fronteiras.

As organizações que congregam os hoteleiros garantem que o trabalho de casa está feito: Os hotéis tem mecanismos para monitorizar a segurança sanitária e muitos deles foram alvo de importantes investimentos em remodelações e renovação de equipamentos.

Em 100 dias, turismo em Espanha perdeu 1 milhão de empregos e 83.000 milhões de euros. Ilhas da Macaronésia é o território mais seguro do Mundo. 7% dos espanhóis deixaram de fumar e as vendas caíram 24,6%

De qualquer modo, e já estando o país quase todo na Fase 3 de desconfinamento, a quase totalidade das unidades hoteleiras mantêm-se encerradas. Isso é visível em territórios que se ainda se encontram – incompreensível de algum modo – isolados do Mundo, como o caso do arquipélago das Canárias, onde algumas unidades preveem abrir apenas no final do Verão ou só mesmo a partir de 1 de Novembro como já anunciam. Nesta medida, são acompanhados por muitos negócios de restauração que duvidam da capacidade em gerar receitas que cubram as despesas nos próximos meses.

Em 100 dias, o turismo de Espanha regista percas incalculáveis: Um milhão de empregos dos 2,2 milhões totais e receitas da ordem dos 83.000 milhões de euros.

Convém salientar que os territórios mais seguros do Mundo do ponto de vista sanitário e como destinos turísticos são precisamente as ilhas da Macaronésia, constituídas pelos arquipélagos dos Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde, precisamente grupos de ilhas no Atlântico Norte, perto da Europa e da África, e mais uma extensa faixa costeira do Noroeste da África que se estende de Marrocos ao Senegal. Só acompanhadas pela Nova Zelândia.

Por contabilizar estão as percas: Das vendas automóveis às rent-a-cars, um dos negócios mais importantes do retalho do sector; e da agricultura e da indústria agroalimentar que continua a não conseguir distribuir toda a sua produção, sabendo-se da grandeza da Espanha no contexto europeu e mundial em ambas as áreas socio-económicas.

Saldos e promoções ao limite enchem o comércio de retalho, principalmente daqueles bens menos essenciais. Vestuário e calçado vendem-se ao preço de custo em muitos estabelecimentos. Pretende-se realizar algum dinheiro para colmatar algumas despesas, mas acima de tudo – como diz o velho ditado, “tapar o Sol com a peneira”-, numa clara corrida contra o tempo da falência que as moratórias (com períodos de seis meses e que podem chegar ao ano), os tais períodos de adiamento dos pagamentos de hipotecas e empréstimos, podem não chegar para as evitar.

Entretanto, as estáticas revelam que 7% dos espanhóis deixaram de fumar e as vendas de tabaco caíram 24,6%. Nesta matéria o confinamento não foi a razão, pois as tabacarias apenas estiveram confinadas nos primeiros dois ou três dias, período de obtenção do estatuto legal de poderem estar abertas mediante restrições sanitárias.

Um comentário à inadequada celebração da abertura de fronteiras

Não é decente festejar a abertura de fronteiras entre países, sobretudo quando a cerimónia envolve chefes de Estado – Um Rei e um Presidente da República – e dois líderes governamentais, e se anuncia uma recepção e almoço das comitivas. As governanças do Ocidente deviam pedir desculpa aos seus cidadãos pela inabilidade que tiveram em gerir a pandemia do Covid-19 e orar pelos milhares de mortos que não evitaram por desacreditarem das informações que receberam atempadamente.

Vive-se um momento em que centenas de milhares de famílias, com sacos de supermercado debaixo dos braços, cerram fileiras gigantescas às portas das instituições de caridade, para conseguirem alguns alimentos que lhes possam matar a fome.

São centenas de milhares de famílias que vivem a incerteza do futuro a curto prazo questionando pelos próximos empregos que lhes permitam pagar alugueres e hipotecas das suas casas terminando o período de carência decidido pelos governos. Este é um cenário fácil de ver, logo a partir das 8 horas, sem sequer precisamos de percorrer muitos quilómetros. Estão à vista de todos, nas principais artérias. E dificilmente nos deixam indiferentes.

Diz quem sabe; quem viveu o pós- Segunda Grande Guerra, que esta é a maior perturbação social depois das crises petrolíferas dos anos 60’ e 70’ (…) E isto numa altura em que meio Mundo deveria estar mais bem preparado, pois existem novas infraestruturas, tecnologias, a ciência e o conhecimento desenvolveram-se; a literacia é maior, apesar de nos faltar globalmente a cultura que nos una e nos faça mais felizes e torne mais humanos.

Celebrar abertura de fronteiras em plena crise humanitária e sanitária e em momento de incertezas maiores é desadequado e desajustado sobretudo do ponto de vista do exemplo dado aos cidadãos que passam maiores privações. Não faz sentido! Não há motivos para festejar nada.

As governanças do Ocidente deviam pedir desculpa aos seus cidadãos pela incapacidade que tiveram em gerir a pandemia, pelas desconfianças que criaram e pela inabilidade que insistem em manifestar na antevisão do futuro e pelo desentendimento entre os governos dos países Membros da União Europeia. Festejar a reabertura de fronteiras é enxovalhar a democracia ou estas democracias que mais se assemelham a autocracias incorporadas por quem nunca teve instrução democrática, por uma classe de novos-ricos, padrinhos das novas riquezas conquistadas pelos negócios especulativos, branqueamento de capitais, crimes de corrupção, tráfico de influências, ao invés de contribuírem para o alicerçar dos sectores produtivos que acrescentem valor às economias dos Estados a bem de todos.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o rei Felipe VI de Espanha, e os primeiros-ministros português, António Costa, e espanhol, Pedro Sánchez, vão estar juntos na reabertura das fronteiras entre Portugal e Espanha, no dia 1 de julho.

Esta informação, avançada pelo jornal Expresso na edição deste sábado, foi confirmada à Agência Lusa por fonte da Presidência da República.

A cerimónia terá lugar entre Caia e Badajoz, estando previsto que as comitivas portuguesa e espanhola se encontrem na fronteira e a cruzem para o lado de Espanha, para uma receção, e em seguida passem para o lado de Portugal, para um almoço, adiantou a mesma fonte.

Devido à pandemia de Covid-19, as fronteiras terrestres entre Portugal e Espanha foram encerradas às 23h do dia 16 de março (00h00 de dia 17 em Espanha), com nove pontos de passagem exclusivamente destinados ao transporte de mercadorias e a trabalhadores que tenham que se deslocar por razões profissionais, em termos definidos em conjunto pelos dois países.

– José Maria Pignatelli


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