“As long as it takes” 2024

Oliveira Dias
Publicidade
publicidade

As long as it takes

«É necessário deixar, de uma vez por todas, muito claro que a Ucrânia não vai só ter o apoio até que seja necessário, a Ucrânia vai ter o apoio até que prevaleça sobre a Rússia», afirmou o Primeiro-Ministro Luís Montenegro

Não sou especialista em assuntos de Política internacional, geopolíticos, ou de estratégias, tácticas e operações de natureza militar, como as que decorrem um pouco por todo o planeta, com especial destaque, promovido pela comunicação social, das guerras da Ucrânia e da Palestina.

Não me vou debruçar na hipocrisia que descaradamente alguns protagonistas exibem, quando condenam veementemente uma, dada a invasão de território alheio, e as violações ao direito internacional e pior, ao direito humanitário, mas simultaneamente, apoiam denodamente a outra, aí, já não importando se quem apoiam também invadiu território alheio, e também violam o direito internacional e o direito humanitário.

Também não vou perder tempo na origem do problema, de ambas as guerras, pois quanto ao “clik” que despoletou a guerra da Ucrânia já falei sobejamente sobre o assunto, e até chamei já à colação um artigo de opinião do saudoso Mário Soares, publicado em 2008, onde previu tudo isto, face, à sua constatação, do erro em que se metia a NATO, ao avançar direito à Rússia.

Não. Vou apenas dar aqui a minha percepção dos factos e fazer alguma especulação, sem tomar partido, por qualquer das partes, e muito menos, sem me preocupar com a justiças, ou falta dela, porque em matéria internacional, não conta a justiça, mas sim os interesses conjunturais de cada País.

Imaginem, o seguinte: se um País, precisar de se afirmar no cenário internacional, e para tanto tiver de largar duas bombas atómicas para subjugar um outro País, e ao mesmo tempo mostrar aos restantes que não vale a pena veleidades, esse país falo-à, Hiroshima e Nagasaki que o digam.

Não há Tribunal Internacional que puna, quem pugna pelos interesses geo-estratégicos da sua nação. Os exemplos são muitos. O resto é conversa.

O que aqui vou fazer, de forma simples, é especular um pouco sobre a actualidade e demonstrar, pelo menos tentar fazê-lo, por que razão acho um imenso disparate, quando a frase em título, é utilizada, gratuitamente, por pessoas com demasiadas responsabilidades pelo mundo.

As long as it takes – A Teoria dos Jogos

Para tanto vou convocar a “Teoria dos Jogos”, um exercício de gestão que ajuda a prever cenários.

Na Teoria dos jogos existem pelo menos os seguintes cenários: “win/Win”, onde todas as partes ganham, é o cenário mais feliz, tudo acaba bem, para todos, Aqui o principal instrumento é a “colaboração mútua”, e costuma ser teatralizada, com o dilema do prisioneiro;

Lose/Lose”, fica nos antípodas do anterior, todos perdem, é a desgraça total, o único instrumento é o armagedão;

Win/Lose”, neste cenário um ganha o outro perde, é o cenário menos mau, mas longe de ser bom, para as partes. Neste cenário só conta a capitulação de uma das partes. Um bom exemplo foi como soçobrou o Japão, na segunda grande guerra, ficando subjugado á suzenaria dos EUA, assim como as Filipinas, países que ficaram sob protetorado dos EUA, até muito recentemente. Da mesma forma a Alemanha, ao capitular, foi espartilhada entre os EUA, Grã-Bretanha, URSS e França, ficando sob protetorado, durante muitas décadas.

No caso da Ucrânia, cujo apoio das forças da NATO é feito ás claras, e a propósito desse conflito, o ocidente clama aos sete ventos que o seu apoio e envolvimento será feito “as long as it takes”.

Especulando, afigura-se de uma cristalina evidência, que o cenário Win/Win está liminarmente afastado, pois não se vê como a Rússia e a Ucrânia, se possam entender, colaborando para uma solução, na medida em que a Ucrânia e os seus apoiantes acreditam na capitulação da Rússia.

Isto conduz-nos ao segundo cenário o lose/lose, e a razão é simples, uma vitória, no campo de batalha da Ucrânia sobre a Rússia, levará este País, detentor do maior arsenal nuclear do mundo a reagir com todo o seu arsenal. Putin já o declarou, uma vitória do ocidente, na Ucrânia, coloca directamente em crise a existência da nação russa, afinal se a queda do muro de Berlim em 1989, conduziu á desagregação da URSS, um dos maiores objectivos do ocidente naquela época, o objectivo seguinte, é naturalmente a desagregação da Federação Russa, e assim o domínio total do planeta pelo ocidente, e isso os Russos, não vão aceitar nunca.

