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Sexta-feira, Dezembro 9, 2022
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Os fascistas imaginários e outros delírios bafientos!

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Caros leitores, nestes tempos conturbados não sei se tiveram a oportunidade de tropeçar na página do Facebook do vereador sem pelouros do Partido Comunista Português (PCP) em Odivelas, Paínho Ferreira, essa rede social fruto da doutrina comunista que tanto defende. Assim, se tiveram a infelicidade de visitar o seu perfil, podem contemplar uma vastíssima prosa grosseira contra determinados comentadores de política, com espaço nos media nacionais. E qual o fio condutor deste rejubilo grotesco? A guerra na Ucrânia, lá está!

Transcrevo aqui uma das prosas de elevada eloquência, ao nivel de um Alexander Pushkin; “Milhazes e Rogeiro: 2 patetas! Milhazes um anti-comunista primário! Palerma! Vendido! Engole a festa do Avante e cala-te! Nojento!”.

Uma das características mais marcantes do PCP é a uniformidade na mensagem passada para fora, logo o seu representante local em Odivelas não difere da cassete oficial: se tem lógica ou é baseada em factos, é irrelevante, o importante é o slogan ser debitado. Serão estas e outras mensagens aceitáveis num Portugal democrático em pleno Século XXI? Caberá aos eleitores decidirem, cabendo também aos media e defensores da democracia apontar qualquer idiossincracia do PCP e a sua inerente dificuldade em defender valores democráticos e democracias.

Relativamente à Ucrânia, com uma das maiores comunidades imigrantes em Portugal e da qual uma parte significativa reside em Odivelas, tive o prazer de visitar esse país duas vezes.

A primeira vez, em 2009, passei uma semana em Kyiv (de notar que não utilizei a russificação Kiev), essa grande metrópole com cerca de 3 milhões de habitantes, onde constatei o mesmo que vivenciei em países ex-satélites soviéticos: uma juventude que apesar de não falar inglês tinha uma curiosidade tremenda por tudo o que é ocidental; e uma idolotração por valores europeus como a democracia, a meritocracia e a transparência. Muitos sabiam através das experiências dos pais a miséria que o projeto comunista acarretara: burocracia, racionamento e corrupção. Mas já estavam imunes à propaganda de Leste e não chegava os politicos dizerem que “somos os melhores e os outros seguramente piores” para justificar misérias objetivas (qualquer semelhança com outras geografias e realidades politicas é pura coincidência). A exposição às redes sociais e conteúdos online, veio desmascarar a propaganda, daí o modus operandi de qualquer candidato a autocrata, que visa sempre controlar os media e o acesso à internet.

Regressei à Ucrânia em 2013, desta vez à cidade ocidental de Lviv, e encontrei o mesmo fulgor jovem a que assistira 4 anos antes, em Kyiv.Talvez ainda mais fervoroso, já a antecipar o ponto de ebulição com a revolução da dignidade em 2014, em Kyiv, que veio a afastar o presidente fantoche pró-russo, Viktor Ianukovytch, que atualmente vive exilado na Rússia, após 93 dias de intensos protestos concentrados na Praça da Independência.

Certamente que a União Europeia (UE) iria beneficiar enormemente com um futuro ingresso da Ucrânia, país com o principal recurso para fazer crescer um país: uma população jovem, bem formada e com vontade de vencer na vida.

Será esta negação geracional, entre seguir o dogma bafiento do passado ou a procura em pertencer a uma UE, tão criticada por alguns mas que traduz o espaço onde se expressam livremente as ideias, a verdadeira causa da visão destorcida da guerra, pelo PCP?

Poderá explicar alguma coisa, mas a propaganda comunista não aceita que aqueles a quem  a sua ideologia foi imposta não a queiram mais e, voluntariamente, se afastem dela. Façam a experiência de conversar com qualquer europeu do centro ou do leste e digam que o PCP ainda tem uma expressão de minoria em Portugal e vejam a reação dos mesmos… provalvelmente perguntarão se os portugueses têm alguma memória histórica ou um conhecimento mínimo de economia!

Um dos argumentos apontados para a tomada de posição do PCP é o facto de a Ucrânia, de alguma forma, ser um estado fascista. Este é o argumento favorito de Putin, que governa autocraticamente desde 2000, tem sonhos de uma Rússia imperial, mas não é fascista, apenas porque o PCP decidiu que não o é, talvez fruto de alguma pressuposta dívida moral para com a ex-União Soviética.

Ora, para o PCP, é estranho um país ser invadido por outro em 2014 e desenvolver como reação algumas franjas  na sociedade de carácter nacionalista, circunstância que parece óbvia e, provavelmente, comum a qualquer país invadido. Segundo os resultados eleitorais na Ucrânia, os movimentos de extrema direita obtêm cerca de 3% da votação nas eleições  nacionais, o que no atual contexto da UE até compara bastante bem com outros países menos “fascistas”.

A História e os eleitores tratarão de julgar as incongruências do PCP e, quanto à Ucrânia, certamente sairá vencedora da invasão Russa. Aliás, ao resistir à imposição de vontades alheias, já venceu! Glória à Ucrânia! Glória aos heróis!

– Ricardo Helena

Iniciativa Liberal de Odivelas

(publicado no Semanário NoticiasLx de 24/Setembro de 2022)

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