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    “Vemos, ouvimos e lemos Não podemos ignorar …”

    .. É este o político que a Direita elege como referência?

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    Deste jornal online regional, de seu nome “Noticias LX”, recebi o convite, na qualidade de Vereador da Câmara Municipal de Mafra eleito pelo Partido Socialista, entre outras funções onde desempenho funções de representação institucional e sociais para vir a colaborar, de uma forma que se pretende regular, com uma coluna de opinião que hoje, é a primeira.

    O fa©to de, penso que primeira vez, este jornal regional colocar espaço disponível a um eleito no Concelho de Mafra amplia o seu espaço de cobertura e visibilidade na vasta área metropolitana de Lisboa permitindo a divulgação e promoção das atividades de outros Concelhos “dando voz à população local e relacionando população e órgãos autárquicos e contribuindo para uma democracia participada pelos Cidadãos”, como bem define (citei) o seu Estatuto Editorial.

    Bem hajam e que esta colaboração seja a de muitas outras com incidência em outros concelhos da AML.

    Identificar-me como eleito por uma força partidária – o PS – é para mim fundamental de forma a agir de forma transparente e tranquila. Isso não me impede de ter uma visão e uma análise própria, sobre os fa©tos que ocorrem e decorrem da e na nossa sociedade. Todos somos cidadãos do mundo, mesmo aqueles que dizem que querem estar “fora da política” e que, esta, não lhe diz nada! Serão, provavelmente, aqueles que, no dia a seguir aos a©tos eleitorais e depois de se vangloriarem de que “não votei em nenhum deles!”, porventura, os primeiros a reivindicarem de que isto está tudo mal, que ninguém presta e são todos iguais!

    Estas expressões trazem-me à memória o poema “Cantata de Paz” da poetisa Sophia de Mello Breyner (1919-2004), que dá título a este artigo e que, no seu segundo verso nos diz:

    “Vemos, ouvimos e lemos

    Relatórios da fome

    O caminho da injustiça

    A linguagem do terror”

    Encontro aqui a razão do mesmo; a de, 49 anos depois da alvorada de abril, a sociedade portuguesa estar a viver tempos complicados para não dizer “esquisitos”.

    O aparente alheamento da vida politica que alguns vão dizendo invocando que “isto” está uma grande confusão deixando – propositadamente – de querer saber as razões porque se chafurda em tanta e tanta noticiazinha que não tem relevância significativa para o crescimento de um pais e, por consequência, para a vida real de cada um de nós, acabam por provocar o necessário desgaste no cidadão comum levando-o a desligar-se do mundo real por considerar que “são todos iguais”!

    A quem serve tudo isto?

    A quem serve um cenário de caos constante, qual fogueira que se mantem em lume brando à espera do momento certo para ser insuflada? Quem será ou de quem serão as mãos invisíveis?

    Se não houver a atenção necessária em cuidar da democracia, como se de um bébé se trate, poderemos estar a permitir a criação das condições para o crescimento do populismo que, minando por dentro e nas oportunidades que a democracia lhe faculta, permitirá um regresso às noites dos facas-longas, dos plenos poderes de um qualquer omnipotente “escolhido”.

    Por isso, também me recordo da última parte do poema do dramaturgo alemão Bertold Brecht (1898 – 1956) no seu poema “Primeiro levaram os negros“ quando diz:

    “Agora estão me levando

    Mas já é tarde

    Como eu não me importei com ninguém

    Ninguém se importa comigo.”

    O atual Primeiro Ministro António Costa afirmou, no debate desta última quarta feira na AR que “A melhor forma de combater o populismo é não imitarmos o populismo”. E esta simples frase deve fazer-nos refletir a atualidade de uma das mais celebres frases do escritor Mark Twain (1835-1910); “Uma mentira pode dar a volta ao mundo no mesmo tempo que a verdade leva para calçar seus sapatos.”

    Todo isto a propósito da imundice (não confundir com “infundice” que é endógeno da Ericeira) em como, uma certa comunicação social, vive e alimenta o espetáculo da competição dos casos e casinhos criando-se condições para as fake news, as teorias da conspiração, a disseminação de ódios, a instalações dos medos, o aparecimento dos resultados antes dos atos eleitorais acontecer …numa palavra ajudando à instalação do caos para a criação das condições para o aparecimento de um “milagreiro”!

    A quem serve tudo isto?

