Presidenciais’26: 52 anos depois, saberemos escolher?
No passado dia 18 o povo foi chamado a votar e fê-lo derrotando a abstenção e que quer relevar e saudar enquanto também e uma vez mais, derrotaram as sondagens que os “eurekas” das ‘tracking poll’ ousondagens diárias nos foram fazendo percecionar!
Bem se sabe que as sondagens vem sendo à muito um métodousado pelas TV’s para captarem público comercial, alienando a verdade dos factos. E digo alienando porque, cada vez mais, o voracidade e urgências da recolha de dados diária é realizado em universos mais reduzidos e afastado das grandes massas dos eleitores. Depois …foi o que se viu!
O povo votou e determinou que, nesta primeira volta os vencedores foram António José Seguro seguido de André Ventura nestas eleições presidenciais, as mais concorridas dos últimos 40 anos.
Analiso o candidato socialista, considerando que Seguro foi, talvez, a maior surpresa destas eleições porque começou por ser uma espécie de “patinho feio” do seu próprio partido, ao ponto de Augusto Santos Silva afirmar que “não reunia os requisitos mínimos sequer para se apresentar a votos”. Só faltou dizer-se que não podia ser Presidente por ser demasiado sério e honesto…

Numa campanha eleitoral que ficou marcada pela má-língua, António José Seguro foi o único, dos principais candidatos, que se colocou acima dessa baixeza e berraria, recusando entrar em bate-bocas quando ele próprio era visado simplesmente porque, para além de não ser a sua génese – a candidatura ao mais cargo da Nação – exige um perfil de candidatos que saibam distinguir esse cargo dos comícios nas feiras
Em plano contrário André Ventura veio confirmar que – tal como já havia dito em 2021 – não quer ser Presidente, mas sim levar o seu partido ao Governo ao mesmo tempo que, com as oportunidades dadas por Luís Montenegro, tenta congregar as “diferentes direitas” em torno da sua pessoa.
Como é óbvio irá, agora, tentar conquistar os eleitores de Cotrim e Marques Mendes, moderando o seu discurso, como já o começou a fazer de há algumas semanas para cá, tentando ser brando e fofinho, com a coelha Acácia ao colinho, ao mesmo tempo que esconde os cartazes sobre o Bangladesh e continuará a agitar o papão do socialismo a um eleitorado que foge dele como o Diabo da cruz, mesmo que não saibam explicar o porquê. O seu grande objetivo continua a ser o de ultrapassar o PSD em número de votos e continuar a tentar derrubar o partido que o criou e lançou, para tentar ser primeiro-ministro.

E os outros candidatos?
Bom o mediatismo de que Marques Mendes vinha imbuído impediu-o de perceber a verdadeira dimensão da sua popularidade. A sua inabilidade para esclarecer, de forma transparente, a ligação como facilitador de negócios foi-lhe, fatal. Igualmente a esta derrota está-lhe colada a de Luís Montenegro e do seu governo assim como de todos os que quiseram fazer de Marques Mendes o candidato de fação do PSD que, cada vez mais se afasta dos ideais sociais-democratas de Francisco Sá Carneiro. Nem o acompanhamento diário de Ministros e SE’s na campanha lhe valeram que, se recorda para memória futura, foram 13, sendo notória a ausência da (ainda) atual Ministra da Saúde …. para poder ganhar alguns votos?
E aqui abro um parêntese para dizer que este PSD está a cometer o mesmo erro que todo o centro direita europeu ao nunca – de forma clara – se ter afastado da extrema direita. Titubeando em cima do muro, dando uma no cravo e outra na ferradura (porque precisa do Chega para a pretensa aprovação à Legislação laboral, né?) assumiu algumas bandeiras na tentativa de impedir a fuga de votos e culpou a esquerda pelo surgimento e terreno ganho à direita sem olhar para dentro e perceber a culpa própria nessa galvanização. O PSD tem preferido colocar-se numa posição de colaboração pensando, do alto da altivez, que pode (podia!) controlar o avanço, ao invés de se posicionar como mais um combatente nos tempos em que ocorrem grandes transformações sociais, europeias e mundiais.
A derrota ocorre num contexto em que o partido lidera o Governo e poucos meses depois de uma grande vitória nas autárquicas. Ficarão por isso mesmo, por explicar que interesses motivaram esta escolha…
Como costuma dizer a minha Tia Efigénia “Vão pagar por isso…” ou melhor, vamos todos e os primeiros resultados aqui estão, digo eu!
Sobre o Almirante Gouveia e Melo; O barco afundou-se quando decidiu armar-se em político. Muito mal assessorado por muitas pessoas, de alguma forma, ligadas ao PS o que deverá merecer uma reflexão.
Sobre Cotrim de Figueiredo: acabou-se o liberalismo travestido de uma direita sequiosa de privatizar tudo e mais alguma coisa. Resta-lhe, se cumprir, ir fazer campanha nos tribunais ou escolher um caminho de lobo-solitário.
Aproxima-se o dia em que, sem desmobilização, voltaremos às urnas para em definitivo escolhermos o 21º Presidente da República, deste 1910.
E nesta 2ª volta a escolha parece-me clara porque para mim não é entre direita e a esquerda ou ideologias clássicas, mas sim entre um candidato de abertura e abrangência democrática representando a decência, a verdade e o sentido ético do que Democracia precisa e um outro candidato que, por vezes raia parecenças com as de um extremista demagogo e que vive da divisão permanente, do ruído e do conflito fazendo da política um espetáculo de ilusão.
O que está em causa é a qualidade da nossa democracia, a continuidade das nossas instituições e a coesão da nossa sociedade.
Por isso no próximo dia 8 de fevereiro (dia do meu aniversário), confio vir a receber como prenda a eleição de António José Seguro como o futuro Presidente da República Portuguesa para Todos, com Todos e por Todos.
– José Manuel Graça
Ex-Vereador na Câmara Municipal de Mafra,
Membro efetivo do CES – Conselho Económico e Social
Ex-Membro da Comissão Nacional do PS
Presidente da Direção de uma IPSS
Técnico de Contabilidade e Finanças

