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    AGORA O VETO DE MARCELO!

    Só não percebe, quem não quer, ou quem está afectado pela cegueira da politiquice, tão em voga

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    Fresquinha, como que a contrariar as notícias das guerras, que nos inundam, as tv’s, em todas os seus canais, tirando espaço ás demais noticias, em especial as cá do burgo, eis que Marcelo, tira da cartola mais um veto, e não é um veto qualquer, é precisamente o que devolve ao palácio de S. Bento, o diploma da privatização da TAP.

    Naturalmente este acto insere-se no âmbito da “vigilância activa” proclamada pelo Presidente da República, como ameaça, após ter sido desautorizado pelo Primeiro-Ministro no famoso caso “Galamba”.

    Tudo quanto tenha origem no agora “famigerado” ministério das infra-estruturas, liderado por João Galamba, e é o caso deste diploma, será passado três vezes à lupa, e nem que seja um virgulazita, um ponto final, um verbo mal grafado, e a espada de “Dâmocles” cairá vertiginosamente sobre o pescoço do ministro Galamba.

    Ainda foram depositadas presidenciais esperanças na hilária comissão de inquérito á TAP, cujo “leitmotiv” foi a importantíssima questão de saber os minutos e segundos em que quem falou com quem, e pouco mais do que isso.

    Goradas as espectativas, de dali sair um ponto final, ministerial, Marcelo, aguçou a sua análise e empunhando a sua “lupa censória”, ficou de atalaia, aguardando pelas oportunidades, afinal dois anos é muito tempo, e muita água passará por baixo das pontes.

    Ensaiou a coisa com os diplomas sobre a habitação, onde foi ás cordas com o veto, tornado inócuo, pela re-confirmação do diploma pela Assembleia da República, sem, deixar de ameaçar, nas televisões, claro, que seria obrigado a promulgar, mas as regulamentações necessárias á boa execução do pacote legislativo, ainda tinham de passar por ele… .

    E assim o Presidente da República indicou com que música se vai dançar, daqui em diante, sem perceber, ou melhor, fingindo não perceber, a caixa de pandora que abriu, afinal sempre que um seu veto “explodir”, como se atingido por um míssil Patriot (leia-se, por reconfirmação parlamentar), ficará muito mal na fotografia.

    Claro que estes vetos serão apresentados como “ajudas” ou “contributos” para António Costa melhorar a sua produção legislativa, e que nada tem contra, por exemplo, a privatização da TAP, mas a verdade é que com isso faz o jogo da direita que não concorda, por ainda não ter digerido, a reversão do seu negócio no tempo de Passos, a qual redundaria na extinção da TAP, se António Costa não tivesse revertido aquele negócio, e hoje não existiria TAP, e faz o jogo da esquerda que de todo rejeita a privatização da companhia.

    Todos se entendem e o chefe da orquestra gosta de ser maestro, e sob a sua batuta o labéu de “os portugueses meteram na TAP, três mil milhões de euros, e agora?”, lá vai sendo repetido á exaustão.

    Pedro Nuno Santos, na sua primeira aparição como comentador na SIC Notícias, já tinha explicado, que a TAP paga cerca de 300 milhões de impostos por ano, razão porque me apenas 10 anos esse dinheiro é recuperado.

    Lapidar.

    Só não percebe, quem não quer, ou quem está afectado pela cegueira da politiquice, tão em voga.

    Seja qual for a receita obtida pela privatização da TAP, será sempre um bom negócio, pois a alternativa era extinguir um dos maiores activos do país. Poupavam-se o dinheiro lá metido, mas também não haveria cobrança de impostos nunca mais.

    Já alguém fez as contas ao prejuízo para o país da extinção de um contribuinte de 300 milhões ao ano? E o desemprego que isso geraria, directo e indirecto? E o impacto, mais um, para além das guerras, e do covid, sobre a nossa economia?

    Nesta questão da TAP e do presidencial veto, escorado numa “birra” incompreensível a este nível de responsabilidade, a António Costa só lhe resta pedir á Assembleia da República, que chame a si a matéria, e ao invés de um Decreto-Lei, a privatização seja feita sob a forma de Lei, para o caso de ser vetada, possa ser reconfirmada pelo parlamento, obrigando o senhor Presidente a promulga-la, não sem antes limpar o suor de ir de novo às cordas.

    E é isto que nos espera. Nos próximos dois anos.

    O egocentrismo de Marcelo vai condená-lo a sair pela porta pequena, pois desta vez, esta maioria, uma criação sua, que ironia monumental, vai obrigá-lo a promulgar todos os diplomas que a sua assinatura vetar.

    António Costa, um estratega como poucos, não vai perder a oportunidade que lhe caiu no colo, com a maioria que os portugueses lhe concederam, e tudo fará para levar o “barco” até ao fim, e nem pensar em dar ao Presidente da República uma única desculpa que sirva de “bode expiatório” a uma tentativa de dissolução da Assembleia da República.

    E por último “the last but not the last” António Costa faz saber, que gostaria de ver António Guterres, candidato á Presidência da República. Porque é que isto é relevante?

    Porque no passado havia um grande antagonismo entre Guterres e Marcelo, considerados dois génios, pela “opus dei”, e Marcelo, já então, lidava mal com a concorrência.

    Recentemente Marcelo lamentava, num encontro com economistas, se me não falha a memória, a “falta” de políticos a sério, e que estava preocupado com o pós Marcelo na Presidência, como se ele fosse a última bolacha do pacote.

    Ora, com Guterres, dificilmente dormirá uma única noite descansado, receando ser “esquecido”.

    Parafraseando o ex-primeiro ministro António Guterres “É a vida”!

    Oliveira Dias

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