Portugal perde posições no ranking mundial da corrupção e prolonga queda iniciada em 2022
Portugal voltou a perder posição no Índice de Percepção da Corrupção (CPI) de 2025, divulgado pela Transparency International, ao registar 56 pontos e cair para o 46.º lugar entre 182 países avaliados. A descida confirma uma trajetória negativa iniciada há três anos e mantém o país abaixo da média da União Europeia.
Queda prolonga tendência iniciada em 2022
O resultado representa menos um ponto face a 2024 e uma perda de três posições no ranking global. Apesar de continuar inserido no grupo da Europa Ocidental — a região com melhores classificações a nível mundial — Portugal permanece entre os desempenhos mais baixos deste espaço.
Os dados mostram um declínio gradual desde 2022, ano em que o país registava 62 pontos. Desde então, a pontuação tem vindo a diminuir, refletindo avaliações menos favoráveis em vários indicadores que compõem o índice internacional.
Segundo a análise associada ao relatório, a evolução negativa está relacionada com fragilidades persistentes na prevenção da corrupção, na transparência institucional e na eficácia dos mecanismos de fiscalização do exercício de funções públicas.

Implementação das políticas continua sob escrutínio
Embora tenham sido aprovadas alterações legislativas nos últimos anos, a perceção internacional aponta para dificuldades na aplicação prática das medidas anticorrupção. A ausência, neste momento, de uma Estratégia Nacional Anticorrupção em vigor é identificada como um dos fatores que limita a coordenação das políticas públicas nesta área.
O índice avalia sobretudo a percepção de especialistas e executivos sobre o nível de corrupção no setor público, sendo construído a partir de várias fontes independentes. A escala varia entre 0 pontos, correspondente a elevada perceção de corrupção, e 100 pontos, associado a níveis elevados de transparência.
Europa mantém liderança, mas com sinais de desgaste
A nível global, o CPI 2025 indica uma tendência de estagnação no combate à corrupção. A média mundial desceu para 42 pontos, o valor mais baixo da última década, e cerca de dois terços dos países avaliados continuam abaixo dos 50 pontos.
A Dinamarca mantém a liderança do ranking, com 89 pontos, seguida da Finlândia, Singapura e Nova Zelândia. Em contraste, países com instituições mais frágeis ou regimes autoritários concentram os piores resultados.
Apesar de continuar a ser a região mais bem classificada, a Europa Ocidental e a União Europeia registaram uma descida da média regional de 66 para 64 pontos desde 2012, sinalizando dificuldades crescentes na aplicação efetiva das normas de integridade pública e na responsabilização política.

Nova diretiva europeia tenta harmonizar combate à corrupção
Em dezembro de 2025, a União Europeia aprovou a primeira Diretiva Anticorrupção destinada a harmonizar legislação penal entre Estados-Membros. O diploma estabelece padrões mínimos comuns, mas o seu alcance dependerá da forma como cada país transpor as regras para o direito nacional.
O relatório sublinha que melhorias sustentadas exigem continuidade política, reforço institucional e mecanismos eficazes de controlo e prestação de contas, apontando que a evolução futura dependerá da capacidade dos Estados em transformar enquadramentos legais em resultados práticos.
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Fonte: Transparência Internacional

