Histórias d’África – Segundo tiro no porta-aviões (I)

O Coronavírus – cientificamente o SARS-Cov2 – já fez mais de 1 milhão de mortos (1.054.712), contagiou outros 36,077 milhões dos quais se garantem estar recuperados 25,1 milhões (25.153.684). Passaram 12 meses depois do primeiro alarme ter tocado na cidade chinesa de Wuhan, quase 10 meses após os alarmes dispararem entre as comunidades científicas e médicas a Ocidente. Pior, principia uma segunda vaga da pandemia declarada há 8 meses. A Europa volta a ser a mais afectada. O vírus não regressou seguramente. Esteve sempre aí, entre nós, em milhões de assintomáticos – os portadores que não padecem da enfermidade – em mais de meio Mundo. A sua persistência faz-se sentir mais nos países a Ocidente a avaliar pelas estatísticas globais de infectados, de ingressados em hospitais e de falecidos. E é quase certo que as vacinas não chegarão com o Pai Natal nem com os Reis: Dificilmente nos entrarão pelas chaminés, cairão sobre os sapatinhos, as meias penduradas ou por baixo das árvores de Natal. Outra dúvida preocupante: Pela primeira vez na história da vacinação, propõe-nos as designadas vacinas de mRNA – ditas de última geração – que intervêm directamente no nosso material genético, ou seja alterando o material genético individual. Estamos perante a primeira vacina que representa a manipulação genética, o que é liminarmente reprovável do ponto de vista ético e proibido em muitos países.

Os números mais alarmantes acontecem nos países do Centro e Sul da Europa. Na Espanha continental, o fim-de-semana assinalou a entrada em vigor de medidas de confinamento para 10 milhões de residentes em 573 municípios, uma medida que custará a perca de ingressos nos cofres públicos da ordem dos 1,8 mil milhões de euros. E ainda estamos à entrada do Outono, muito antes das habituais vagas dos vírus gripais que, certamente, se confundirão com o Covid-19, principalmente entre as crianças e adolescentes. Importa determo-nos que entre Dezembro e Março, acodem às urgências de cada um dos Centros de Saúde primária da Comunidade de Madrid cerca de 400 menores.

Mapa Canárias

Claramente há países cujos números divulgados são evidentemente incorrectos, falseados ou simplesmente porque não existem meios de os investigar. Ocorrem principalmente em países em vias de desenvolvimento ou pobres, onde se confundem casos de coronavírus com pneumonias severas e tuberculoses. Nações onde a saúde pública é praticamente inexistente e o melhor que se encontra centra-se no gigantesco esforço do voluntariado internacional sem fronteiras e em infraestruturas improvisadas ou danificadas por guerras regionais incessantes. Um pequeno exemplo: Moçambique anuncia 24,12 contagiados por 100.000 habitantes e apenas 0,15 mortos pelo mesmo número de residentes. De uma duas: Ou a Organização Mundial de Saúde (OMS) é iludida ou as autoridades moçambicanas não encerram qualquer mecanismo de controlo. Se observarmos o mapa-mundo do coronavírus, supostamente actualizado diariamente, visionamos muitos outros casos semelhantes. Nos meios de comunicação, é normal as comunidades científicas interrogarem-se continuamente sobre estes casos de aparente sucesso dos países pobres. Em contraciclo damos de caras com países como o Qatar com mais de 4.400 infectados por 100 mil habitantes, o Panamá com 2.500 ou a República de San Marino, um enclave no centro-leste de Itália com a dimensão de Manhattan – uma comunidade maioritariamente abastada ou mesmo rica – com mais de metade dos seus 30 mil habitantes contagiados e 125 mortos. E números ainda mais espantosos são os revelados pela República Popular da China, onde a epidemia começou oficialmente a 1 de Dezembro de 2019, e foi dada como extinta a 1 de Outubro passado com o início da Comemorações da Semana Dourada, transbordou fronteiras: 6,13 contágios por 100 mil habitantes (85 414 casos, 80.594 recuperados e 4.634 mortos), enquanto a vizinha Coreia do Norte ainda se apresenta a zeros nos documentos publicados pela OMS. Já a Coreia do Sul, outro vizinho, precisou de toda a inteligência e habilidade da comunidade política e científica, fronteiras semi-encerradas e fiscalizadas sanitariamente, bem como da disciplina dos seus cidadãos para conseguir travar a pandemia, em tempo recorde. Medidas muito restritivas assimétricas em termos territoriais produziram meio milagre: Num país com 50 milhões de habitantes as estatísticas mostram 44,99 contágios e 0,75 mortos por 100.000 habitantes. Idêntico sucesso e pelas mesmas razões, o japão encerra 68 infectados e 1,22 falecidos por cada 100 mil residentes.

