Lisboa | Ordem dos Psicólogos pede ao Governo que torne a solidão prioridade de saúde pública
A Ordem dos Psicólogos Portugueses pediu ao Governo que o combate à solidão passe a ser uma prioridade de saúde pública, alertando para os efeitos do isolamento na saúde física e mental e para os custos económicos associados, num documento divulgado em Lisboa, a 22 de dezembro.
A Ordem dos Psicólogos Portugueses defendeu que a solidão constitui um dos principais desafios sociais atuais e deve ser integrada nas políticas públicas de saúde. O apelo foi feito num documento dirigido a decisores políticos, divulgado na semana que antecede o Natal.
De acordo com a organização, cerca de uma em cada dez pessoas em Portugal admite sentir-se sozinha a maior parte do tempo. A solidão é associada não apenas a um impacto negativo no bem-estar e na qualidade de vida, mas também a consequências económicas e sociais mensuráveis.
Impactos na saúde e no bem-estar
O documento refere que a solidão está associada a um aumento de 14% no risco de mortalidade por todas as causas. Entre os efeitos na saúde física, são apontados riscos acrescidos de doença cardiovascular e de diabetes tipo 2, com um impacto comparável ao consumo diário de 15 cigarros.
Ao nível da saúde mental, o isolamento prolongado surge ligado a perturbações como depressão, ansiedade, perturbação bipolar, psicose, stress pós-traumático, perturbações do comportamento alimentar, ideação suicida e comportamentos autolesivos. A solidão é ainda associada a um aumento de 31% no risco de demência.
Custos económicos e sociais
A OPP destaca que a solidão tem reflexos diretos na produtividade, com maior absentismo, presentismo e recurso a baixas médicas, bem como no aumento dos custos para o sistema de saúde, através de mais consultas, internamentos, idas às urgências e consumo de medicação.
São ainda referidos exemplos internacionais para ilustrar o impacto económico do fenómeno. Em Espanha, o custo associado à solidão terá atingido, em 2021, cerca de 14 mil milhões de euros, o equivalente a 1,17% do PIB. No Reino Unido, as empresas enfrentam custos anuais estimados em cerca de 3 mil milhões de euros, enquanto nos Estados Unidos o isolamento social de pessoas adultas mais velhas representa um acréscimo anual de cerca de 6 mil milhões de euros em despesas.

Retorno do investimento e estratégia integrada
A Ordem defende que a resposta ao problema deve envolver uma estratégia nacional integrada, abrangendo áreas como a saúde, a educação, o trabalho, o urbanismo e as políticas sociais, com foco no reforço das comunidades e na prevenção do isolamento.







