10 anos após o Acordo de Paris, ZERO defende que ação climática é oportunidade económica e social
10 anos após o Acordo de Paris
O impacto de uma década do Acordo de Paris
Assinalam-se hoje, 12 de dezembro de 2025, dez anos desde a assinatura do Acordo de Paris, considerado um dos marcos mais importantes da ação climática global. Este acordo recuperou a urgência política num momento em que instrumentos anteriores, como o Protocolo de Quioto, já demonstravam sinais de esgotamento. Pela primeira vez, todos os países — do Norte e do Sul global — assumiram compromissos climáticos, com uma meta comum: manter o aquecimento global bem abaixo dos 2°C, procurando limitar o aumento a 1,5°C.
Dez anos depois, o impacto é evidente. Mobilizações juvenis, como as de 2019, impulsionaram políticas inovadoras e deram força a instrumentos como o Pacto Ecológico Europeu ou a Lei de Bases do Clima, em Portugal, que ajudam a transformar compromissos em ação.
10 anos após o Acordo de Paris
Progressos visíveis, mas insuficientes
O cenário global mudou. Antes de 2015, as projeções apontavam para um aumento de 3,5°C a 4°C. Hoje, se os compromissos forem integralmente cumpridos, essa estimativa baixa para 2,5°C a 2,7°C, um progresso que demonstra o efeito das políticas climáticas e da transição energética.
Ainda assim, a ZERO alerta que a União Europeia recua em ambição. Entre as ameaças está a possibilidade de abandonar a meta de proibir novos veículos de combustão interna a partir de 2035, bem como flexibilizar o objetivo de redução de 90% das emissões até 2040. A organização defende que a Europa deve liderar — e não hesitar — no reforço das políticas climáticas.
Sul Global avança mais depressa do que Europa e EUA
O dinamismo da transição energética é hoje mais evidente em várias economias emergentes:
- Renováveis: A produção global cresceu de 5.500 TWh (2015) para mais de 9.800 TWh em 2024, devendo duplicar os níveis de 2015 já em 2025.
- Mobilidade elétrica: As vendas de veículos a combustão diminuíram de 76 para 62 milhões por ano na última década, acompanhando a subida dos veículos elétricos.
- China: O maior emissor mundial apresenta emissões estáveis ou em queda há 18 meses, antecipando o seu pico de emissões cinco anos antes do previsto.
- Índia: Acelera a transição energética e já tem 44% da capacidade instalada proveniente de fontes não fósseis.
Este dinamismo contrasta com o retrocesso dos EUA e com a hesitação europeia em manter metas ambiciosas.

Tribunal Internacional de Justiça reforça força jurídica do Acordo
Um marco recente reforça a relevância jurídica do Acordo de Paris. Em julho de 2025, o Tribunal Internacional de Justiça esclareceu que o Acordo integra o “direito aplicável” para avaliar obrigações estatais. Ou seja, não é apenas um acordo político: é juridicamente vinculativo.
Esta conclusão tem impacto direto em litigância climática e no escrutínio das políticas nacionais, exigindo que os Estados alinhem as suas ações com a ciência e com o objetivo de 1,5°C.
Ações climáticas não são um custo — são investimento no futuro
A ZERO sublinha que os últimos dez anos comprovam que ação climática gera desenvolvimento económico, inovação e bem-estar social. As energias renováveis expandiram-se rapidamente, a mobilidade está a mudar e grandes emissores começam a inverter a curva das emissões.
O maior desafio atual está na falta de mobilização cívica, enfraquecida após a pandemia. Para a ZERO, é urgente revitalizar o movimento climático, fortalecer o associativismo local e garantir que a próxima década seja verdadeiramente decisiva para o planeta.
10 anos após o Acordo de Paris
A ZERO celebra 10 anos do Acordo de Paris e defende que a ação climática é oportunidade económica e social. Progressos visíveis, mas é necessária maior ambição.






