Histórias d’África – Inaceitável: Governo das Canárias não cumpre. Não se fazem testes no aeroporto de Tenerife Sul:

Canárias: Como se poderá considerar um destino seguro?

É inadmissível que não se invistam duas ou mesmo três dezenas de milhões de euros em testes anti SARS CoV-2 à chegada dos aeroportos para manter o arquipélago das Canárias como local e destino seguro para o turismo agora que estamos em época alta. Isto é: Por um lado garantir um pequeno balão de oxigénio à indústria do turismo e ao comércio de retalho, os sectores determinantes da vida social e económica das ilhas, e que tão atingidos foram durante a primeira vaga da pandemia com 100 dias de isolamento do Mundo. Injustificadamente (?), as Canárias encontram-se entre os territórios que mais tempo estiveram confinados a Ocidente. Apenas ultrapassados pela Nova Zelândia, Uruguai e algumas ilhas da Polinésia francesa que ainda se mantêm isoladas à data.

Aeroporto – Pista

Aeroporto Sul de Tenerife, Canárias, sábado: Chegaram 8 voos a partir das 18:30 e num curto espaço de tempo. Fez-me lembrar tempos de normalidade. Mas só possível porque foram garantidos voos directos e testes anti-Covid à chegada.

Um redondo engano: Não foram realizados nenhuns testes PCR ou antígenos, tal como prometido pelo governo das Canárias na sequência das reivindicações dos industriais hoteleiros. Pretendia-se manter o arquipélago como destino seguro, agora, que se inicia a chamada época alta.

Apresentei-me com as credenciais de jornalista e falei com cinco passageiros com origem em Liverpool, Bristol e Manchester, todos os voos da Easyjet. No essencial, todos confirmaram o mesmo: Não foram submetidos a nenhum teste PCR ou antígeno que verifique a condição de negativo ou positivo a SARS CoV-2. Pior: Um casal de septuagenários nem sequer lhes verificaram a temperatura corporal, o que em boa verdade é muito pouco relevante.

Denominadores comuns: Perguntaram de onde vinham e qual o destino (se unidade hoteleira, casa particular ou residência própria), um número de contacto telefónico (móvel de preferência) e com quantas pessoas supunham poder estar em contacto nas próximas horas. Tal qual sucedeu com os passageiros que vieram de Bologna – também em voo directo – na passda quinta-feira, 29 de Outubro.

Um dos cidadãos de origem dinamarquesa, com residência em Manchester e em Tenerife perplexo foi peremptório: ”Permita-me que lhe pergunte: perante estas condições, arrisca afirmar que Tenerife é um destino seguro?”. E manifestou dúvidas quanto à possibilidade dos turistas serem submetidos a testes à entrada nos hotéis, adiantando que “isso pouco serve, pois já mantiveram contactos no território e veja como os autocarros vão cheios para Los Cristianos e Las Américas”… São dois destinos turísticos que reúnem a maioria dos maiores hotéis do Sul da ilha.

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Promete manter um arquipélago seguro e descansa-se os hoteleiros. E depois não se cumpre: Quais testes PCR ou antígenos nos aeroportos à chegada e à partida. Nada ou quase nada se faz, pelo menos desde quinta-feira no Aeroporto Sul de Tenerife. É uma fatalidade.

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Da Easyjet chegaram voos seguidos de Liverpool, Manchester e Bristol; da companhia Wizz, aterraram voos procedentes de Milão e Viena de Áustria; um dos três voos da Ryanair era procedente de Santiago de Compostela, uma cidade com municípios confinados perimetral mente. Pelo meio aterraram dois voos regionais procedentes de Las Palmas, Gan Canaria.

Aeroporto – Terminal

Querem melhor exemplo do que é dado pelo governo das Canárias? Promete manter um arquipélago seguro e descansa-se os hoteleiros. E depois não se cumpre: Quais testes PCR ou antígenos nos aeroportos à chegada e à partida. Nada ou quase nada se faz, pelo menos desde quinta-feira no Aeroporto Sul de Tenerife. É uma fatalidade. Nas Canárias o confinamento significará sempre isolamento do exterior. Não é que isso me incomode particularmente, mas assusta-me pensar na quantidade de famílias que voltam a não ter nada que fazer; a não ter ingressos, a não saber como vão pagar as contas no final do mês e, principalmente como darão de comer aos seus filhos. Afinal, Canárias não serão um destino seguro dentro de dias. Jamais saberemos em que condições nos chegam os turistas europeus, ingleses, alemães e franceses. Nem tão pouco os conseguiremos rastrear em caso de aumento de contágios.

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Canarias, a 1 de Novembro, mantinha 5.865 casos de coronavírus activos. Encontravam-se hospitalizados 215 cidadãos dos quais 39 em UCI. Casos positivos estão dispersados por 61 dos 88 municípios do arquipélago, porventura a maior preocupação. A incidência acumulada na última semana é muito baixa, de 32,6 casos por 100.000 habitantes. O arquipélago mantém-se território seguro, como sempre foi. Lamentável que não haja controlo sanitário nas entradas das ilhas. A estratégia de voos directos é medida ineficaz.

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A 1 de Novembro, as Canarias mantinham 5.865 casos de coronavírus activos. Encontravam-se hospitalizados 215 cidadãos, sendo que 39 em unidades de cuidados intensivos. De acordo com as estatísticas divulgadas pela Conselheira de Saúde do governo da Comunidade Autonómica, os casos positivos estão dispersados por 61 dos 88 municípios do arquipélago. E esta poderá ser a maior preocupação que não o número de ocorrências efectivas. Vejamos: A incidência acumulada na última semana é de 32,6 casos por 100.000 habitantes, sendo que nos anteriores 14 dias era de 74,39 infectados, ou seja regista-se uma redução acentuada de contágios. O arquipélago mantém-se território seguro, como sempre foi, num registo de muito baixa incidência continuada, sem sequer se poder afirmar que está em estágio de segunda vaga, mesmo perto disso suceder.

Portanto, é lamentável que não haja controlo sanitário nas entradas das ilhas. A estratégia de voos directos está longe de ser uma medida eficaz contra a proliferação da pandemia, sabendo-se que a maioria dos passageiros que chegam são originários de países de alto risco, como o Reino Unido, Alemanha, Bélgica, França e da Espanha continental que só neste último fim-de-semana recenseou 55.000 novos contagiados.

Devo recordar a singularidade da governança administrativa das Canárias, incompreensível para milhares de residentes: Um governo autonómico a servir de chapéu a outros dois governos, do Cabildo de Tenerife (que inclui as ilhas de La Gomera, La Palma e Hierro), enquanto o governo da Gran Canária é responsável pelas ilhas da Graciosa, Lanzarote e Fuerteventura, sendo que a pequeníssima ilha do Lobos, desabitada, também lhe pertence. Debaixo desta estrutura administrativa encontramos 88 municípios (…) mas deve-se considerar a inexistência da figura ‘Freguesia’.

Ainda assim, para se perceber a dimensão do Reino de Espanha e, porventura, a inadequada administração sócio-política do território dividido em 17 comunidades autonómicas mais as cidades de Ceuta e Melilla, re3gistam-se quase meio milhão de cargos políticos eleitos, sendo certo que nem todos são assalariados e que em municípios mais pequenos os detentores dos cargos públicos são voluntários na sua maioria.

por José Maria Pignatelli

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