Colunista, Odivelas

Odivelas | MARCO GEODÉSICO, SÓ EM FAMÕES …ÚNICO

Mais uma vez, neste espaço, assinalo algumas peculiaridades que existem no Município de Odivelas, e/ou no Concelho de Odivelas, concretamente na localidade de Famões, sendo únicas, são importantes.

Quem já não ouviu falar do centro de Portugal (na sua forma simplificada) e não se deslocou ao Concelho de Vila de Rei, Distrito de Castelo Branco, a fim de apreciar o centro geodésico de Portugal, com uma altura de 20 metros (a que se chama pinoco e/ou picoto; talefe e/ou talegre; e/ou ainda bolombreano), aí recolhendo um certificado atestando a sua presença?

É naturalmente um ponto de interesse turístico importante.

Em Portugal existem cerca de 9.000 marcos geodésicos (também conhecidos por vértices geodésicos), e no território do Concelho de Odivelas, só existe 1, e encontra-se em Famões, mais concretamente no Casal do Bispo, fazendo dele o ponto mais elevado do concelho de Odivelas, de onde, em condições atmosféricas ideais, se pode avistar sem dificuldade a cidade de Lisboa, a margem sul até ao cabo espichel, e a serra de Sintra, e ainda o Tejo, e lezírias de Vila Franca de Xira.

A Lei impõe uma zona de protecção, ao redor do marco, de pelo menos 15 metros, o que explica a área livre que circunda o marco geodésico de Famões, e a existir algum tipo de licenciamento para ocupação espacial, tem de ser previamente autorizado pelo Instituto Português de Cadastro e Cartografia.

Tem cerca de 10 metros de altura, e relativamente á sua altura inicial, já teve de ser elevado, fruto das construções habitacionais circundantes resultante da “explosão” dos bairros de génese ilegal da década de 70 e 80 do século passado.

Em Portugal a categorização destes marcos, normalmente construídos em betão, é feita em vértices de 1ª ordem, em estruturas físicas em forma de pirâmides quadrangulares encimado por ponta piramidal, distando entre si de 30 a 60 Km, ou uma estrutura cilíndrica, listada, sobre uma base quadrangular, encimada por um cone, listado, e depois temos os de 2ª ordem, que são estruturas cilíndricas encimadas por um cone, ambos listados, distando entre si de 20 a 30Km, e as de 3ª ordem, semelhantes, ás de 2ª ordem, mas de tamanho menor que as de 2ª ordem, listados, distando entre si de 5 a 10Km, e é a que existe em Famões.

A valorização do espaço envolvente ao marco geodésico foi já objecto de uma proposta, em sede de Orçamento Participativo do Município de Odivelas, em 2019, de autoria de Corália Rodrigues, ex-presidente da Junta de Freguesia, e outros, como proponente, envolvendo verbas na ordem dos 65.000 euros, havendo ainda noticia, que já anteriormente haveria intenções da então Freguesia de Famões em ali promover arranjos paisagísticos, incluindo miradouro, ao nível do “talefe”, remontando inclusivamente aos primeiros tempos da criação desta freguesia em 1989.

Posso de resto dar testemunho, na primeira pessoa sobre os “critérios” que presidiram á delimitação de fronteiras, aquando da criação da Freguesia de Famões em 1989, na medida em que tendo o meu pai integrado a comissão instaladora, tive o privilégio de “acompanhar” os trabalhos da dita comissão, como “observador”, condição informal, que assumi noutras matérias, como membro da Associação de Proprietários do Bairro Novo do Trigache, mas de que falarei em ulteriores artigos.

Pode-se dizer, sem muito desacerto, que a comissão instaladora da extinta Freguesia de Famões, nos trabalhos havidos com a então Freguesia de Caneças, debruçava-se sobre o mapa que dividia as freguesias de Odivelas e Caneças, e para traçar os limites da freguesia de Famões, começava-se sempre pelo “enorme” Bairro do Casal Novo com cerca de 1000 lotes de terreno, e era consensual que devia ser divido, para metade ficar em Caneças e a outra metade em Famões.

Risco acima, risco abaixo, havia um ponto de referência que Caneças insistia em ter do seu lado – as Antas das Pedras Grandes, e até se cingiam argumentos como “vocês, em Famões, até ficam com o marco geodésico” … foi a primeira vez que ouvi falar nele, confesso.

Dito e feito, chegou-se então a acordo e o bairro do Casal Novo ficou com 600 lotes na freguesia de Caneças, incluindo as Antas, e com 400 lotes em Famões.

No primeiro mandato da Freguesia de Famões que se iniciou com a tomada de posse dos primeiros eleitos, nos quais me incluía, em 1990, o marco geodésico do Casal do Bispo, haveria de estar presente em várias conversas no executivo, e na assembleia de freguesia, mas não lhe era atribuída a real importância que efectivamente hoje se lhe reconhece, e, recordo bem, no topo das prioridades do Bairro do Casal do Bispo, para além da legalização do bairro, tema comum a todos os bairros na mesma situação, era fundamentalmente a quase total ausência de transportes públicos.

Não tenho a menor dúvida que se o marco geodésico do Casal do Bispo, fosse mais divulgado, não só pela sua importância técnica mas também turística, e dotado de um miradouro apetrechado de óculos telescópicos, seriam uma mais valia, para o bairro do Casal do Bispo, para a localidade de Famões, para a Freguesia da União de Freguesias Pontinha e Famões, e por último para o Concelho de Odivelas. Fica a sugestão.

Oliveira Dias
Politólogo

(Publicado no Semanário NoticiasLX de 18/Junho/2022)