Nos 50 anos do 25 de Abril, a taxa de risco de pobreza é de 42%

Fernando Pedroso
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Nos meus 20 anos de idade vivi o dia 25 de Abril com grande alegria e esperança no futuro, tendo a consciência plena que a II República corporizada pelo Estado Novo há muito que estava moribunda, interna e externamente, apesar dos esforços de modernização social e de liberalização política da chamada “primavera marcelista” que, contudo, não foi capaz, ou não quis, descolonizar e democratizar o país.

Outra situação que vivi entusiasticamente, nessa época, foi a primeira comemoração do Dia do Trabalhador, em 1 de maio de 1974, em que numa esplendorosa tarde de primavera, cerca de um milhão de pessoas desfilaram em Lisboa, entre a Alameda Dom Afonso Henriques e o então Estádio da Fundação Nacional para a Alegria do Trabalho (FNAT), hoje Estádio 1.º de Maio, destacando-se a presença de muitos sindicalistas e oposicionistas ao regime político deposto.

É público e notório que no panorama político português estou situado à direita, onde, aliás, me radiquei, pouco tempo após o 25 de Abril, ainda durante o ano de 1974, embora em 1972/3 tenha frequentado convictamente ambientes conspirativos contra o Estado Novo, o que faz parte do meu acervo cultural e de vida.

A referência ao facto de praticamente em toda a minha vida adulta ser de direita, não me impede de enaltecer e dar vivas ao 25 de Abril, que pertence ao Povo português no seu todo e nas suas diferentes idiossincrasias, não sendo propriedade nem dos militares que teimosamente o reivindicam, como é o caso do Coronel Vasco Lourenço, nem de uma certa esquerda militante que se arroga no direito de apagar das memórias desse tempo as tentativas, felizmente falhadas, de introduzir em Portugal uma ditadura de influência soviética.

Neste artigo sobre o 25 de Abril é oportuno evocar todos aqueles que lutaram corajosa e estoicamente, a favor da instauração da democracia em Portugal, muitos deles com o sacrifício da própria vida, sendo justo que nas comemorações dos 50 anos do 25 de Abril se faça uma referência digna a esses heróis muitos deles anónimos, mas que também merecem ser lembrados e homenageados.

Nestas comemorações dos 50 anos do 25 de Abril falta a encomenda a um naipe de reconhecidos historiadores independentes, não engajados a visões sectárias, de trabalhos académicos sobre a cronologia e a interpretação das várias fases do início da III República, nomeadamente, até ao 28 de setembro de 1974, com as públicas dissidências no Movimento das Forças Armadas (MFA), depois o 11 de março de 1975, com início do Processo Revolucionário em Curso (PREC) e finalmente o 25 de novembro de 1975, com a caminhada para um sistema político democrático e pluralista.

Do que não há dúvida é que o 25 de Abril, para além dos valores supremos da democracia e da liberdade, abriu fundadas expetativas de uma vida melhor para os portugueses, o que, aliás, se verificou em inúmeras áreas, nomeadamente, na educação, com a massificação do ensino, incluindo o de nível superior, na saúde e nos direitos das mulheres que no Estado Novo só poderiam trabalhar com autorização dos maridos, não podendo ser juízas, diplomatas ou polícias e sendo enfermeiras e hospedeiras não podiam casar.

Uma área de grande impacto positivo com o 25 de Abril foi o Poder Local que se desenvolveu de forma consistente em benefício das populações de que o saneamento básico é um exemplo paradigmático.

A respeito do Poder Local a minha provecta idade permite-me o distinto orgulho de ter sido eleito, nas primeiras eleições autárquicas, em 12 de dezembro de 1976, para uma Assembleia de Freguesia, na circunstância a de Caneças, que então pertencia ao Concelho de Loures.

Contudo, nos 50 anos do 25 de Abril, não se pode branquear o grande e preocupante passivo social existente no país, demonstrativo do falhanço dos partidos políticos que, nos últimos 30 anos, têm governado Portugal, ou seja, do PSD, com ou sem coligação com o CDS, e do PS, com ou sem a geringonça do PCP e do BE.

O grande passivo social que se verifica atualmente em Portugal tem de ser enfatizado e a sua demonstração deveria fazer parte das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, acreditando que, pelo menos, os deputados do CHEGA na Assembleia da República prestarão esse enorme serviço à democracia e ao pluralismo democrático.

Os partidos políticos que têm governado Portugal deveriam ter vergonha de 50 anos após o 25 de Abril apresentarem um país, com uma taxa de risco de pobreza, antes e depois de transferências sociais, respetivamente de 42% e 21%, o que representa milhões de portugueses a viverem em condições inaceitáveis em pleno século XXI, hipotecando o futuro pátrio e o seu desenvolvimento social e económico.

A estratégia de manter milhões de portugueses pobres e dependentes de apoios sociais, sem serviços públicos adequados e de qualidade, nomeadamente, na saúde e nos transportes, é um clamoroso falhanço da III República e dos partidos que têm feito parte do arco da governação.

Mais de mais de 1 milhão e 100 mil de eleitores, confiaram no CHEGA, para uma mudança do paradigma governativo de Portugal, o que ainda não foi possível face aos cercos antidemocráticos existentes, mas que os seus 50 deputados, simbolicamente eleitos no ano dos 50 anos do 25 de Abril, saberão romper a bem dos portugueses.    

– Fernando Pedroso, Líder da bancada do CHEGA na AMO e Adjunto do Conselho de Jurisdição Nacional do CHEGA

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