A ocupação como realidade permanente
Com o fim da guerra, Israel passou a controlar a Cisjordânia, Jerusalém Oriental, Gaza, o Sinai e os Montes Golã. O que inicialmente foi apresentado como uma situação transitória rapidamente ganhou contornos de permanência.
Na Cisjordânia e em Gaza, instaurou-se uma administração militar, com:
- controlo de fronteiras, recursos hídricos e circulação de pessoas;
- imposição de ordens militares sobre a população civil;
- expropriação de terras por razões de “segurança”.
Em Jerusalém Oriental, Israel avançou com a anexação unilateral, expandindo os limites municipais da cidade e aplicando legislação israelita — uma decisão não reconhecida pela comunidade internacional, mas central para a política israelita nas décadas seguintes.
O início da política de colonatos
Ainda no final dos anos 1960 surgem os primeiros colonatos israelitas nos territórios ocupados, inicialmente apresentados como medidas de segurança ou iniciativas ideológicas isoladas. Com o tempo, tornam-se uma política estruturante.
Os colonatos tinham várias funções:
- criar “factos consumados” no terreno;
- garantir profundidade estratégica;
- afirmar uma ligação histórica e religiosa à “Judeia e Samaria”, designação bíblica usada por setores israelitas para a Cisjordânia.
Este processo complicaria qualquer futura negociação, ao fragmentar o território palestiniano e criar uma população civil israelita sob proteção militar em áreas ocupadas.
Do choque árabe à reorganização palestiniana
A derrota de 1967 teve um impacto psicológico profundo no mundo árabe. A ideia de uma vitória militar conjunta sobre Israel revelou-se ilusória, levando a uma mudança estratégica.
É neste contexto que a OLP se transforma. Em 1969, Yasser Arafat assume a liderança, marcando uma viragem decisiva:
- a causa palestiniana passa a ser conduzida por palestinianos, e não apenas instrumentalizada por Estados árabes;
- a luta armada ganha centralidade;
- a OLP procura reconhecimento internacional como representante legítima do povo palestiniano.
O foco desloca-se progressivamente dos exércitos regulares para a guerrilha, sabotagem e ações transfronteiriças.
Setembro Negro: a Jordânia como campo de batalha
A Jordânia tornou-se, após 1967, o principal palco das operações palestinianas contra Israel. A presença crescente da OLP e de grupos armados começou, porém, a desafiar a autoridade do rei Hussein.
Em 1970, o conflito latente explode no episódio conhecido como Setembro Negro. O exército jordano confronta diretamente as forças palestinianas, resultando em milhares de mortos e na expulsão da OLP para o Líbano.
Este momento marcou:
- o fim da Jordânia como base principal da resistência palestiniana;
- o início do envolvimento profundo do Líbano no conflito;
- e uma nova dispersão da luta palestiniana pela região.
A Guerra de Atrito: conflito sem vitória (1967–1970)
Entre Israel e o Egito, o pós-1967 foi marcado pela chamada Guerra de Atrito, sobretudo ao longo do Canal de Suez. O objetivo egípcio era simples: desgastar Israel militar e psicologicamente, forçando concessões territoriais.
Bombardeamentos, escaramuças e ataques aéreos tornaram-se rotina. Embora Israel mantivesse superioridade militar, o custo humano e económico aumentava. O conflito terminou em 1970 com um cessar-fogo frágil, sem resolver a questão central: a devolução do Sinai.
Diplomacia bloqueada e a ambiguidade da Resolução 242
Apesar da Resolução 242 da ONU, os anos seguintes foram marcados por negociações indiretas, iniciativas falhadas e desconfiança mútua.
Os países árabes exigiam retirada total dos territórios ocupados; Israel insistia em fronteiras seguras e reconhecimento prévio. Nenhuma das partes estava disposta a dar o primeiro passo sem garantias concretas.
A comunidade internacional, dividida pela Guerra Fria, limitava-se a gerir crises, não a resolvê-las. O conflito congelava-se, mas não desaparecia.
O Líbano: novo palco da instabilidade
Após a expulsão da OLP da Jordânia, o Líbano tornou-se o novo centro das operações palestinianas. A fragilidade do Estado libanês e o equilíbrio delicado entre comunidades religiosas criaram um ambiente propício à instabilidade.
A presença armada palestiniana no sul do país gerou:
- ataques contra Israel;
- represálias israelitas em território libanês;
- tensões internas que contribuiriam para a futura guerra civil libanesa.
O conflito israelo-palestiniano passava, assim, a entrelaçar-se cada vez mais com crises regionais.

O caminho para uma nova guerra
No início da década de 1970, tornava-se claro que o statu quo era insustentável. Para o Egito e a Síria, a ocupação prolongada era politicamente intolerável; para Israel, a manutenção dos territórios parecia garantir segurança, mas ao custo de isolamento diplomático crescente.
As peças voltavam a mover-se no tabuleiro regional. Sob a superfície de cessar-fogos e negociações discretas, preparava-se um novo confronto — desta vez planeado com mais cuidado, menos retórica e objetivos militares limitados.
Esse confronto chegaria em outubro de 1973.
Referências
(seleção histórica e bibliográfica)
- Rashid Khalidi, The Iron Cage: The Story of the Palestinian Struggle for Statehood.
- Avi Shlaim, The Iron Wall: Israel and the Arab World.
- Benny Morris, Righteous Victims.
- Yezid Sayigh, Armed Struggle and the Search for State.
- Documentos das Nações Unidas, Resolução 242 e relatórios do pós-1967.
- Arquivos históricos sobre o Setembro Negro e a Guerra de Atrito.
Depois da vitória: ocupação resistência e diplomacia falhada (1967–1973)
Próximo episódio
(Guerra do Yom Kippur (1973) e à viragem estratégica que conduziria, anos depois, aos Acordos de Camp David.)


