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    BRASIL VS OPINIÁTICOS

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    Confesso que me diverte ver os “gurus” da opinião publicada, em qualquer suporte de comunicação, em especial os “especialistas” que as TV’s chamam á écran, dando-lhes “antena”, para pseudo-análises, sobre tudo e um par de botas.

    As recentes eleições brasileiras demonstraram o nível de incompetência que grassa no nosso meio comunicacional, onde os pseudo-analistas vaticinaram a gloriosa vitória de Lula da Silva, e da estrondosa derrota de Jair Bolsonaro, tudo logo na primeira volta (primeiro turno no Brasil) … pois bem falharam TODOS redondamente, de resto na esteira do que aconteceu com TODAS as sondagens (pesquisas no Brasil).

    Confesso que esperava por este desfecho, depois de, por entre outros factos, ver uma entrevista numa rádio brasileira, daquelas que passam no youtube, onde um assessor de Bolsonaro explicava porque razão as sondagens iriam falhar: segundo ele as “pesquisas” levavam em linha de conta apenas cidadãos de grandes urbes, e segundo ele, Bolsonaro, tinha o hábito, quando se deslocava de avião por todo o Brasil, de decidir fazer paragem em povoações do interior, fazendo questão de percorrer as ruas, falar com toda a gente, desde comerciantes a transeuntes de ocasião, provocando o espanto, pois para aquela gente era a primeira vez que viam um Presidente em carne e osso. Isso faria a diferença. Isso não era captado pelas pesquizas … . Provou-se que o homem tinha razão.

    Outro erro crasso, foi a decisão de Lula em não comparecer ao penúltimo debate, onde foi o único ausente. Foi penalizado. Todos os candidatos presentes verberaram sobre a atitude e a arrogância de tal ausência, como que dando a eleição como assegurada.

    A julgar pelo que disseram os seus adversários naquele penúltimo debate, dificilmente algum deles aconselharia o voto em Lula, que, sabemos agora, “apenas” precisa de 5% dos votos para garantir a eleição.

    Simone Tebet, logrou um terceiro lugar, foi a que mais bateu em Lula, por causa da corrupção, chamando-lhe “chefe de quadrilha” e de “facção”, já Ciro Gomes, um antigo ministro do governo de Lula, quedou-se pelo quarto lugar, não sem antes apodar Lula com “mimos” como, “ladrão”, “corrupto”, “corruptor”, juntos somaram cerca de oito milhões de votos.

    Ora a surpresa, agora, é que exactamente Simone Tebet e Ciro Gomes, anunciaram já publicamente o seu apoio a Lula.

    Em contra-ponto Bolsonaro consegue apoios importantíssimos, desde logo o do Governador recém eleito de Minas Gerais, Romeu Zema, o estado que juntamente com São Paulo e Rio de Janeiro, são os círculos eleitorais mais importantes, do Brasil, e que agora apoiam Bolsonaro, e isso é tanto mais importante quando se sabe que foi o PT o partido mais votado em Minas Gerais (o que de resto já está a levantar dúvidas sobre os logaritmos).

    O partido de Bolsonaro obteve 99 deputados no congresso, fazendo dele o maior partido naquele órgão legislativo, e 14 senadores, dando a maioria a Bolsonaro neste órgão legislativo também.

    Falamos de 14 estados para Lula, com um total de 57 milhões de votantes (48%), e de 14 estados para Bolsonaro (13 estados + o distrito federal que conta como estado também, á semelhança do que acontece nos EUA), com um total de 51 milhões de votantes (43%). Separa-os então 6 milhões de votos mais 1.

    Estive no Brasil, a convite de um deputado estadual do PMDB, do Rio Grande do Sul em 1997, aquando as eleições municipais, e em 2000 quando pela primeira vez foi utilizado o voto electrónico em todo o Brasil. Estive lá também em 2006 integrando uma comitiva de 10% dos Presidentes de Câmara Municipal de Portugal, em missão de representação.

    Isto, obviamente, não faz de mim um especialista em assuntos políticos brasileiros, mas aportou para a minha “bagagem” pessoal um conjunto de experiências únicas.

    Para o assunto vertente trago á colação episódios que ajudam a perceber que ideologicamente, no Brasil, só o Partido dos Trabalhadores possui escora q.b., ao passo que os demais partidos praticamente não têm ideologia, quando muito são uma mescla de ideologias bastante maleáveis.

    Os meus amigos do PMDB, davam-me nota precisamente disso, e referiam-se ao PT como o “petesão” pela força ideológica que os sustentava.

    Na capital do Rui Grande do Sul, Porto Alegre, a principal rádio da cidade tem estúdios num rés do chão, cuja área tem duas frentes de rua (esquina), com as paredes em vidro, e um sistema de altifalantes, o que permite aos transeuntes não só ver, como ouvir, os convidados da rádio, normalmente políticos.

    Tive a sorte, de ser convidado, assim como um colega da universidade que me acompanhava nessas lides, o Nuno Lopes, pelo meu amigo Alexandre Postal do PMDB, que liderava a bancada do governo (PMDB), a participar num debate entre as lideranças partidárias com acento na Assembleia Legislativa, o que despertou enorme curiosidade ao público que se aglomerou nas vidraças por lhe soar tão estranho o nosso sotaque.

    Ao saberem a minha filiação ideológica, e quem me tinha convidado a estar ali, logo me fizeram imensas perguntas sobre o paralelismo ou falta dele dos partidos brasileiros e os portugueses.

    Ao tentar “colar” o PMDB a uma social democracia próxima do Partido Socialista português, o representante do PT, no final do programa, veio ter comigo desconsolado por não ter dado a importância ao PT que achava ter direito, e ali fiquei mais 20 minutos a explicar o meu ponto de vista.

    Onde quero chegar? Sendo os partidos de Simone Tebet e Ciro Gomes, ideologicamente órfãos, é óbvio que os 8 milhões de votos nos dois não têm nenhum respaldo nos partidos respectivos, mas sim no que disseram durante a campanha.

    Quando os dois vêem agora dar o dito por não dito, ou pior, quando apelam a que os seus votantes agora votem no; ladrão, corrupto, corruptor, chefe de quadrilha e facção, entra pelos olhos dentro que Tebet e Ciro se descredibilizaram, e o voto pode vir a ser direccionado no sentido oposto ao que agora recomendam. Os opiniáticos que ignoraram os sinais, e se centraram nas suas preferências pessoais, saíram, hoje e sairão, amanhã (30 de Outubro) defraudados.

    – Oliveira Dias
    Politólogo

    (publicado no Semanário NoticiasLx de 8/Outubro de 2022)

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