A inutilidade do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa

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Em todas as eleições verificadas em Portugal, desde as primeiras ocorridas em 25 de abril de 1975, sempre votei à direita, ou em candidatos dessa área política, embora reconheça que durante o chamado PREC (Processo Revolucionário em Curso) o PS de Mário Soares, em conjunto com o então PPD de Francisco Sá Carneiro e o CDS de Diogo Freitas do Amaral, tenha tido um papel fundamental na defesa dos valores democráticos que triunfaram no movimento militar do 25 de Novembro.

A introdução feita vem a propósito de, apesar de ser militante do Chega, reconhecer que historicamente o PS e o PSD, são partidos relevantes e fundadores da democracia portuguesa, mas que com o desenrolar dos anos foram infiltrados e assaltados por muitos militantes cuja ambição primeira é um carreirismo político no sentido de ocupar todos os lugares disponíveis no aparelho de Estado.

Aliás, o aparelho de Estado começa a ser demasiado pequeno para tanta procura dos “boys” do PS e do PSD daí a necessidade de se fazer a regionalização de um pequeno país, à mercê de uma classe política medíocre e ávida de poder, unicamente com o intuito de se criar uma miríade de novos lugares políticos, em governos e parlamentos regionais, incluindo os indispensáveis assessores e similares, por exemplo, secretárias e motoristas, tudo à custa, de cada vez mais impostos, de quem trabalha ou trabalhou.

No meio deste pântano os partidos tradicionais da direita portuguesa, pactuam há demasiados anos com este estado de coisas e são inconsequentes no modo de fazer oposição, como é o caso do PSD, ou soçobraram face às suas lutas fratricidas, como é o caso do CDS.

Face a este cenário o Chega, é considerado pelo eleitorado, cada vez mais, como um partido político, de alternativa à maioria absoluta do PS, seja como integrante ou como líder de um próximo Governo, o que está a assustar, não só toda a esquerda, mas também a direita instalada no atual sistema.

O crescimento do Chega está a assustar a clientela política do regime, porque todos os outros partidos do sistema, desde a direita, à esquerda, têm, em comum, a preocupação de perderem os milhares de lugares de nomeação que os seus “boys” ocupam no aparelho de Estado, muitos deles sem a necessária competência, o que tem levado Portugal para o atual pântano social, económico e político em que se encontra.

Aliás, as combinadas e patéticas cenas recentemente protagonizadas pelo Primeiro-Ministro, António Costa, e pelo Ministro das Infraestruturas, João Galamba, mais não são que um esforço desesperado para a sobrevivência do próprio PS, que pretende forçar eleições antecipadas, a todo o custo e com a máxima urgência, antes que a situação política se degrade, ainda mais do que já está, e que faça implodir, a médio prazo, o atual Governo, levando, nessa altura, o eleitorado a escolher uma maioria de direita para liderar os destinos de Portugal. 

O que é de estranhar é que o Presidente da República, esse sábio e mestre em assuntos partidários e experiente analista político, no primeiro round do caso João Galamba, tenha sido completamente enganado pelo Primeiro-Ministro, que mais uma vez se revelou, um experiente e manhoso jogador de baixa política, infelizmente, sempre em prejuízo dos portugueses.

Veremos o que acontecerá nos próximos rounds, mas uma certeza já temos, esta zanga de comadres, entre o Primeiro-Ministro e o Presidente da República, até estar sanada, com toda a certeza que originará sérios problemas ao regular funcionamento das instituições do Estado português.

É caso para dizer que, no caso João Galamba, o aluno, António Costa, usando uma terminologia futebolística, por enquanto, está a golear por elevado score, o professor, Marcelo Rebelo de Sousa.

Neste momento crucial da vida política portuguesa é absolutamente imperioso que Marcelo Rebelo de Sousa, abandone o parolo entretenimento das selfies e as inúteis viagens ao estrangeiro, e se dedique, sem distrações, a resolver, rapidamente, a grave crise política instalada em Portugal, intencionalmente desencadeada por António Costa, no único interesse do PS.

Marcelo Rebelo de Sousa, eleito por sufrágio direto e universal, logo com a legitimidade do voto dos portugueses, já teve a oportunidade, nesta crise política, de mostrar a utilidade do Presidente da República, afastando de vez, o papel de completa inutilidade que tem tido até ao momento, mas, infelizmente, tudo se manteve na mesma, como o demonstra o discurso redondo e pífio proferido no Palácio de Belém, na passada quinta-feira, dia 4 de maio de 2023.

Não é de todo admissível que o Presidente da República, caia redondinho na armadilha habilmente tecida e montada, nos últimos anos, pelo Primeiro-Ministro, de considerar que o Chega deverá estar fora do arco da governação, apesar da sua atual representação na Assembleia da República e das sondagens que lhe dão um significativo crescimento eleitoral.

Marcelo Rebelo de Sousa, enquanto Presidente da República, não pode embarcar nestas aventuras antidemocráticas de desconsiderar o Chega, partido político do arco constitucional e com assento no Parlamento, devendo, isso sim, respeitar a vontade popular que os portugueses venham a manifestar em próximas eleições para a Assembleia da República.

O mais surpreendente de todo este imbróglio instalado na política portuguesa é o facto de António Costa também ter conseguido, com assinalável êxito, condicionar a autonomia estratégica do atual Presidente do PSD, Luís Montenegro, que também já caiu na armadilha de dizer publicamente que não governará com o Chega.

Marcelo Rebelo de Sousa depois de continuar reiteradamente e, fê-lo, outra vez, na passada quinta-feira, a ameaçar, velada e explicitamente, a dissolução da Assembleia da República, sendo, também, nesse particular aspeto, um importante agente de permanente instabilidade política, teve nesta crise a oportunidade de concretizar o que andou a dizer e, não o tendo feito, assumiu o papel da picareta falante do regime, mas a quem ninguém liga coisa nenhuma.

Fernando Pedroso
Deputado Municipal do CHEGA na AMO

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