Histórias d’África – Sim, Sr. Nadal. Sua Majestade em Roland Garros

Não é uma questão de “espanholismo” – que se comemora hoje -, tão pouco de facciosismo por um cidadão do Mundo que se tornou indubitavelmente num dos reis de um desporto universal, mas praticado individualmente ou em pares, sem a evidência de clubes associados. Também me distancio das grandes marcas associadas a multinacionais de vestuário desportivo (que todos nós nos fazemos de esquecidos de onde são fabricadas e com que mão-de-obra), automóveis ou a instituições bancárias que patrocinam a modalidade com milhares de milhões.

É uma questão de fazer jus a um personagem que é apaixonado pelo que faz profissionalmente, que não enjeita as adversidades da vida e que – apesar dos prémios pecuniários colossais que aufere – aposta nas suas convicções pessoais, tem a honradez de aplaudir e agradecer publicamente quem o ajuda, a família e os seus treinadores, respeitar os seus patrocinadores e chorar pela sua Pátria, Espanha, em pleno court’, lembrando-se dos seus semelhantes que mais dificuldades têm em tempos de crise. Ontem, 11 de Outubro, ele foi o verdadeiro El Toro de Manacor… A localidade de Maiorca onde nasceu (a 3 de Junho de 1986) e vive. Para o Mundo do ténis e para milhões fãs, Rafael Nadal foi o verdeiro gladiador de Paris… Sua Majestade de Roland-Garros, de uma Paris meio deserta, assustada com a notícia de última hora que indicava 27.000 novos contagiados pelo coronavírus.

_____________________________________________________________________________

Um atleta singular, dos melhores do planeta entre todas as modalidades físicas. Geriu de modo extraordinário o jogo e principalmente a sua condição física. Bateu o gélido sérvio Novak Djokovic em apenas três set’s: 6-0, 6-2 e 7-5 em 2 horas e 14 minutos de jogo.

_____________________________________________________________________________

Ontem, mostrou que é um atleta singular, dos melhores do planeta entre todas as modalidades físicas. Geriu de modo extraordinário o jogo e principalmente a sua condição física, não se esquecendo nunca de que é um jogador com 34 anos: Bateu o gélido sérvio Novak Djokovic em apenas três set’s – 6-0, 6-2 e 7-5 em 2 horas e 14 minutos de jogo. O espanhol foi simplesmente demolidor: Ganhou psicologicamente nos dois primeiros set’s (6-0) e (6-2) com um jogo que o caracteriza como entre os melhores de sempre e mais inovadores no ténis praticado sobre saibro. Manteve-se sempre no fundo do court como mandam as boas regras do jogo em terra batida. Para isso obrigou Djokovic a servir-lhe o jogo que mais lhe convinha quase de bandeja, mas, em simultâneo, forçou o sérvio a movimentação insegura jamais conseguindo manter-se no final da linha de jogo (à cabeceira) … Como mandam as melhores regras do jogo sobre saibro, onde a bola anda muitas vezes mais alta provocada pelas desacelerações que o próprio piso provoca. Nadal também fez outras duas proezas: Obrigou Novak Djokovic a perder jogos por bolas fora, mesmo quando o serviço era seu; tratou de demolir psicologicamente o adversário nos dois primeiros ‘set’s’, para depois gerir a sua capacidade física no terceiro, reconhecendo a necessidade de o transformar no último do jogo (os jogos do Roland Garros pode ser jogados à melhor de 5 ‘set’s’) de um torneio que prima pela ausência de tie-break precisamente no último set. Rafael Nadal como todos os adeptos do ténis sabem o que isto significa: as partidas podem ter duração de várias horas com resultados muito elevados (…) basta recordar o jogo de 2004 (a 25 de Maio) entre os franceses Fabrice Santoro e Arnaud Clément, que teve um resultado de 16-14 no 5º set e num jogo que durou 6 horas e 22 minutos.

O tenista espanhol foi exímio só se deixando abater em escassos 3 minutos do terceiro ‘set’ ou por quebra física momentânea ou num engodo subtil… Certo é que Sua Majestade Rafael Nadal acabou por ressuscitar e em apenas 4 minutos arrumou a partida. Fixou o seu palmarés nuns impressionantes 20 triunfos em torneios do Grand Slam – constituído pelos Open da Austrália, o Torneio de Wimbledon (Open de Inglaterra) e o Open dos Estados Unidos -, igualando o suíço Roger Federer. Mais impressionante é que o campeão espanhol conquistou 10 títulos do Grand Slam em outros tantos anos, 10.

_____________________________________________________________________________

Nadal completou de três marcas históricas: 13 títulos de Roland Garros, 20 ‘Grand Slam’ e 100 vitórias nos courts de Bois de Boulogne. Uma medalha de ouro nas Olimpíadas de Pequim, em 2008 e conquistou 96 títulos nível ATP. Chamam-lhe o “Rei do Saibro” por ser o melhor jogador da história na terra batida, suplantando Björn Borg.

_____________________________________________________________________________

Nadal completou de três marcas históricas: 13 títulos de Roland Garros, 20 ‘Grand Slam’ e 100 vitórias nos courts de Bois de Boulogne. Uma medalha de ouro nas Olimpíadas de Pequim, em 2008 e conquistou 96 títulos nível ATP, 85 singulares e 11 em duplas. Ontem arrecadou mais de 19,9 milhões de euros (19.998.610€) do total de prémios deste ano que foi de 38 milhões de euros. Chamam-lhe o “Rei do Saibro” por ser considerado o melhor jogador da história nesta superfície, suplantando o também extraordinário sueco Björn Borg.

Rafael Nadal Parera (Rafa Nadal), aos 34 anos, triunfou pela décima-terceira vez em Roland-Garros – O “Open de França”, um dos quatro torneios do “Grand Slam” e que se disputa desde 1891 – tornou-se no maior vencedor da história da competição, à frente de Max Decugis com oito títulos, entre 1903 e 1914, e do sueco Björn Borg (seis títulos). O tenista espanhol é ainda detentor do recorde de títulos consecutivos: 5 conquistas entre 2010 e 2014, e a maior série invicta, com 39 vitórias entre 2010 e 2015.

Já Djokovic perdeu Roland-Garros pela terceira vez (2012, 2014 e agora 2020). O sérvio já tinha sofrido uma quarta derrota em 2015, em partida com o suíço Stanislas (Stan) Wawrinka. Na terra batida de Paris, Djokovic só triunfou uma única vez, em 2016, diante do británico Andy Murray.

Mais uma referência para um insólito revelador de ausência de fair-play: Os fãs e familiares de Novak Djokovic nunca aplaudiram Nadal, nem mesmo durante os dois discursos finais quando o espanhol saudou Djokovic, a sua família, a sua equipa técnica e umas centenas de sérvios que estiveram nas bancadas do court central. Às boas maneiras de Nadal, a comitiva sérvia repetia velhos gestos que nos recordam mais os tempos da União Soviética que da própria Jugoslávia do Marechal Tito de onde ressurgiu a Sérvia enquanto país recente após a guerra dos Balcãs. – por José Maria Pignatelli

Wordpress Social Share Plugin powered by Ultimatelysocial
RSS
Facebook
Twitter
YouTube