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    Cartazes e a (frágil) liberdade. 

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    A história transmite-nos que a ascensão do fascismo começou com passos tão “aparentemente” de legal manifestação de descontentamento quanto o fascista Mussolini começou a sua ascensão ao poder com uma marcha sobre Roma (1922) no seguimento de uma política agressiva à margem dos princípios e métodos democráticos vigentes eivado de inflamados discursos anti-parlamentares em que tudo era corrupção e “ele” o salvador. Chegou ao poder absoluto em Itália decretando a proibição dos partidos políticos, o controle dos Sindicatos, etc e foi a ditadura que a História nos conta.  Hitler com os seus discursos inflamados, xenófobos, nacionalistas, emoldurados por encenadas paradas militares “gloriosas”, também chegou ao poder e o resultado – em aliança – foi aquele que se conhece.

    Ambos atingiram o poder político com a conivência cobarde das instituições democráticas italianas e alemães, que não tendo combatido esses populistas permitiram que o mundo – usando uma metáfora – acolhesse no seu galinheiro democrático as matreiras raposas!  

    E, o Mundo sofreu as terríveis consequências dessas cobardias.

    Não se poderá, sob risco de repetição da História, continuar a ignorar o vandalismo institucional ou a retórica antidemocrática e demagógica travestida de pseudo-arautos da luta anticorrupção. Aproveitar as condições que uma sociedade democrática proporciona como o direito à manifestação para cercar uma qualquer sede partidária (como o ELP/MDLP fez em 74/75 a sedes partidárias de esquerda, no norte do Portugal) são comportamentos de tal modo perigosos e numa linha tão ténue que não podem contar com a condescendência do nosso silêncio a bem da preservação do rumo de uma sociedade democrática, honrando a memória de tantos Homens e Mulheres que deram a sua vida, na luta por essa sociedade livre e pluralista.

    Nos últimos quinze dias o jornal Expresso trouxe-nos um estudo feito pelo ICS/ISCTE que que, entre muita matéria para reflexão nos salientava que as instituições em que os portugueses hoje em dia menos confiam são, largamente, os partidos políticos (com apenas 18% de aceitação e 79% de desconfiança), o Governo e o Parlamento.

    Muito perigoso o resultado deste estudo que deveria merecer uma reflexão e estudo detalhado por parte de todos os partidos que defendem a democracia em Portugal.

    Não que esta “crise de confiança nas instituições” seja um fenómeno apenas radicado neste cantinho europeu banhado pelo sol e aberto ao mundo. Não é, infelizmente, e no ondulante vento que nos transporta outros aparecimentos de movimentos populistas e radicais que vão ganhando espaço à custa da exploração da critica fácil, exacerbando os medos e receios que habitam no ser humano, tentando impor a sua verborreia com decibéis acima dos demais e apostando em receitas de respostas fáceis para problemas complexos. Donald Trump, conseguiu granjear impactos explorando até ao tutano o ataque e a insinuação de situações e contextos que já evidenciam problemas. Sempre com o mesmo princípio de que “nós” (os apaniguados) vamos voltar a ser grandes contra o “eles” (os que estão no poder e “eu” quero substituir, mas não posso usar essa expressão)! 

    Soluções é que são …zero.

    É assim o populismo, tal qual o verdadeiro vendedor da “banha da cobra”!

    Insisto, é urgente a reflexão do caminho que se tem seguido e o futuro que se quer trilhar.

    Hoje o circo populista inunda-nos de “n” maneiras sem que, por vezes e de forma consciente, nos apercebamos dessa teia. Seja pelas redes sociais e do tipo de interação – sem rigor, contexto e verdade – que elas propiciam, seja pela inteligência artificial e os algoritmos que, abrindo novos mundos, também abrem novas potencialidades à mentira. seja em certas formas de fazer jornalismo televisivo que, pela sua seletividade e repetição até à exaustão nos levam a fazer querer que com diria o fascista e ministro da propaganda na Alemanha nazi Joseph Goebbels “Uma mentira contada mil vezes, torna-se uma verdade”. Tempos difíceis e complicados os que se vivem. Mas o mais aflitivo é que até parece terem audiências que alimentam o “lavar dos cestos” no dia seguinte!

    Seja por ações no teatro que a legalidade democrática legitimamente proporciona seja na extrapolação dos contextos parece já não haver mais a defesa de não serem ultrapassadas as “linhas vermelhas” que definem a livre manifestação e ação critica da noção da ofensa ostensiva criando condições para que uma classe que se manifesta seja atingida pelo seu próprio bumerangue criado 

    Quando aqueles a quem o Estado Português paga para nos educarem, para nos ensinarem hoje – com o fizeram ontem e o farão no futuro – se podem sentir representados por abundantes cartazes que representam um primeiro ministro, numa cabeça de porco com um lápis espetado num olho (que os propagandistas hitlerianos faziam dos judeus, na Alemanha nazi) que linha vermelha estamos a pisar? Não de pode exigir respeito quando não se respeita ninguém. Que raio de representante (Delegado Sindical) pode representar uma classe que se diz portadora e transmissora do conhecimento, quando se têm atitudes ignóbeis destas? Os cartazes apresentados na manifestação dos professores são de uma afronta, completamente incompatíveis com professores. Insultar desta forma um PM, com ataques racistas, no Dia de Portugal, é uma afronta à Democracia.

    Como não há de haver violência nas escolas? Violência que está bem estampada nos cartazes exibidos.

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    Vivemos tempos difíceis, mas é preciso continuar a resistir que, não sendo fácil, mas têm outra saída.

    José Manuel Graça, Vereador na Câmara Municipal de Mafra, Membro da Comissão Nacional do PS.

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