    A acrescer a este “aparente caos” tivemos, à uma semana atrás, uma normal iniciativa partidária que foi o Encontro Nacional de Autarcas Social-Democratas, organizado pelo presidente de Câmara de Mafra, na qualidade de Presidente dos autarcas sociais democratas e que, desta vez teve como estrela da sessão o convite ao ex-Presidente da República Aníbal Cavaco Silva, que aproveitou os holofotes para voltou a criticar o Governo do Partido Socialista. Até aqui …nada de anormal, algo a que já nos habituou.

    Mas, no contexto dos tempos em que vivemos, Aníbal Cavaco Silva é, cada vez mais, um ex-PR que continua a regar fogos com gasolina, como se diz na gíria.

    Concerteza que tem acólitos. É e será sempre assim. Mas é-lhe exigido um maior respeito institucional. Na sua condição de político com maior longevidade de tempos em exercício e segundo político mais votado, no largo conjunto de atos eleitorais a que submeteu, não é um qualquer inocente nos meandros político-partidários. 

    Um estadista de que quer estadista (recordo Ramalho Eanes e Jorge Sampaio, pelas suas condutas) não entra em injúria, a que Cavaco Silva pareceu ter prazer em o fazer, e isso não é correto, não é pedagógico nem consentâneo com os momentos que podem fragilizar a democracia porque, em vez de aliviar tensões, agrava ainda mais as existentes.

    O Cavaco que censurava programas de comédia? Aquele que negou uma pensão a Salgueiro Maia? O mesmo que votou contra o apoio a Nelson Mandela e que recusou marcar presença no funeral do Prémio Nobel da Literatura José Saramago? Aquele que se queixou, em plena crise das reformas, que os 10 mil euros que recebia, não lhe permitiam pagar as contas? O mesmo proprietário do “ainda” suspeito negócio da Vivenda Gaivota Azul, na Praia da Coelha? Aquele que permitiu que o seu assessor (José Manuel Fernandes) acusasse o governo PS de ter instalado escutas no Palácio de Belém? Aquele que sempre disse que não era político, lembram-se? Aquele que, em 1987, disse que se vendia “gato por lebre” na bolsa, provocando uma queda tal que milhares de pessoas perderam muito dinheiro, e descredibilizou o sistema financeiro durante muito tempo! Esse que protegeu o BPN, mas que vendeu as ações deste banco na semana antes dele cair.

    .. É este o político que a Direita elege como referência?

    O Dr. Cavaco Silva ultrapassou-se na demagogia das suas habituais ofensas. Demagogia, porque ele próprio sempre se colocou num pedestal que nem o próprio Cristo algum dia teve. Ofensas, porque Cavaco já foi Primeiro-Ministro e Presidente da República e como Primeiro-Ministro trouxe a destruição da agricultura, das pescas e da pouca indústria (recordo a Sorefame, a Cometna, a Mague, entre muitas outras). Que em 2011 nada fez contra os radicais cortes de salários e pensões e do brutal desemprego que se abateu sobre milhões de portugueses foram alvo. E, ainda, validou a solidez do BES! Quem teve Duarte Lima, Oliveira e Costa, Dias Loureiro (o ministro dos “Secos & Molhados e do bloqueio da Ponte 25 de abril, lembram-se?) etc. no governo deveria recatar-se quando fala e diz que o Ministro João Galamba é o fim do mundo

    Pareceu quer substituir-se a um qualquer alquimista químico que convencido de que se as águas residuais podem ser recicladas, também os ativos tóxicos também poderão podem ser branqueados. Engana-se.

    Como bem disse o jornalista Manuel Carvalho, in Jornal Público de 21 de maio de 2023, cito “…Cavaco, cínico e inteligente como é, sabe quando desferir golpes. A velha guarda do PSD entra no partido à hora em que a cavalaria costuma chegar nos filmes…. Há, por isso, no regresso de Aníbal, um pouco do instinto dos grandes generais. O PSD precisa de sair da engonha e aí veio ele de bandeira em riste e de pistola em punho para lhe dar ânimo

    Só que …  uma alternativa a um qualquer Governo deve ser construída a partir de uma visão para o país, distinta daquela que o Governo representa e que pareça consistente aos olhos de uma maioria de cidadãos. E onde está a capacidade do atual líder do PSD marcar a agenda do debate político com ideias que ganhem as pessoas? Cavaco Silva com esta sua “ajuda” a Luís Montenegro mais no fez do que lhe dar uma estocada, rotulando-o de incapaz de se afirmar junto da sociedade portuguesa.

    Triste, porque Portugal precisa de uma oposição forte e credível, com ideias claras, sem ressentimentos e egocentrismos narcisistas, a favor do fortalecimento de um regime democrático.

    José Manuel Graça

    Vereador na Câmara Municipal de Mafra

    Membro da Comissão Nacional do PS

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