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    Carris Metropolitana, para quê?

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    A Área Metropolitana de Lisboa (AML), entidade intermunicipal agrega os 18 concelhos da região de Lisboa, sendo que entre outras competências é ainda a autoridade metropolitana de transportes, destacando-se assim o dossier dos grandes investimentos em matérias de transportes, sendo que para o efeito criou a empresa Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML), para melhor tutelar as redes de transportes públicos. Em 2022 deu-se o surgimento da Carris Metropolitana, como serviço único de transporte público rodoviário em todos os concelhos da região, com excepção de Lisboa, Cascais e Barreiro onde operam empresas municipais. A ideia-base e todo o investimento feito visaram fazer operar sobre a mesma “bandeira” os transportes públicos rodoviários, uniformizando a tipologia de serviço, a imagem e o desempenho. Apesar de os clientes verem uma designação (Carris Metropolitana) o facto é que a cada uma das 4 áreas criadas corresponde um operador privado a quem foi concessionada a prestação do serviço de transporte de passageiros

    Área 1: Amadora, Oeiras e Sintra, concessionada à “Viação Alvorada” (Scotturb, Vimeca e Lisboa Transportes).

    Área 2: Loures, Mafra, Odivelas e Vila Franca de Xira, concessionada à Rodoviária de Lisboa

    Área 3: Almada, Seixal e Sesimbra, concessionada à Transportes Sul do Tejo.

    Área 4: Alcochete, Moita, Montijo, Palmela e Setúbal, concessionada à espanhola Alsa Todi.

    Esta nova forma de operar iniciou em 1 de Junho de 2022, na Área 4. Um mês depois iniciou a operação na Área 3. As Áreas 1 e 2 (margem norte do Tejo), só iniciaram a sua operação em 1 de Janeiro deste ano.

    Pretendeu-se por esta via, o aumento do serviço em mais 35%, bem como a renovação da frota, sendo que do total de 1600 veículos, cerca de 1000 terão menos de um ano. A Área 2 contará com mais de 520 autocarros, o maior número de autocarros de todas as áreas. Tudo isto, num investimento ainda não consolidado de pelo menos 1,2 mil milhões de euros.

    Como se disse, no passado dia 1 de Janeiro de 2023, sete meses após o inicialmente planeado, teve inicio a operação na Área 2, a que inclui o concelho de Odivelas e à qual correspondem as linhas de autocarros cuja numeração se inicia em “2000”.

    Além da divisão da Área Metropolitana de Lisboa em 4 áreas de operação, as linhas de autocarros passaram a estar divididas por 6 designações base: Próxima, Longa, Rápida, Inter-regional, Mar e Turística.

    Porque mudaram os números das Linhas de Autocarros?

    Os novos números passaram a integrar quer a Área, quer o âmbito geográfico dos percursos. Assim:

    1. O primeiro algarismo representa a Área respetiva, de 1 a 4;
    2. O segundo algarismo representa o trajeto da linha:
      • 0 a 4: linhas que circulam apenas dentro de um único Concelho;
      • 5: linhas que circulam entre Concelhos da mesma Área;
      • 6: linhas que circulam para fora da Área, ou para o Barreiro e Cascais;
      • 7 e 8: linhas que circulam para Lisboa – aqui percebemos que para a Carris Metropolitana, a Pontinha é em Lisboa;
      • 9: linhas que circulam para fora da Área Metropolitana de Lisboa.
    3. O terceiro e o quarto algarismo representam o número da linha.

    Do ponto de vista dos ditos “Passes”, foi salvaguardada a continuidade do sistema já em uso, o “Navegante”.

    Só no concelho de Odivelas, após a conversão das carreiras antigas nas novas linhas, terão sido criadas mais 6 linhas, a saber:

    • 2204 Caneças – Famões
    • 2210 Jardim da Amoreira – Odivelas
    • 2511 Bairro dos CTT – Loures (C. Comercial)
    • 2512 Bucelas – Sr. Roubado (Metro), via Ramada
    • 2610 Odivelas (Metro) – UBBO
    • 2611 UBBO – Ramada

    Quem não esteja atento até poderia aceitar tal informação como verdadeira, todavia o que se verificou foi que algumas destas “novas linhas”, mais não são do partes de percurso de anteriores (2204, 2210, 2511), outras de utilidade duvidosa, como a linha vinda de Bucelas via Ramada e centro de Odivelas até ao Senhor Roubado. A quem servirá? Aos bucelenses? Aos odivelenses? Aos ramadenses? O facto é que nem duas linhas podemos gabar (2610 e 2611), não fossem estas vítimas de horários de circulação que nem se percebe a quem servirão. Tal como as restantes que transformam as deslocações para determinadas zonas naquilo que eram as deslocações nos anos de 1970 e 1980 para a então chamada Província.

    • Linhas com horários de hora-a-hora, ou até em períodos ainda mais espaçados, mesmo em períodos de ponta.
    • Linhas cujo serviço termina pelas 21:00 fazendo-nos recordar o quão dormitório é este território.
    • Linhas aparentes que só cumprem partes de percursos de outras.
    • Linhas que substituíram carreiras acrescendo-lhes percursos, aumentando os tempos de espera agravados pelas incidências de trajectos maiores.
    • Linhas em que os horários são meras referências mal atalhadas.

    NÃO OBRIGADO!

    Pelo que ficamos com mais uma mão cheia de poucochinho, algo a que alguns já se acostumaram. Pode, pois, afirmar-se que da Carris Metropolitana, os odivelenses ganharam autocarros amarelos e uma enorme descoordenação dos horários face às suas efectivas necessidades de mobilidade.

    Paulo Bernardo e Sousa | Politólogo

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