Bruno Nunes comemorações 25 de Novembro em Loures
Durante a cerimónia evocativa do 25 de Novembro, realizada no concelho de Loures, o vereador Bruno Nunes (Chega) defendeu a importância de manter viva a memória dos acontecimentos de 1975, criticando aquilo que classificou como “omissões” das entidades locais e nacionais relativamente à data.
No discurso, afirmou que a cerimónia só tem sentido se for feita com “justiça histórica”, argumentando que o 25 de Novembro foi essencial para “repor os valores de Abril” e assegurar o caminho para as eleições livres de 1976. Nunes acusou vários setores políticos de “iliteracia histórica” e criticou a ausência de responsáveis políticos e institucionais na sessão.
O autarca referiu episódios de perseguição política, tensões militares e conflitos partidários ocorridos entre 1974 e 1976, apontando responsabilidades ao PCP, a setores do MFA e a figuras do processo revolucionário, ao mesmo tempo que elogiou personalidades como Mário Soares, Jaime Neves e Ramalho Eanes.
Bruno Nunes considerou que a forma como foram conduzidas a descolonização, os saneamentos e os confrontos políticos do período constituem “feridas históricas” que não devem ser ocultadas. Defendeu igualmente que o concelho de Loures possui um papel relevante na memória do período pós-Revolução, referindo acontecimentos locais relacionados com o 25 de Novembro e episódios posteriores da história política nacional.
O vereador concluiu dizendo que, enquanto o Chega tiver representação no concelho, pretende que as comemorações do 25 de Novembro sejam realizadas anualmente, sublinhando que, para o partido, a data “complementa Abril”.
CITAÇÕES DIRETAS EXTRAÍDAS DO DISCURSO
Abaixo estão citações literais, selecionadas pela relevância jornalística e clareza:
Sobre a ausência de representantes institucionais
- “Não posso começar sem fazer um lamento: a não presença assinalável da Presidente da Assembleia Municipal.”
- “As páginas oficiais da Câmara Municipal não fizeram nenhuma referência ao 25 de Novembro.”
Sobre o significado da data
- “Ninguém quer comparar datas. Ninguém quer colocar uma acima da outra.”
- “Só não queremos deixar que a história seja apagada.”
- “O 25 de Novembro foi o dia que complementou Abril.”
Sobre a esquerda e a extrema-esquerda
- “À esquerda só não aceita o 25 de Novembro quem tiver falta de memória ou iliteracia histórica.”
- “A paranoia que imperava era a de nos tornar uma célula da União Soviética.”
- “Sempre que a direita diz alguma coisa, é populismo; quando a esquerda diz, é história.”
Sobre perseguições políticas e episódios de 1974–76
- “Mais de 400 detidos em Caxias — porque tinham uma opinião política diferente. Onde é que estava a liberdade?”
- “O CDS teve o seu congresso com 700 congressistas cercados. Onde é que estava a liberdade?”
Sobre figuras históricas
- “Foram homens como Mário Soares, Ramalho Eanes e Jaime Neves que fizeram o 25 de Novembro.”
- “Zita Seabra dizia que o Comité Central estava pronto com estudantes armados na noite de 25 de Novembro.”
Sobre o concelho de Loures
- “No nosso concelho existe um facto histórico referente ao 25 de Novembro. Muita coisa aconteceu nas ruas da Portela.”
- “Foi aqui que mataram Adelino Amaro da Costa e Francisco Sá Carneiro.” (nota da redação: o Vereador Bruno Nunes refere-se à queda do pequeno avião que transportava Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa e que partia de Lisboa com destino à cidade do Porto. Sobre a queda desta aeronave existem duas teses – uma que aponta para um alegado desastre e outra para um alegado atentado)
Sobre descolonização e retornados
- “Abandonaram as colónias. Abandonaram os portugueses que lá estavam.”
- “Racismo: foram expulsos porque eram brancos. Xenofobia: porque eram portugueses.”
Conclusão política
- “Teremos todos os anos a necessidade de fazer a cerimónia do 25 de Novembro.”
- “Não vou dizer ‘comunismo nunca mais’, porque nunca existiu cá como queriam — mas comunismo, nunca.”

Bruno Nunes comemorações 25 de Novembro em Loures


