O Mercado de Odivelas

Na qualidade de munícipe do Concelho de Odivelas, mas também com o estatuto de cidadã que a própria cidadania me confere, insurjo-me contra uma série de coisas que não sendo normais que aconteçam num município (que se diz) moderno, se tornam indecentemente vulgares pelo tempo que permanecem mal ou erradas.

Refiro-me desta vez ao MERCADO DE ODIVELAS, sim, ao mercado sobre o qual a CMOdivelas coloca cartazes na rua a apelar às compras no comércio local e ao apoio aos logistas do concelho, mas onde nada faz há anos, onde não intervém há anos, onde desleixa há anos, onde esquece há anos, onde os comerciantes, os clientes e os fornecedores são votados ao mais dilacerante desprezo e abandono.

Como poderá haver motivação de alguém para fazer compras no Mercado de Odivelas, quando se depara com um espaço inóspito, antiquado, desmazelado e sem o mínimo de condições de modernidade para clientes e comerciantes.
Há vendedores com óptimos produtos frescos que nem sequer vêm reconhecido o justo valor do que vendem, porque as instalações são péssimas, as condições degradantes e o espaço pouco convidativo. Obviamente que nestas condições, os clientes também não são muitos. O esforço diário que fazem os comerciantes para permanecer num local que mal lhes dá para o sustento, é prova da alternativa que não têm, nem nunca tiveram em Odivelas.
Não basta apelar ao comércio local, é preciso dar condiçõs e garantias de saúde pública a quem nele trabalha, dele vive e a todos os que se deveriam servir de um bem público e necessário. Os munícipes não vão ao mercado? Pois não, com o aspecto que “aquilo tem”! (ouvi alguém dizer isto, falando de um mercado, imagine-se).

Uma casa de banho que permanece há meses e meses e meses com papéis a dizer que está em limpeza? Ou avariada? (ver foto) E como se servem das instalações sanitárias os comerciantes e os clientes? Não servem, claro! É mais fácil e ligeiro proibir do que resolver.
É mais prático vedar o acesso do que solucionar o problema. Sempre foi mais fácil assobiar para o ar, do que assumir responsabilidades.
Estou em crer que não é por terem más condições no seu local de trabalho que os comerciantes pagam menos à CMOdivelas pelo espaço que ocupam, ou quiçá, estejam isentos de taxas municipais.

Decerto, se se tratasse de um privado que tivesse más condições de salubridade pública, já lá teria ido a fiscalização e passado a respectiva multazinha … (e muito bem!), pena é, que os exemplos não venham de onde devem, ou seja, de cima.
Dir-me-ão que o dinheiro não dá para tudo, … nós sabemos isso muito bem, também temos de gerir as nossas casas e as nossas empresas com o que temos ou com o pouco que nos resta, mas há uma coisa que em planeamento se chama “gestão de prioridades” e isso é importante e uma responsabilidade de todos, mas sobretudo um dever da administração pública, visto se tratar do dinheiro de todos nós.

Essa gestão de prioridades passaria “talvez” … por:
talvez canalizar algum do dinheiro que não foi gasto na Capital Europeia do Desporto 2020,
talvez não adquirir viaturas eléctricas para a CMOdivelas este ano,
talvez não gastar tanto dinheiro em ciclovias e zonas pedonais,
talvez reservar algum dinheiro da campanha das próximas autárquicas,
talvez candidatarem-se a fundos europeus estruturais e de investimento
talvez negociar parcerias
talvez potenciar mecenato
talvez … talvez

Maria da Conceição Roberto
Munícipe de Odivelas
Julho de 2020

Wordpress Social Share Plugin powered by Ultimatelysocial
RSS
Facebook
Twitter
YouTube