Em lado oposto, deixo outro exemplo de falta de transparência: Há dezenas de espanhóis que fizeram férias de Verão na Grécia – o tal paraíso europeu em que o Covid-19 é uma espécie de miragem -, onde apenas se pode entrar com testes PCR negativos, que regressaram a Espanha positivos. Há técnicos de saúde que não duvidam da manipulação das estatísticas gregas que serviram e servem para minimizar os estragos económicos motivados pela queda do turismo. Um parêntesis: Decididamente ‘cultura’ não faz parte do dicionário da maioria de nós, muitos de memória curta. Grécia mantém-se em dificuldade com um risco migratória sem precedentes do ponto de vista sanitário e ainda nem sequer saiu da crise social e económica de 2010/2011.

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O porta-aviões do ocidente é atingido pela segunda vez e antevê-se um terceiro tiro. O Mundo Ocidental, a Europa em particular, mantêm o desentendimento quanto a uma estratégia comum de combate ao vírus. As lideranças políticas lutam umas contra outras. Ignoram o momento excepcionalmente delicado da vida socioeconómica e distraem os cidadãos com temas acessórios distantes do essencial. Dois exemplos: Em Itália na ordem do dia está a distribuição gratuita de hormonas aos transexuais e, em Espanha a eutanásia e o próprio pacto constitucional.

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O porta-aviões do ocidente é atingido pela segunda vez e antevê-se um terceiro tiro. O Mundo Ocidental, a Europa em particular – nomeadamente a União Europeia – mantêm o desentendimento quanto a uma estratégia comum de combate ao vírus chinês, um segundo Sindroma Inflamatório Multi-sistémico Agudo Respiratório. As lideranças políticas lutam umas contra outras. Ignoram o momento excepcionalmente delicado da vida socioeconómica, os milhões de desempregados ou com contratos suspensos e os autónomos, todos sem trabalho, dependentes de subvenções públicas ou da economia submergida… Centenas de milhares de empresas insolventes que não conseguirão pagar as suas dívidas quando se expirarem as moratórias, sectores do comércio e da indústria que continuam encerrados há 7 meses, muitos deles tecnicamente falidos e sem possibilidade de reabrir. Assistimos a líderes europeus mais preocupados com o assessório do que com o essencial – diria com a bolsa que levamos ao supermercado que com o que podemos comprar para enchê-la e para comer – sustentando a miraculosa ideia que a salvação do Mundo e a assolação do vírus está na digitalização das nossas vidas, precisamente num grupo restrito de megas empresas multinacionais que arquitectam e tramam as novas tecnologias – que nos controlam ao segundo, violando descaradamente a nossa privacidade – que pouco valor acrescentam às economias, fugindo às suas obrigações contributivas nos países onde operam e ganham milhares de milhões. Este paradigma estende-se aos maiores países e àqueles com uma estrutura administrativa territorial mais complexa, como por exemplo Espanha, com um governo central e outros 17 das suas outras tantas comunidades autónomas (portanto com um parlamento (Cortes) nacional e obviamente um por cada região autonómica) e a Alemanha com as suas Federações também elas com governos próprios.

