O Tribunal Central Criminal de Loures condenou o padre Arsénio Isidoro a cinco anos de prisão efetiva por desviar quase 800 mil euros de instituições particulares de solidariedade social, entre Loures e a região Oeste, num esquema iniciado há mais de uma década.
Casa do Gaiato – Loures e Paróquia da Ramada -Odivelas
Condenação por abuso de confiança qualificado
De acordo com a decisão judicial, Arsénio Isidoro, antigo diretor da Casa do Gaiato de Loures, foi considerado culpado do crime de abuso de confiança qualificado. A sentença foi proferida pelo Tribunal Central Criminal de Loures, na sequência de um processo investigado pela Polícia Judiciária desde 2014.
A arguida Ana Cristina Gabriel, gestora e responsável pela tesouraria e contabilidade das instituições envolvidas, foi condenada a quatro anos e seis meses de prisão efetiva. Ambos terão ainda de pagar indemnizações que ultrapassam os 2,5 milhões de euros.
Esquema envolveu várias IPSS
A investigação apurou que os dois arguidos controlavam simultaneamente a gestão e as finanças de várias instituições de solidariedade social onde trabalharam. Arsénio Isidoro exercia funções de presidente ou responsável máximo, enquanto Ana Cristina Gabriel assumia a gestão financeira.
Esse controlo permitiu o desvio sistemático de fundos através de transferências entre instituições, recorrendo a donativos privados, empresariais e a verbas provenientes do Estado, nomeadamente da Segurança Social.
Luxos incompatíveis com rendimentos declarados
O caso começou a ser investigado quando surgiram suspeitas relacionadas com o estilo de vida do sacerdote, considerado incompatível com os seus rendimentos declarados. Entre os bens adquiridos com o dinheiro desviado contam-se um Porsche, um barco, motas de água, roupa de luxo, estadias em hotéis e refeições frequentes em restaurantes de marisco.
Os arguidos chegaram ainda a dar entrada para a compra de um terreno em Atouguia da Baleia, no concelho de Peniche, onde planeavam construir uma moradia com piscina.
Relação secreta e impacto nas instituições
Durante o período em que os crimes ocorreram, Arsénio Isidoro e Ana Cristina Gabriel mantinham uma relação pessoal em segredo. O sacerdote foi afastado do exercício do sacerdócio em 2016, quando foi constituído arguido no processo.
Uma das instituições lesadas acabou por encerrar portas devido à falta de liquidez para pagamento de salários, evidenciando o impacto direto do esquema nas estruturas sociais e nos trabalhadores envolvidos.
Reação da Paróquia da Ramada
Em comunicado divulgado nas redes sociais, a Paróquia da Ramada manifestou solidariedade para com todas as pessoas e entidades afetadas pelo caso. A nota sublinha que os factos dizem respeito a responsabilidades individuais e a um período passado.
“O trabalho, a missão e a integridade das instituições atualmente em funcionamento não estão em causa”, refere o comunicado, acrescentando que, nos últimos anos, foram reforçadas práticas de transparência, rigor e controlo financeiro no Centro Comunitário Paroquial da Ramada.
