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    PARAFUSO E ROSCA NO JAPÃO!

    Para termos uma noção do que estamos a falar convido o leitor a imaginar todo o tipo de maquinaria japonesa presente nas nossas casas e não só, em cuja montagem o parafuso e a rosca, cujo emprego não se ficou pelas armas de fogo obviamente, são vitais, para se perceber o impacto desta tecnologia na história do Japão, país a quem se reconhece estarem na frente de todo o tipo de maquinaria, robotização, etc, tudo isso não seria simplesmente possível sem … os portugueses.

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    Uma simples, mas importante, visita de estudo na qual a minha filha mais nova, de 13  anos, participou, á fundação Oriente, através do agrupamento de escolas da António Gedeão, Odivelas, suscitando-lhe um inusitado interesse pelas matérias orientais, impulsionou este meu escrito, convencido que estou do muito daquilo que Portugal foi e fez, por este mundo fora, permanece fora dos curricula escolares, e também dos museus e afins. É uma constatação. Talvez critica também.

    Embalado com o relato entusiástico da minha filha, enquanto andávamos às compras no supermercado, perguntei-lhe onde tinha sido a visita de estudo, e à resposta de “foi na fundação Oriente”, agarrei numa embalagem de bacalhau que acabara de colocar no carrinho e exclamei “…sabias que esse edifício no tempo em que trabalhei no Porto de Lisboa, era o armazém frigorifico do bacalhau, era para onde iam todos os bacalhaus que chegavam, a Portugal…”, coincidências.

    Enfim, ali a minha filha aprendeu muitas coisas e saciou a sua curiosidade, e em complemento falei-lhe da circunstância  do salto tecnológico que o Japão deu na sua história se dever a uma tecnologia que os portugueses aportaram para lá , estendendo-se a toda a Ásia – o parafuso e a rosca, então, no século XV, desconhecidos por aquelas bandas.

    Isto, com muita pena minha, não se aprende nos bancos das escolas portuguesas, isto aprende-se com o empenho, esforço e abnegação, de portugueses com letras grandes, a quem tarda o reconhecimento pátrio, como tantas vezes sucede em Portugal, falo do Rainer Danhardt, com quem tive o privilégio de gravar programas, na saudosa TVL, que reputo de únicos, dado o interesse das matérias abordadas, em especial aquelas em que Rainer nos dá a conhecer um manancial de informação histórica que devia vingar nas nossas escolas.

    Num desses programas, gravámos “A introdução da arma de fogo pelos portugueses na Ásia” ( https://www.youtube.com/watch?v=ZRFJZLFLoRU ) onde Rainer explica dois factos que impactaram a história mundial, através da avançadíssima tecnologia subjacente: A introdução da rama de fogo pelos portugueses no Japão e na Ásia, e a tecnologia do parafuso e da rosca, que à época, em 1540, eram totalmente desconhecidos naquelas paragens.

    Muitas vezes os “entendidos”, daqueles que se esforçam por menorizar tudo quanto se deve a Portugal, invocam a autoria chinesa da invenção da pólvora, em detrimento da iniciativa portuguesa, porém esquecem-se que essa invenção chinesa teve por consequência apenas o seu uso pirotécnico, ou seja, os chineses utilizam a pólvora para fazer barulho e efeitos luminosos, mas a arma de fogo avançada, utilizada para disparar projecteis, essa deve-se mesmo aos portugueses.

    A arma de fogo, explica Rainer, surge em Nuremberga, no século XV, de forma incipiente e pouco avançada, e pela mão dos austríacos segue pela rota da seda até á Turquia, e chega à India e outras paragens asiáticas, mantendo-se até ao século XIX.

    Quando os portugueses pulverizaram a rota da seda, ao atingirem a India por mar, Vasco da Gama, nos confrontos que chegou a ter, deparou-se com esse tipo de arma.

    Porém os portugueses têm nas suas mãos um tipo muito avançado de espingarda oriunda da Boémia, chega a Lisboa, vai para Goa, onde é muito melhorada, passa a Ceilão, Bangladesh, Malaca, onde é novamente melhorada, e chega finalmente ao Japão. No século XV, o Japão era governado por inúmeras famílias de Shoguns, guerreando-se entre si, sem que se evidenciasse um poder centralizador.

    Um português, em 1540/3, ofereceu uma espingarda de mecha (arma portuguesa muito avançada para a época, sem páreo á altura) a um dos chefes militares do Japão, o Príncipe Tanegashima, nome com que foi baptizada a arma portuguesa, a partir da qual foram replicadas milhares de armas, dando uma vantagem tecnológica tão grande, porque nela se incorporava, também, a rosca e o parafuso,  que logrou derrotar todos os demais Shoguns, unificando o Japão que se tornou um País imperial, e ainda conquistaram a Coreia com essa arma.

    Esqueçam lá a história do filme protagonizado por Tom Cruise, (O último Samurai) que reescreve a história para dar os louros aos americanos.

    O salto tecnológico, devido á introdução da arma de fogo portuguesa na ásia e no Japão, foi tal que o dono da maior fábrica de parafusos do mundo, um Japonês, escreveu um livro sobre parafuso e rosca, portuguesas, e erigiu, em Nagasaki (célebre por duas coisas: por ter sido fundada por portugueses, e por ter sido destruída pela segunda bomba atómica dos americanos) um museu dedicado a esta tecnologia e honrando os portugueses portadores da mesma para o Japão, e chega mesmo a declarar “o que seria de nós (Japão) se os portugueses não nos tivessem dado a conhecer esta tecnologia do parafuso e da rosca, presentes na espingarda de mecha portuguesa”.

    Rainer fez questão de enviar a esse japonês um parafuso português do século XVI de um elmo com uma dupla função de rosca, maravilhando-o d etal forma que montou uma sal dedicada àquele parafuso, convidando Rainer a ir conhecê-la.

    Para termos uma noção do que estamos a falar convido o leitor a imaginar todo o tipo de maquinaria japonesa presente nas nossas casas e não só, em cuja montagem o parafuso e a rosca, cujo emprego não se ficou pelas armas de fogo obviamente, são vitais, para se perceber o impacto desta tecnologia na história do Japão, país a quem se reconhece estarem na frente de todo o tipo de maquinaria, robotização, etc, tudo isso não seria simplesmente possível sem … os portugueses.

    Segundo Rainer, no Japão qualquer criança sabe isto, sobre os portugueses … já a inversa não nos podemos de orgulhar de ser uma realidade. Até quando?

    Oliveira Dias, Politólogo

    (Publicado no Semanário NoticiasLx de 4/Março/2023)

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