Histórias de África – “Antígeno”, o teste da nossa salvação

Os testes de antígeno são a aposta enquanto opção mais rápida e barata – não devem custar mais de 10 dólares, ou seja cinco vezes menos que um RT-PCR – no combate à pandemia da Covid-19. E porque são mais rápidos? Os testes antígenos reagem – ou melhor, procuram – fragmentos de proteína da superfície do vírus, as tais “pontinhas” que vemos na superfície esférica da representação do Sars-Cov-2. Podem ser realizados em questão de minutos – num processo inferior a 30 minutos – sem equipamento ou necessidade de treino intensivo.

Os testes antígeno não são nenhuma novidade: a empresa Norte-americana OraSure Technologies produz milhões de testes de antígeno ao HIV, os já celebres “kit de teste OraQuick”, o primeiro teste ao HIV que pode ser realizado em casa e adquirido sem receita. É esta empresa, com sede na Pensilvânia, na cidade de Bethlehem (Belém), no Estado da Pensilvânia que, agora, prepara um teste semelhante para o coronavírus, o SARS-Cov-2. Para Steve Tang, CEO daquela empresa produtora de dispositivos médicos de diagnóstico, afirmou que a utilização deste género de teste será “o primeiro passo para que se possa retomar uma vida relativamente normalizada, a nova normalidade que tanto se invoca, garantindo antecipadamente que não estamos infectados, o mesmo para os que nos rodeiam”.

Por sua vez, Deborah Leah Birx, reputada imunologista estado-unidense, lembrou que “jamais haverá a possibilidade em realizar testes PCR aos 330 milhões de residentes nos Estados Unidos ou testar todo mundo, antes de irem para o trabalho ou para a escola”. Segundo a médica americana para fazer os testes PCR massivos “é preciso tempo, energia e profissionais treinados para executar os exames”. Deborah Birx é especializada em imunologia contra o Vírus da Imunodeficiência Humana, pesquisa de vacinas e saúde global e, Março de 2020, foi coordenadora da Força-Tarefa da Casa Branca para o coronavírus.

Como funcionam os antígenos

Retiram-se amostras nasais com uma cotonete específico introduzindo-a depois numa solução que é colocada em tiras de papel embebidas com os anticorpos. Ora enquanto a solução se expande na tira de papel, todos os antígenos presentes ligam-se aos anticorpos, cuja reacção fornece uma leitura visual. O teste foi concebido a partir da mesma plataforma básica usada para testar a dengue e o zika que tem uma precisão entre os 90 a 95%.

Por outro lado, a E25Bio – da Universidade de Harvard – criará um aplicativo apenas para ser utilizado pelos médicos de família, da saúde pública (e eventualmente epidemiologistas) para rastrear os resultados e que possibilite disponibilizar meta-dados como sexo, idade e local de residência dos utentes.

Presentemente, os testes moleculares por RT-PCR – reação por cadeia da polimerase em tempo real – são o melhor recurso para diagnosticar a Covid-19, em menor tempo que os exames sorológicos, detecção de anticorpos das classes IgA e IgG produzidos pelo organismo após a infecção pelo Coronavírus 19, em pacientes que apresentem sintomas com 7 ou mais dias.

Nos RT-PCR, a confirmação é obtida através da detecção do RNA do Sars-Cov-2 em amostras colhidas do nariz e garganta do paciente. Contudo, apesar da maior precisão que os testes rápidos – que analisam anticorpos – os PCR, como atrás se menciona, apresentam problemas de realização em grande escala em tempo real. – por José Maria Pignatelli

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