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Impudência: OMS age numa perspectiva mais política e geoestratégica que na defesa dos interesses da saúde global dos cidadãos do Mundo. Tem vários actores para quem a verdade de hoje é a mentira de amanhã (…), mesmo em coisas tão risíveis como os prejuízos versus benefícios da utilização das máscaras, ou a singularidade do Covd-19 ser um vírus anómalo que corria no espaço… E ainda não explicaram a sua ORIGEM.

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Outra face preocupante é o comportamento da Organização Mundial de Saúde: Age numa perspectiva muito mais política e geoestratégica que na defesa dos interesses da saúde global dos cidadãos do Mundo. No palco da OMS já vimos vários actores para quem a verdade de hoje é a mentira de amanhã e vice-versa, mesmo em coisas tão risíveis como os prejuízos versus benefícios da utilização das máscaras, ou a singularidade do Covd-19 ser um vírus que corria no espaço (voava, entenda-se) ou seja completamente anómalo e único na “categoria de voadores”. Ainda não vimos nenhum dos seus profissionais do âmbito das medicinas explicar a origem deste coronavírus. Nem tão pouco assumem que jamais lhes será permitido investigar esse princípio, enquanto aquela organização no âmbito das Nações Unidas continuar sob domínio chinês o que acontece há cerca de 12 anos. Seguramente a maioria estará mais preocupada com o seu futuro pós-comissão de trabalho na OMS, com a possibilidade de garantir um lugar de prestígio nas organizações ligadas à saúde dos seus países de origem.

São demasiadas as desconfianças e inquietudes: A pandemia dura há 8 meses e continuamos por saber a verdadeira ORIGEM deste coronavírus, o SARS-Cov 2. Façamos um esforço em resumir friamente os milhares de páginas de jornais e centenas de programas de televisão sobre esta pandemia. Porventura as incertezas aumentaram nos nossos espíritos. Optei por ver e rever os programas que despertaram mais de 3 milhões de cidadãos de Espanha, na série “Cuarto Milénio”; primeiro, o tal programa que nos acordou para a pandemia que se aproximava (infelizmente os números foram mais expressivos que os anunciados por esses tais cientistas e profissionais sanitários, então rotulados de alarmistas e inimigos do povo); segundo pelas edições que observaram a Origem, o Horizonte e os casos pontuais; terceiro, a coincidência de mais um novo aviso de que está aí a segunda vaga de contágios; quarto, a antevisão fatal de que os poderes políticos não aprenderam nada e continuam a fazerem-se de surdos perante as vozes, estudos e relatórios das comunidades científicas que apesar de também elas viverem num cenário de disputas, já ligam alguns denominadores comuns.

“ORIGEN”

https://www.cuatro.com/cuarto-milenio/programa-completo-origen-coronavirus_18_3006945048.html

“HORIZONTE”

https://www.cuatro.com/cuarto-milenio/programa-completo-horizonte_18_3010620052.html

Da ORIGEM, resumo três acidentalidades em aberto, mas com uma única certeza de que o SARS Cov2 é um vírus zoótico (também se pode ler zoonótico):

  • Fuga fortuita do vírus (um das centenas dos designados coronavírus que se investigam em Wahn e em outros laboratórios semelhantes, um deles em Espanha) através de um ou mais profissionais do laboratório que se contagiaram por desrespeitarem normas de segurança;
  • Escapadela propositada no universo da teoria da conspiração, equacionando-se diversos cenários, mesmo o mais brando que seria verificar a evolução da contaminação num panorama extra letalidade e com carácter interno;
  • Ou contágio massivo entre os trabalhadores – agricultores e ex-mineiros – que recolhem os dejetos de milhões de morcegos ferraduras (uma das quase mil espécies destes animais) de uma gruta localizada aproximadamente a 1.000 quilómetros de Wahn, mas que se acredita estarem a ser rastreados pelo laboratório. De referir, que estes excrementos servem para criar um dos melhores fertilizantes naturais que se conhecem e que não se exige nenhuma medida de segurança excepcional para aceder ao subterrâneo, sabendo-se da proliferação de coronavírus existente.

