WRX… E quando o ouro não precisa de ser muito reluzente
E lemos no ditado popular: “Nem tudo o que reluz é ouro” … Mas também não será menos verdade afirmar que há ouro que não necessita de ser muito reluzente para ser valioso. A versão WRX do modelo Impreza da Subaru não necessita de reluzir à primeira vista para ser uma verdadeira joia da indústria automotriz. Garanto que é uma delícia conduzir a subversão ST, agora “tS” nos EE. UU.; sim, porque as quatro versões WRX apenas se encontram sujeitas a encomenda em alguns países europeus, particularmente entre os Estados Membros. Fundamentalmente, há marcas que não se dispõem a percas económicas por insistir, vender veículos térmicos com muitos cavalos. A Subaru, no território da União Europeia apenas vende – oficialmente – versões de 4 modelos híbridos (HEV), plug-in (PHEV) ou 100% eléctricas (BEV ou VE). No fundo, a marca segue a trajetória do seu maior accionista, a Toyota Motor Company que detém 20% do seu capital social, desde 2019 e assenta as vendas na politica obsessiva ‘todos obrigados a ser radicalmente ecologistas’, ou seja, anti-CO2 que nós próprios libertamos em maior quantidade diariamente só por respirarmos.

No essencial a sobrevivência da indústria Ocidental na Europa assenta no ‘Just in time ‘(JIT) – filosofia de gestão de produção e logística que determina que materiais, peças ou produtos finais sejam produzidos, transportados ou comprados exatamente na hora necessária, nem antes, nem depois -, tal como vivem os países mais débeis ou enfraquecidos sob os pontos de vista social e económico, onde é um tremendo risco investir a médio prazo.
O Subaru WRX – presentemente apresentado à parte das versões ‘Impreza’, porque estas têm agora duas versões, ambas com carroçaria de 2 volumes do estilo shooting brake com motor ‘boxer’ de 2,5 litros e 180 CV – é uma espécie de exemplo de humildade para os 100% elétricos com equivalência a centenas de ‘cavalos’ de potência que apenas conseguem enormes desempenhos em linha recta… Por que não se dão – em alguns casos, mesmo nada bem – percorrer estradas sinuosas. Em descida é uma aflição para alguns modelos. Os SUV com mais de duas toneladas são como que aquelas crianças que se desequilibram quando iniciam uma corrida.

A Subaru coloca o WRX no grupo restrito dos automóveis com motores térmicos que primam pela simplicidade e prazer de condução: recorda-me os desportivos mais espartanos como o Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio, Ford Mustang 5.0, Maserati GranTurismo, Porsche 911 Carrera, Toyota GR Supra, Lexus IS 350 ou 500 F Sport.
(…) E faço um parêntesis para me surpreender com a Porsche – a marca mais desportiva titubeada aos electrificados – que voltou a fazer um superdesportivo digno: ‘911 Carrera T’, um hino à ao automobilismo do “grande turismo”.
Actualmente, o WRX é o caso mais sério – talvez o melhor – para se conduzir numa estrada alternativa com muitas curvas, com bom ou menos bom asfalto ou enlameada. ¡Não tem concorrentes! A Subaru constrói-o baseado numa engenharia baseada em décadas de experiência: conjunto chassis, motor BOXER sobrealimentado, lendário sistema de tração integral Symmetrical AWD, suspensões e direcção são praticamente irrepreensíveis. Veem-me à memória os saudosos Lancia Super Delta de 1992 e o Mitsubishi Lancer Evolution I, ambos de 1992. (…) E neste último caso a marca japonesa chegou ao ‘Evolução X’, uma décima evolução que foi apresentado em dezembro de 2007 como versão de 2008 e cuja produção terminou no final de 2015.
WRX encontra-se no grupo restrito dos automóveis com motores térmicos que primam pela simplicidade e o gozo de conduzir, no literal do termo. É construído baseado numa engenharia com décadas de experiência: Conjunto chassis (com barra anti capotamento incorporada), motor sobrealimentado de injeção direta SUBARU BOXER® de 2,4 litros com 271 CV, lendário sistema de tração integral Symmetrical AWD, transmissão manual de 6 velocidades, suspensão ajustável STI e direcção, são praticamente irrepreensíveis. Mas a versão GT pode ser adquirida com a ‘Subaru Performance Transmission’, uma transmissão automática CVT extraordinariamente desportiva, mas suficientemente ‘confortável’ para os maiores de idade que não abdicam de conduzir com o desejo de uma caixa manual e de o fazerem com a destreza que impõe um WRX num trajecto tortuoso.

