REPARAÇÕES HISTÓRICAS!

Oliveira Dias
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A título de declaração de interesses, aviso, desde já, que nutro um profundo desprezo, por quem despreza a nossa pátria história, e faz dos nossos ancestrais, os maiores vilões, á luz dos actuais valores e princípios das nossas sociedades.

As gentes de que são feitos os hodiernos, não chegam, sequer, aos calcanhares de quem nos deixou o legado que temos.

Tenho o mais profundo respeito, orgulho e admiração na história de Portugal, nos nossos heróis, e assumo-a em toda a sua plenitude, tendo bem a consciência, que não passa de pura idiotice avaliar actos, á luz de princípios que na época nem sequer existiam.

Ao longo da nossa extensa história (a mais longa do mundo ocidental), tivemos detractores, traidores, como foi o caso de Viriato, assassinado pelos seus mais próximos, ou o sofrimento de D. Nuno Álvares Pereira, ao ver seus irmãos de sangue, filhos de seu pai, tomar partido por Castela, atraídos pelas prebendas do castelhano, nesse engodo arrastando muita da nata da nobreza portuguesa.

O período Filipino, cuja duração chegou a seis décadas, também fez sair dos armários alguns traidores, cujas terras e propriedades lhes encheu a lealdade.

Assim chegados ao século XXI, quem diria que seriamos surpreendidos com chagas abertas?

O senhor Presidente da República Portuguesa, arvorou-se em provedor dos países que Portugal inventou, sim, e esse pormenor é da maior importância, Portugal inventou, criou, do nada, países como Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, e Timor, os quais antes de serem países não passavam de territórios onde múltiplas tribos se digladiavam entre si, resultando, dessas guerras, em vencidos, logo tornados escravos, feitos pela tribo vencedora, os quais, mais tarde, eram vendidos ao homem branco.

E vai daí, declarou que o País a que Preside deveria fazer reparações, por causa da sua história, aos países colonizados por Portugal.

Portugal, NÃO colonizou nenhum País. A condição tribal, em que se achavam os povos africanos não era de molde a neles se identificar qualquer forma de estado, muito menos Reino ou país.

A haver algum tipo de reparação, o seu destinatário teria de ser, não o País a ou b, criado por Portugal, de modo artificial, na medida em que nenhum País da lusofonia africana apresenta uma unidade cultural, social, linguística, histórica ou tradicional, no seu seio, são, isso sim, uma criação política de Portugal.

Por essa razão, se outras não houvesse, esta bastaria para retirar qualquer pingo de fundamento na exigência por parte dos países africanos de língua oficial portuguesa, em requerer reparações.

Para ser minimamente aceitável, uma reparação histórica, teria de se extinguir esses Países, enquanto estados organizados, e volver á condição tribal original.

Como pode o Presidente Angolano afirmar que o povo angolano (se é que isso existe) luta desde o século XVI pela sua independência (imagine-se), esquecendo-se olimpicamente que por erro da descolonização o território de Cabinda, que nunca foi de angola, foi anexado ao território angolano, indevidamente, mas como tem petróleo Angola não o larga por nada deste mundo. Para ser coerente o Presidente Angolano tem primeiro de fazer justiça a Cabinda … e já agora  devolver ao povo de cabinda TODO o Petróleo que de lá sacou, neste últimos 50 anos.

Sem grande alarde, nas notícias, lá se soube, que dois países formalizaram, já, pedido de reparação histórica, a saber – Brasil e São Tomé e Príncipe.

São Tomé e Príncipe são duas ilhas povoadas pelos seus descobridores, os portugueses, ou seja, não tinha lá ninguém, aquilo era um pasto de cagarras e gaivotas, quando ali aportaram os portugueses em 1470. O que são hoje devem-no, exclusivamente, a Portugal, então impõe-se  a pergunta – tirando os direitos violados das cagarras e das gaivotas, que reparações querem mesmo?

O Brasil, então é de morrer a rir. Vejamos. O génio de um Rei Português, D. João II, conduziu à assinatura do tratado de Tordesilhas, pelo qual, Portugal e Espanha, dividiram o mundo entre si.

Portugal, no continente americano, ficou com uma pequeníssima faixa de terra do litoral do Brasil que conhecemos, banhado pelo oceano atlântico. Mas a acção dos destemidos portugueses, conhecidos como bandeirantes, capturou grande parte da selva amazónica, integrando-a no Brasil moderno.

Então, e é este Brasil, que vem agora pedir reparações? De quê? então eles que reparem primeiro as tribos amazónicas e devolvam quase 90% do seu território, pertencente originariamente a essas tribos, ficando, assim, reduzidos á indigência territorial. Depois venham falar connosco. E nessa altura que se apresente a esse brasil piquenino, a factura que nos custou o resgate aos holandeses, para nos devolverem os territórios por eles ocupados, durante o período filipino. Sim essa parte da história está escondida, mas a verdade é que o tesouro do trono português se depauperou de tal forma que se temeu pela nossa independência.

Não fosse um Rei Português ter deslocado a corte para o Brasil, e certamente nunca chegaria a ser o País que é hoje. Então … que reparações querem mesmo?

Agora, existem cerca de 700 mil portugueses, apodados de retornados, que foram espoliados de todos os seus bens, resultante, não de confisco, mas do fruto do seu trabalho, tendo esse esbulho ficado lá, nas africas. Reparações? Vejam lá, não sei se o petróleo angolano, ou o gaz moçambicano, dá para pagar o património que os portugueses lá deixaram … querem mesmo fazer contas?

A guerra colonial deixou feridas abertas, e ainda nos lembramos como começou a guerra colonial, com o massacre de colonos portugueses, homens, mulheres e crianças, esventradas sem, piedade, e quem a apoiou, e o que se seguiu foi o corolário natural do ciclo de violência que uma guerra fomenta, e esta estapafúrdia ideia do Presidente português veio, escarafunchar na ferida aberta, ressuscitando fantasmas, e para quê? com que objectivo?

Sabemos, a propaganda assim o ensina, que um escanda-lo obnubila-se, com outro, ainda maior … é o caso. Só pode, Claro.

Oliveira dias, Politólogo

Publicado no Semanário NoticiasLx:

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