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    Histórias d’África – Maior navio hospital de volta a Tenerife. Combate a falta de cirurgias na África Subsaariana

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    Global Mercy – o maior navio hospital civil do mundo – tem a configuração em todo semelhante a um hospital regional: Integra 6 blocos operatórios, 102 camas de cuidados intensivos e pós-operatório e 90 camas de cuidados adicionais. Estrará atracado no Porto de Santa Cruz nos próximos dias, para trabalhos de manutenção. O navio, propriedade da Mercy Ships – Naves de Esperanza de Espanha – regressa à Ilha proveniente de Serra Leoa, mas desta vez troca a sua Hub, o porto de Granadilla, também em Tenerife, pela infraestrutura da capital, indiscutivelmente mais bem-dotada, de outra extensão, com serviços técnicos e de logística e de dimensão internacional.

    O Global Mercy foi concebido principalmente para realizar cirurgias mais pertinentes nos países do primeiro e segundo Mundo onde ocorre em viagens humanitárias. Segundo a organização, executam-se maxilo-faciais reconstrutivas, reparação de lábio leporino e palato fendido, cirurgias oncológicas e ortopédicas, reparação de fístulas obstétricas e cirurgias oftalmológicas, principalmente às cataratas.

    Global Mercy
    Global Mercy

    A organização humanitária Mercy Ships – uma ONG fundada em 1978 – afirma num dos seus sítios da web que “este navio é mais que um hospital flutuante: também uma comunidade transportável de mais de 600 voluntários que duplicarão a capacidade da organização em salvar e transformar vidas”.

    ONG da Suíça formada por missionários Norte-americanos

    Os missionários evangélicos americanos Donald Stephens e Deyon adquiriram um barco por um milhão de dólares, com o objetivo de convertê-lo em navio hospital. Corria o ano de 1978 e, então, estavam em Lausanne, na Suíça, onde ainda hoje se encontra registada a sua sede social. A ideia era ajudar cidadãos do Mundo sem acesso a cuidados de saúde. A organização manteve-se filiada a um grupo de missionários de uma congregação de jovens até se tornar autónoma em março de 2003. De momento, actua apenas no continente africano. Segundo a organização, os seus ingressos anuais são da ordem dos 79,9 milhões de dólares americanos.

    Só conseguiram terminar os trabalhos de reconversão e modernização do navio de cruzeiro adquirido em 1978, quatro anos depois, em 1982. Foi re-baptizado como ‘Anastasis’ e dispõe de 3 blocos operatórios, 40 camas hospitalares. Em 2007, a ONG apresentou o Africa Mercy, o maior dos 4 navios hospitais que dispunha.

    Já em maio de 2022 estreou o Global Mercy, um navio com 174 metros de comprimento, largura de 28,6 metros e de 37 mil toneladas brutas. Configura-se à semelhança de um hospital regional: Integra 6 blocos operatórios, 102 camas de cuidados intensivos e pós-operatório e 90 camas de cuidados adicionais. A Unidade de cuidados intensivos – que inclui uma unidade de UCI de isolamento com 7 camas – significou um investimento de 1 milhão de dólares obtidos por doadores neozelandeses. O hospital propriamente dito ocupa o terceiro e quarto pisos numa área de 7.000 metros quadrados. A lotação do navio é de 614 tripulantes, incluindo famílias e filhos dos voluntários que contam com uma academia escolar ‘K-12’.

    O navio tem 12 pisos, foi projectado pela empresa finlandesa Deltamarin, construído no estaleiro chinês de Xingang CSSC, em Tijanjin, com gestão da sueca Stena RoRo de Gotemburgo. Está assegurado na Lloyd’s Registar como a maioria das frotas mercantes globais, enquanto a suiça BRS é a corretora escolhida por esta ONG.

    As características do navio realçam algumas particularidades de eficiência no consumo de água e energia: Filtra-se e trata-se água condensada de CA para utilização técnica o que permite diminuir o consumo de água potável em quase 50%; os sistemas de condicionamento do ar são de última geração, permitindo uma redução de 15% do gasto de energia relativamente aos navios anteriores.

    Aflição: 93% da população da África subsariana não tem acesso a uma cirurgia segura e atempada

    A estratégia do navio Global Mercy é aumentar a capacidade de intervenção no continente africano juntando-se ao barco “Africa Mercy”: Duplicam assim, o impacto dos voluntários e dos serviços prestados pela organização, em operações de campo com duração de 10 meses. Também contribuir para melhorar a capacitação dos médicos dos países onde intervêm, isto porque dispõe de salas de aula e de laboratórios para simulação e ensaios equipados com tecnologia de ponta.

    Segundo o relatório Lancet Global Surgery 2030’ – ‘Cirurgia Global 2030’ – estima-se que 16,9 milhões de pessoas morrem anualmente desde a última década por falta de acesso aos cuidados cirúrgicos. O documento revela ainda que, pelo menos, 93% da população da África subsariana não tem acesso a uma cirurgia segura e atempada.

    Myron Edward Ullman, o líder da ONG

    De acordo com os registos, Myron Edward “Mike” Ullman III, de 77 anos, preside à ONG. O executivo estadunidense presidiu, em duas ocasiões, à empresa de armazéns de retalho de vestuário JC Penney que tem mais de 600 superlojas nos EE.UU. e, na Irlanda, encontra-se associada à Primark. Em 26 de junho de 2018, Ullman sucedeu a Howard Schultz na presidência da Starbucks Corporation, a multinacional Norte-americana qu detém a maior cadeia de cafetarias no Mundo. Entre 1981 e 1982, “Mike” Ullman foi membro do escritório do representante Comercial dos Estados Unidos, na Casa Branca.

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    Símbolo da Mercy Ships, ONG suíça que detém quatro navios hospital

    Documento PDF – Infographic do Global Mercy – publicado no sítio da web da ONG Mercy Ships – permite uma percepção do projecto do maior hospital civil flutuante

    – Texto por José Maria Pignatelli (Texto não está escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico)

    – Fotos de Roberto Mendoza Quintero

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