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Faltam pensadores com coragem que não sejam políticos e afrontem a classe. Os políticos são os donos das decisões mas não sabem como controlar pandemias. Percebe-se que o coronavírus é dinâmico:

Agora, os contagiados são em maior número, em função da quantidade de testes de diagnóstico e rastreios que se fazem, incluindo a enorme percentagem de assintomáticos que se descobrem. Portanto, o combate ao vírus tem de se fazer de acordo com os sábios que tenham a capacidade de indicar a alteração às medidas restritivas de acordo com a avaliação da evolução da pandemia. Só assim se pode associar saúde à (re) vitalização socioeconómica.

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Amigos e conhecidos meus – que considero com cultura acima da média, alguns figuras públicas da ciência e das letras –, outras e outros do mundo da ciência e do espectáculo qua apenas conheço das televisões e anónimos, empregados do comércio, técnicos de turismo, farmacêuticos e até médicos questionam-se:

  • Afinal qual é a razão da segunda vaga de contágios de coronavírus a Ocidente?
  • Que conhecimentos – incluindo científicos – estiveram na base da decisão de Ji Jiping, presidente da República Popular da China, declarar, há duas semanas com pompa e circunstância, o fim da epidemia interna do Covid-19 e consequente final das restrições, mesmo aquelas que vigoravam na cidade de Wahn?
  • Como é que há casos de sucesso e outros de falhanço, alguns tão próximos do ponto de vista geográfico?

Faltam pensadores com coragem que não sejam políticos e afrontem a classe. Os políticos são os donos das decisões mas não sabem como controlar pandemias. Já se percebe que o coronavírus é dinâmico: Agora, os contagiados são em maior número do que na primeira vaga, em função da quantidade de testes de diagnóstico e rastreios que se fazem, incluindo a enorme percentagem de assintomáticos que se descobrem. O número de infectados é tanto maior quanto o aumento de casos entre adolescentes e adultos mais jovens, na faixa dos 21 aos 45 anos. Portanto, o combate ao vírus tem de se fazer de acordo com os sábios que tenham a capacidade de indicar expressamente o momento para alteração às medidas restritivas de acordo com a avaliação da evolução da pandemia. Só assim se pode associar saúde à (re) vitalidade socioeconómica. Um exemplo prático: Uma escola numa vila das Astúrias, onde não se registe ou nunca se tenha assinalado qualquer contágio, não pode ser computada nem incluir os mesmos critérios restritivos de uma escola num município de Madrid ou da Comunidade Autónoma da Catalunha. Nas Astúrias deve garantir-se que não ocorram as chamadas transferências comunitárias, ou seja que se evite dentro do possível a mobilidade excessiva entre comunidades adversas e que em caso disso suceder se rastreiem os cidadãos (…) De momento, é a única forma de combater a epidemia.


Milhões de chineses disfrutaram da ‘Semana Dourada’, dos raros momentos em que os chineses têm férias. Antes, Xi Jinping, presidente do país, declarava o fim da epidemia do coronavírus no território. Mas o que aconteceu foi uma verdadeira hecatombe com multidões compactas acotovelando-se nos locais mais populares e trânsito interminável. Segundo a agência noticiosa Xinhua aconteceu um “mar de gente” que nos últimos sete dias inundou as estradas e as principais atracções turísticas do país. Cerca de 85 milhões de automóveis circularam diariamente em toda a China.

Aliás, atente-se á esotérica ideia do governo de Pedro Sánchez em criar turmas borbulhas nas escolas, ou seja não permitir o relacionamento entre alunos de turmas distintas para evitar eventuais contágios e principalmente em caso de diagnóstico de uma criança ou educador darem positivo. Em Espanha, 90% dos professores foram testados sorologicamente a dias do início do ano escolar. Saída do nada, a medida até parece indulgente. Mas se exercitarmos a nossa massa crítica rapidamente encerramos: Então, as crianças são isoladas quando saem das escolas ou são integradas em ambientes familiares? Comunicam ou não com pais e irmãos que têm idades diferentes e, sobretudo, mantêm outros relacionamentos durante o dia, em outras escolas ou nos empregos? Realmente, a sua verdadeira borbulha – onde teremos de adicionar todos aqueles que se relacionam indirectamente com o agregado familiar – é composta por quantas pessoas?

