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O PSD caiu na armadilha das linhas vermelhas ao CHEGA

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Ainda não são conhecidos os resultados definitivos das eleições legislativas antecipadas do passado dia 10 de março, faltando o escrutínio dos círculos da Europa e Fora da Europa que elegem quatro deputados.

Deste modo há ainda uma incerteza sobre quem ficou em primeiro lugar nestas eleições, se o PS ou a AD.

A este propósito convém referir que já é tempo mais que suficiente para se modernizar a máquina administrativa relativa ao escrutínio pós-eleitoral, não sendo razoável que os resultados dos círculos da Europa e de Fora da Europa só sejam conhecidos na noite do próximo dia 20 de março, ou seja, dez dias depois do apuramento das votações decorridas em território nacional.

Tanta propaganda dos governos do PS sobre modernização administrativa e no escrutínio pós-eleitoral Portugal está atrasado décadas em comparação com outros países, alguns deles de menor desenvolvimento económico.   

Nas eleições legislativas do passado fim de semana, o grande vencedor foi o CHEGA e não o partido ou coligação que ficar em primeiro lugar, na circunstância o PS ou a AD.

Com efeito, o CHEGA, apesar de ter ficado em terceiro lugar, é o vencedor das eleições do passado fim de semana, porque quadruplicou o número de deputados eleitos, inaugurando o tripartidarismo em Portugal, ao passo que o PS perdeu mais de 1/3 da sua bancada e o PSD, só aumentou em dois eleitos a sua representação na Assembleia da República.

Para o PSD que esteve nos últimos oito anos na oposição o resultado obtido é muito poucochinho, tendo tido até necessidade, para obter a vantagem conseguida pelo método de Hondt, de se coligar, nomeadamente, com o CDS, partido político moribundo da democracia portuguesa que assim regressa à Assembleia da República a reboque e por favor dos sociais-democratas.

Há atualmente um grande impasse sobre a formação do novo governo e uma grande incerteza sobre a futura governabilidade e estabilidade política no país, porque todos os partidos políticos com representação na Assembleia da República, teimam nas linhas vermelhas ao CHEGA, mesmo que isso represente desconsiderar o voto de mais de um milhão e cem mil eleitores, ou seja, de 18% dos portugueses que votaram nas últimas eleições.

Com efeito, não se percebe o atual impasse e incerteza sobre a formação do futuro governo, quando existe em Portugal uma clara maioria sociológica de direita, constituída atualmente, antes dos resultados definitivos, por 135 deputados, número que inclui os 48 eleitos do CHEGA.

O PS e os dois anteriores Presidentes da Assembleia da República, Ferro Rodrigues e Augusto Santos Silva, conseguiram pôr em prática uma estratégia que, até ao momento, está a surtir efeito, de ostracizar por completo o CHEGA, com os anátemas do fascismo, do racismo e da xenofobia, exatamente com o objetivo de dificultar a formação de governos de direita, de forma a perpetuar a esquerda no poder.

A estratégia do PS, liderada na Assembleia da República por Ferro Rodrigues e Augusto Santos Silva, consubstanciou uma autêntica armadilha pacientemente montada ao PSD que caiu na esparrela, provavelmente de forma consciente de muitos dos seus proeminentes barões, mas contra a vontade de outros notáveis sociais-democratas que prefeririam que o seu partido não alinhasse em estratégias de manutenção do bloco central dos interesses instalados, onde tem imperado a corrupção, a gestão danosa, o tráfico de influências e o nepotismo.

O Presidente da República, como experimentado analista político, bem sabe que o cerco sanitário imposto ao CHEGA, levará o país a uma ingovernabilidade e a ciclos governativos de curta duração, com graves prejuízos para o desenvolvimento social e económico de Portugal, mas isso são fatores que aparentemente, Marcelo Rebelo de Sousa, não está a considerar na sua avaliação da situação política portuguesa.

Marcelo Rebelo de Sousa, ao alinhar no cerco sanitário ao CHEGA, ficará indelevelmente assinalado na História de Portugal como o Presidente da República que, perante uma ampla maioria de direita, preferiu patrocinar governos instáveis, minoritários e de curta duração, em prejuízo dos portugueses, mas provavelmente em benefício das elites socialistas e sociais-democratas, que aliadas ao poder financeiro, representam o centrão dos interesses instalados, manchados por inúmeros casos de corrupção, uns já confirmados, outros em investigação.

Na atual bagunça política, Luís Montenegro, provavelmente será o futuro Primeiro-Ministro de Portugal, mas com contrato a termo certo, de seis meses, eventualmente renováveis por outros seis meses, ficando dependente dos humores e do calendário político de Pedro Nuno Santos e do PS que o derrubarão se sentirem novamente os ventos a seu favor.

As grandes reformas que o país necessita, nomeadamente, nas Forças de Segurança, no Ensino, na Saúde, nas Forças Armadas, na Justiça e na Habitação, poderiam ser devidamente concretizadas por uma maioria absoluta sólida que incluísse o CHEGA, mas ficarão à espera por uma melhor oportunidade, ou então por um assumir de consciência por parte dos notáveis do PSD que não concordam com o patético e irresponsável “não é não” de Luís Montenegro.

– Fernando Pedroso, Líder da bancada do CHEGA na AMO e Adjunto do Conselho de Jurisdição Nacional do CHEGA

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