De qualquer modo, a variante GT é a que mais nos impacta: possui uma transmissão de 8 velocidades de alta recuperação, com controle automático que proporciona mudar a marcha de modo manual, sem embraiagem, portanto em modo sequencial. É, porventura, a lógica de nos divertirmos mais ao volante: ‘subir’ ou ‘descer’ a marcha, com uma resposta mais rápida e inteligente aos nossos movimentos do condutor sobre uma transmissão automática. Chega a ser fulgurante dar quase tudo numa subida dos 100 aos 850 metros de altura em escassos 11 quilómetros. Basta escolher a estrada e o horário ideal. Obviamente que para o comum dos condutores, adeptos da coisa automóvel, basta a posição de condução entre ‘Recaro’, a solidez, a sensibilidade do acelerador, o ruído(zinho), a rigidez – bastante confortável porque o modelo é construído sobre a plataforma global Subaru VB, desde 2023 – e, pois claro, o arranque desde logo.
No entanto, a marca japonesa tem o modelo WRX como um “Impreza” de três volumes, portanto um automóvel familiar – mais apto para 4 lugares -, conseguindo-o principalmente na variante GT, onde conseguimos modificar a manobrabilidade, pela gentileza dos amortecedores que podemos controlar electronicamente desde um botão no interior. O WRX GT não é o actual ‘tS’, ex.‘ST’, menos refinado desenhado para gente com maior dexteridade: é, em todo semelhante aos Mazda que utilizam a sua tecnologia Skyactiv, uma abordagem sistémica de engenharia que optimiza motores, transmissões, chassis e carroceria para aumentar a eficiência de combustível e reduzir emissões sem que se perca o contentamento pela condução. Para a maioria das marcas japonesas – embora a indústria apresente cada vez maiores inovações no âmbito da condução autónoma – deve preservar-se o entusiasmo pela essência automobilística, mesmo enquanto símbolo e sinónimo de mobilidade.

Neste automóvel, o tal ‘ouro não reluzente’ – em minha opinião – está no extraordinário sistema de tracção integral Symmetrical AWD que permite corrigir facilmente quase todos os erros de condução quando exageramos. Presentemente a Subaru está só: os concorrentes mais directos nos EE.UU. e na Europa não têm este sistema, como no Grupo Volkswagen (VW Golf GTI e Audi A4), Hyundai Elantra N, Mercedes e Honda, com o seu Civic Si. Mais brilhante é sabermos que 95% dos exemplares deste desportivo vendido desde 2016 ainda circulam, alguns com muitas dezenas de milhares de quilómetros. A qualidade vais além da mecânica: chassis e carroçaria são muito bem construídos e o controlo de qualidade garantido pela homogeneidade do fabrico, apenas no Japão (fábricas matrizes) e nos Estados Unidos, em Lafayette, Indiana, operada pela Subaru of Indiana Automotive, Inc.. Desde 2019, a Toyota Motor Company é o maior accionista com 20% do capital.
A Subaru constrói quatro versões WRX com as mesmas características essenciais: ‘Premium’, ‘Limited’, ‘GT’ e ‘tS’. Todas dispõe dos actuais e vulgarizados equipamentos m-play, também de GPS e as três versões mais caras até oferecem um sistema de som entregue pela famosa Harman Kardon. Nas versões ‘GT’ e ‘tS’, os assentos são em pele. Em todas as outras, o tablier é takumi forrado parcialmente a pele e as costas do banco traseiro são rebatíveis (1/3; 273), embora seja um automóvel de 3 volumes, ou seja, habitáculo do motor, dos passageiros e exclusivo para bagagem.
Nos EE.UU. é possível adquirir um WRX entre os 34 e os 45.000 dólares. E os extras ou opcionais disponíveis não são muitos tal como as marcas japonesas nos habituaram desde sempre, salvo algumas pequenas excepções.

O WRX tornou-se num ícone na história do WRC – categoria mais destacada do Mundial de Ralis – baixo a designação Impreza STi: Foi dos maiores dominadores da competição, pós Lancia, entre 1993 e 2008: Três títulos de Construtores, em 1995, 1996 e 1997; outros tantos de Mundial de Pilotos, com Colin McRae (1995), Richard Burns (2001) e Petter Solberg em 2003. E soma 46 vitórias em Mundiais. Este fenómeno consolidou a Subaru como referência técnica porque utilizou o que vende desde 2023: um automóvel de passageiros entre os melhores desportivos com motor BOXER de 4 cilindros, com 271 cavalos, um chassis redesenhado para incorporar barra anti capotamento e a celebrizado sistema de tração integral Symmetrical AWD, com uma transmissão manual de 6 marchas ou automática de 8 velocidades construída pela própria marca, incluindo a versão automática do tipo Lineartronic® CVT.
– por José Maria Pignatelli (Texto não está escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico) Fotos de José Maria Pignatelli e Subaru of Indiana Automotive