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Madrid é Espanha. A Comunidade Autónoma tem quase 6,7 milhões de habitantes, 14% da população do País. Tem o aeroporto com mais movimento da Europa. Na cidade estão sediadas 75% das maiores empresas, mesmo as que têm os sectores produtivos em outras regiões. Os últimos dados referem 835.901 contagiados em Espanha, mas a comunidade médica avança com a possibilidade de 2,5 milhões de residentes no País se encontrarem contagiados.

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Já nos maiores meios urbanos, as medidas de controlo estão dificultadas. Vejamos a Comunidade Autónoma de Madrid:

  • 179 Municípios (assinale-se que não existe a figura administrativa de Freguesia);
  • População total é de 6.685.471 residentes segundo os censos do final de 2019;
  • Na Área Metropolitana residem 5.012.504 cidadãos;
  • 3.266.126 São os habitantes da cidade de Madrid propriamente dita.

A Comunidade Autónoma de Madrid representa 14% da população do Reino de Espanha que é de 47,5 milhões de cidadãos. Madrid é Espanha! É um facto indiscutível: O seu aeroporto – Adolfo Suárez, Barajas – é o quarto maior da Europa, tem 4 terminais e em 2019 ficou entre os primeiros registando um total de 61,7 milhões de movimentos; é a região com mais transferências (ou movimentos) comunitários e intracomunitários; é onde se encontram as sedes de 75% das maiores empresas que têm operações no País, tanto do ponto de vista da indústria como do comércio e serviços; é a sede do governo e onde se encontra a chefia do Estado; também os serviços das administrações centrais; as maiores infraestruturas sanitárias.

Ainda assim é falso que seja a comunidade com maior número de contágios nas duas últimas semanas. O recorde vai para Navarra. Contudo, são indesmentíveis as falhas no controlo da pandemia e do crescente número de contágios desta segunda vaga, o que, salvo raras excepções, não deixa de ser comum à maioria do território nacional, apesar dos comandos separados e regras ligeiramente distintas das “conselharias” de saúde de cada Comunidade Autónoma sobre estas questões sanitárias.

Maiores preocupações: A falta de controlo generalizada nos aeroportos dos passageiros que entram no País, principalmente dos cidadãos comunitários, mantém-se apreciável falta de investimento em meios de prevenção e sentido de precaução no que respeita à mobilidade entre regiões do país e entre Estados. É insuficiente tirar a temperatura, obrigar ao preenchimento de um questionário e avaliar os passageiros a ‘olho nu’. A União Europeia não acorda com medidas mais rigorosas nas partidas e chegadas aos aeroportos. Mas tal como sucedeu com o uso das máscaras – que passaram a ser imprescindíveis e obrigatórias de um dia para o outro para a maioria dos governos dos Estados Membros -, chegará o dia em que se investirá nos testes PCR ou antígenos, para todos os passageiros.

Não se corrigem os erros do passado e fazem-se afirmações erróneas. Analisamos o caso espanhol. Antes é determinante esclarecer que as estatísticas valem umas vezes mais outras menos. A pandemia faz-nos interpretar os números de diversos modos. Mas há verdades inquestionáveis: Os países mais afectados pelo coronavírus são a Bélgica, Luxemburgo, San Marino e Espanha. Seguem-se o Reino Unido (o mais transparente na divulgação dos números a seguir aos nórdicos), França e Alemanha.

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Espanha é dos poucos países europeus onde a liberdade de entrar no país é quase total. Nos aeroportos não há controlo sanitário para os cidadãos comunitários. Nas Canárias, empresários e trabalhadores do turismo exigem medidas de segurança e saúde públicas para quem chega.

Reputação é sinónimo de futuro. O sector representa 30% do PIB das ilhas.

