Histórias de África – Cruzeiros com célula de combustível alimentada a gás natural

Depois da União Europeia abandonar literalmente a opção da generalização da utilização do gás natural como combustível primeiro para os automóveis, mantendo esta preferência apenas nos veículos pesados presentemente movidos a gás natural líquido, ou seja criogenizado a – 161º centigrado (i.e. negativos) porque proporciona uma autonomia inigualável, obviamente impensável num veículo eléctrico, a indústria naval converte-se a este novo paradigma, o gás natural líquido (liquefeito) como energia principal praticamente limpa.

José Maria Pignatelli

Se entre os políticos europeus, ganhou o lóbi dos automóveis electrificados – superiorizando-se mesmo aos híbridos e híbridos-eléctricos, ambas as opções adicionadas a motores a gasolina – o gás natural continua a ser o único combustível alternativo imediatamente disponível, muito mais ecológico que os demais combustíveis fósseis, na escala de 1 para 70. É inclusivamente mais eficaz que os veículos eléctricos quer do ponto de vista económico e ecológico Mais: Um motor a gasolina adapta-se perfeitamente ao gás natural, seja ele no modo GNV ou GNL. A tecnologia de implantação está indubitavelmente matura e disponível há mais de 20 anos e é dominada por todos os construtores.

Para que se perceba, existem dois tipos de gás natural dedicados aos transportes, relacionando-os com sua fase térmica: Gás natural comprimido (GNV) que tem de de estar armazenado a altas pressões e gás natural liquefeito (GNL), ou seja o líquido de gás natural criogenizado que é utilizado nos veículos leves e nos que servem o transporte público ou de mercadorias por se obter maior autonomia, na maioria dos casos a permitirem uma circulação superior a 1.200 quilómetros por cada abastecimento.

Célula de combustível de óxido sólido

‘MSC World Europa’, será o segundo ou o terceiro navio de cruzeiros do Mundo da nova geração, movido a gás natural liquefeito e o primeiro do armador suíço MSC Cruises. Está previsto entrar ao serviço em 2022.

No entanto, O Grupo Costa, que abrange a Costa Cruzeiros e Aida Cruises (este último é o ramo alemão do Grupo Costa), anunciaram em Julho de 2015 quatro ou cinco navios desta geração com esta tecnologia combustível considerada das mais limpas que se conhecem. O AIDANova já navega desde 19 de Dezembro de 2018, e o primeiro dos seus irmãos poderá estar concluído no decurso do primeiro semestre do próximo ano, dependendo da evolução da crise gerada pela pandemia do vírus corona. Terão todos as mesmas características: Entre as 183 e 185 toneladas brutas e com capacidades entre os 5.800 a 6.600 passageiros dependendo da configuração entretanto escolhida pelo armador italiano. Os navios do Grupo Costa – a maior operadora de turismo italiana – serão construídos nos estaleiros alemães da Meyer Werft GmbH em Papenburg nas margens do rio Ems, enquanto o ‘MSC World Europa’ é da responsabilidade dos estaleiros da francesa Chantiers de l’Atlantique, em Saint-Nazaire.

O ‘MSC World Europa’ será pioneiro ao integrar a tecnologia de célula de combustível de óxido sólido (SOFC) que incorpora sistema de alimentação de 50 quilowatts, utilizando GNL para produzir electricidade e calor. Será a primeira vez que um navio de cruzeiro dispõe deste género de célula de combustível movida a gás natural liquefeito. Construtor e armador garantem: Que o navio quase não produzirá emissões de óxidos de nitrogénio, óxidos de enxofre ou as conhecidas partículas finas; que reduz as emissões de gases de efeito de estufa em quase 30% relativamente aos motores mais convencionais a GNL já de si menos poluentes em cerca de 60% relativamente aos alimentados a diesel. A célula de combustível abre a possibilidade de utilização de metanol e hidrogénio, os designados por combustíveis em baixo carbono.

2013: ‘ViKing Grace’ o pioneiro do gás natural e da energia eólica

Mas foi a 13 de janeiro de 2013 que se estreou o primeiro navio dedicado a passageiros com motor alimentado por gás natural liquido: O MS Viking Grace é um ferry de 57.565 toneladas de arqueação com capacidade para transportar 2.800 passageiros, 880 camarotes e com 1.000 metros de pista para carros e 1.275 metros destinados ao armazenamento de carga Ro-Ro.

Este navio – construído no estaleiro finlandês da STX Europe Turku -, para a empresa Viking Line, também finlandesa, tem uma outra curiosidade: Está equipada com uma vela de rotor cujo cilindro tem 24 metros de altura e uma largura de 4 metros para produção de energia eólica, Trata-se da tecnologia ‘Rotor Sail Solution’, desenvolvida pela Norsepower, uma outra empresa finlandesa, que pode proporcionar uma economia de combustível até 20% estejam os ventos de feição nas ligações entre as cidades finlandesas de Turku e Mariehamn na ilha de Aland e do porto de Långnäs (também na ilha de Aland e Estocolmo, a capital da Suécia.

Cruzeiros retomam em Setembro

A retoma dos cruzeiros pós-Covid-19 acontecerá só a partir do próximo mês de Setembro. Esta foi a decisão ajustada e4ntre as maiores companhias e armadores de navios de cruzeiro, ainda que a União Europeia tenha proposto o final de julho ou princípio de Agosto para o início dessas operações turísticas, cuja interrupção está a custar milhares de milhões de euros.

Na semana passada fundearam ao largo de Santa Cruz de Tenerife quatro navios de cruzeiro, seguindo uma política economicista de manter as embarcações em funcionamento para evitar maiores custos quer com as estadias em portos quer com as maiores manutenções decorrentes das paragens mais prolongadas destes equipamentos.

Os navios de cruzeiro movimentam-se principalmente entre os destinos das suas operações mais habituais: Vários portos do Norte da Europa, principalmente dos Oceanos Báltico, Atlântico (principalmente Ilha da Madeira e Canárias), Mediterrâneo, Mar Adriático, Flórida e ilhas do Caribe.

-José Maria Pignatelli

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