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Destes, a Espanha foi quem maiores medidas restritivas implementou: Viveram-se 80 dias em Estado de Alarma com confinamento quase absoluto. Foram quarentenas atrás de quarentenas e uma população privada de muitos dos direitos fundamentais. No arquipélago das Canárias contaram-se 100 dias isolados do Mundo, apesar do baixo número de infectados, hospitalizados e falecidos. Estranhamente as Canárias fizeram parte do Mundo seguro durante o pico da primeira vaga da pandemia; no Verão passaram a área insegura e agora já voltaram a entrar na lista dos afortunados. Nos próximos sete dias vão chegar quase 24.000 alemães, numa operação da ‘Tui’ (que noticia um total de 40.000 turistas daquele país da Europa Central) que inauguram a época alta. Mas não há bela sem senão: O Círculo de Empresários do Sul de Tenerife (CEST) e o Fórum de Amigos do Sul de Tenerife (FAST) realizou uma marcha com centenas de veículos que pretendeu sensibilizar políticos e a sociedade para que se realizem testes nas infraestruturas aeroportuárias e portuárias das Canárias que permitam detectar passageiros contagiados e assintomáticos com o intuito de proteger a população residente e a credibilidade do sector turístico reconhecido mundialmente como entre os mais seguros. Naturalmente que todos os turistas são bem-vindos num momento social e económico desesperante nas ilhas, mas não podem ser eles os maiores contribuintes para outro confinamento global das Canárias que perspectivaria uma crise socioeconómica sem precedentes.

O encerramento cine-die das centenas de unidades hoteleiras, da grande parte da restauração e do comércio em geral seria o afundar do porta-aviões; um tiro em cada pé, nos alicerces de uma indústria de qualidade e segura que levou décadas a construir e a acreditar no mercado mundial do turismo que – recordam-se – vale 30% do PIB e 40% da empregabilidade nas ilhas, isto sem contemplar o tecido produtivo paralelo, também ele alimentado em percentagem determinante pelo sector do turismo.

É absolutamente angustiante ver uma manchete no diário mais lido no arquipélago que noticia a urgência de criar 25.000 postos de trabalho apenas na cidade de Santa Cruz de Tenerife, um município com 205.000 habitantes. Cerca de 57% da população activa das ilhas não trabalha: Ou se encontram no regime de eRTE (contrato de trabalho suspenso, a receber 70% do salário), no desemprego, apoiada por subsídios municipais ou sem qualquer remuneração, estes a socorrerem-se do trabalho submergido. No meio de tudo isto existem milhares a aguardar o cumprimento das subvenções que lhes foram aprovadas mas ainda não pagas.

Os números ao nível nacional são impressionantes: 700.000 na condição de eRTE, sendo que destes 100 mil ainda aguardam as prestações desde Março ou Abril; 900 mil pedidos de Renda Mínima Vital, dos quais já foram aprovadas 360 mil candidaturas, mas apenas cerca de 89.000 se encontram a receber; 3 milhões de desempregados. Deviam-se acrescentar a estes números os trabalhadores autónomos que se encontram parados e que vão desde os proprietários e accionistas das pequenas e médias empresas a trabalhadores por conta própria. Presentemente encontram-se a trabalhar 18,6 milhões de cidadãos, num País com 47,5 milhões de habitantes.

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Espanha fez parte da lista dos países que impôs restrições mais duras. Mas o governo, socialista coligado com os sociais comunistas, errou ao decidir-se pelo Estado de Alarme tarde e pelo fim do confinamento cedo demais, permitindo o relaxamento desaconselhável, abrindo uma janela de oportunidade aos movimentos entre comunidades, assinalando um revés na evolução positiva da pandemia.

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Voltando atrás, não será menos verdade que apesar de Espanha ter sido quem impôs normas mais duras, foi o País que o fez mais tarde, bem como o que desconfinou mais cedo. O governo fê-lo bem do ponto de vista estratégico: Desconfinamento assimétrico, mas depois passou a responsabilidade para os governos das Comunidades Autónomas e, em simultâneo apelou ao “faça férias cá dentro” para ajudar à recuperação. Aconteceu o pior: Relaxamento social e socialização da comunidade em geral, bem ao gosto da maioria dos espanhóis que adoram a rua, as festas, comer ou tomar café numa terraza (esplanada) … Propensos a aglomerações. As limitações de reunião e os afastamentos nos espaços públicos passaram a cumprir-se menos. O governo foi de férias. Só o Chefe de Estado, o Rei Filipe VI ficou a trabalhar. As polícias baixaram a guarda – muitos entraram em férias – e médicos, enfermeiros e auxiliares descomprimiram de trabalho extenuante de três meses e meio terríveis e puderam voltar a reviver o ambiente familiar.

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Canárias encerram os números mais baixos de contagiados, ingressados em unidades hospitalares e mortos entre as Comunidades Autónomas de Espanha. Mantêm-se entre os lugares mais seguros do planeta relativamente à pandemia. Entre uma população de 2,2 milhões de habitantes, registaram-se até agora um total de 14.464 contágios, 240 falecidose 7.417 curados. Encontram-se activos 6.807 cidadãos. Presentemente há 278 hospitalizados, 64 dos quais em UCI. Há casos diagnosticados em 63 dos 88 municípios.

Mundo Vazio

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Reuniram-se as condições para despertar o vírus que esteve adormecido uns escassos trinta dias. Nem o calor lhe fez frente. Também os UV’s (ultravioletas) andaram sempre baixos. Infelizmente, não foram suficientes para proporcionar o efeito anti bactericida e antiviral, propriedades que se lhe reconhecem.

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Temos um Ocidente de gente mimada; existencialista no lado mais negro; de militantes de ideais que se acomodam em casa dos seus pais aos 30, 35 e 40 anos de idade, partilhando amores em separado e filhos sem tecto ou um lar digno desse nome. É um Mundo de tolos que nem a comunidade hippie dos ‘Anos 60’ consegue compreender. Saudamos um paradigma em que as cores do arco-íris servem uma nova classe político-sexual agnóstica que se assume como uma nova Moda e Ordem Mundial, uma minoria que corre contra tudo e todos.

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Novo parêntesis para dar espaço à opinião pessoal: Dramático, a falta de valores cívicos e educação, essa que jamais serão as escolas a dar, antes as famílias. Hoje, temos um Ocidente (no hemisfério Norte, pois claro) de gente mimada; existencialista no lado mais negro; de militantes de ideais que se acomodam em casa dos seus pais aos 30, 35 e 40 anos de idade, partilhando amores em separado e filhos sem tecto ou um lar digno desse nome. Vivemos num Mundo de tolos que nem a comunidade hippie dos ‘Anos 60’ consegue compreender. Saudamos um paradigma em que as cores do arco-íris servem uma nova classe político-sexual agnóstica que se assume como uma nova Moda e Ordem Mundial, uma minoria que corre contra tudo e todos, julgando-se a maioria de todos nós. Atravessamos um período de fatalidade e creio – infelizmente – que a humanidade está há demasiado sem enfrentar uma verdadeira crise global, seja ela feita com ou sem armas. É lamentável que assim seja.

A nova geração de líderes políticos – distantes dos atributos de Estadistas – não vislumbra que se abre espaço a novos candidatos a Donos do Mundo, perigosos cidadãos, novos-ricos, dispostos a financiar uma indústria tecnológica sem regras e ética, fora do controlo. Por enquanto salva-se a outra face da moeda que resiste à intempérie, os que verdadeiramente dominam a sabedoria, estudam permanentemente, têm dinheiro, são guardiões das maiores preciosidades, da história e fazem questão de acrescentar valor às economias dos países onde investem, mesmo que lá não vivam. A comunidade internacional judaica e judaico-cristã. São conscientes que vivemos um momento em que faz todo o sentido revermos e contarmos aos nossos a história da cigarra e da formiguinha. Conhecem as adversidades e os inimigos que têm do Oriente ao Ocidente e de Norte a Sul do planeta.

Voltaremos aqui para abordar os novos contágios, as vacinas e o futuro que nos pretendem impor.

por José Maria Pignatelli

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