Assim é fácil prever que uma derrota militar convencional para os russos na Ucrânia, levará a uma chuva de misseis Russos, com ogivas nucleares, tácticas e estratégicas, sendo que as tácticas visarão a Ucrânia, Finlândia e a Suécia, limpando os vizinhos, de forma terminal, e as ogivas estratégicas visarão o resto da Europa, começando pelos países que albergam ogivas nucleares americanas (a Alemanha, a Bélgica, e a Itália, ficando de fora a Turquia, por ser visto como País amigo).

Os submarinos nucleares russos equipados com misseis (vectores), transportando ogivas nucleares múltiplas, cuja velocidade (cerca de 10 mil kilómetros hora) os tornam impossíveis de ser interceptados, afundarão toda a frota de porta aviões americanos, caso os EUA respondam aos ataques russos na europa, e isso será incontornável á luz do artigo 5º do tratado Nato.

Aqui entrarão em acção os misseis intercontinentais, de ambos os lados (EUA versus Rússia), porém quando os misseis americanos atingirem a Rússia a Europa já não existirá. Daí chamar-lhe o armagedão.

Face a isto resta-nos, de acordo com a teoria dos jogos, o cenário de win/lose, ou seja a capitulação, não da Rússia, porque o corolário seria passar ao cenário de lose/lose, mas da Ucrânia.

A capitulação da Ucrânia não espoletará uma reacção nuclear do ocidente, porque em bom rigor a Rússia não está em guerra com o ocidente, e o artigo 5º do tratado do atlântico norte não pode ser invocado.

Tem vindo a ser cultivada a ideia, e nas nossas televisões isso é patente numa base diária, que uma vitória Russa na Ucrânia colocaria a segurança da europa em risco. Só ninguém explica o que levaria Putin a meter-se com países NATO, sabendo que isso redundaria no cenário lose/lose. Ora Putin pode ter muitos defeitos, mas estúpido não parece ser.

A NATO logrou chegar onde chegou, excepto à Ucrânia e à Bielorrússia, dois territórios considerados a última linha pela Rússia, a qual se ultrapassada, redundaria no desaparecimento da Federação Russa, permitindo assim controlar melhor pequenos territórios.

E é este jogo de interesses geo-politicos que está em causa, fazendo com que a expressão “as long that it takes”, uma patetice ignominiosa, pois a ser levada a sério, conduz ao armagedão, pelo menos da europa.

A irreversibilidade da adesão da Ucrânia à NATO, saída da cimeira em Washtington está ao mesmo nível da idiotice reinante, aliás na linha daquela gague de Biden chamar a Zelensky, de Putin, mesmo na cara dele, ou ainda de dizer que escolher Trump, para seu vice-presidente foi coisa acertada.

Só espero que o homem não confunda o botão da bomba nuclear, com o botão da campainha de casa. Aí estamos feitos.

Se estas coisas não fossem tão sérias era de nos mandarem ao chão a gargalhar até doer.

Oliveira Dias, Politólogo

Outros artigos de Oliveira Dias

A Ucrânia – Breve História

Publicado no Semanário NoticiasLx:

Partilhar este artigo
Publicidade
publicidade

Relacionados

  • |

    ZELENSKY: quando a máscara, cai!

    Leituras: 151 Publicidade “Esperamos que essa pessoa (Viktor Órban) não bloqueie esse empréstimo. Caso contrário, daremos o endereço dessa pessoa às nossas Forças Armadas, aos nossos soldados. Que lhe telefonem e falem com ele na sua língua (a das forças armadas”. A verdade é como o azeite, cedo ou tarde virá sempre ao de cima,…

  • Z A R C O / C O L O M B O / X P O F E R E N S

    Leituras: 204 Publicidade 1. ‘Colón ADN, su verdadero origen’ A Televisão Espanhola, exibiu, no dia 12 de Outubro de 2024, com muita pompa, um documentário, relativo ao anúncio mundial revelando a verdadeira identidade de Cristovão Colombo, num processo envolvendo estudos e análises ao ADN, daquela proeminente figura histórica, levadas a cabo por uma equipa liderada…

  • “Vidrinhos”

    Leituras: 225 Publicidade Tem-se vindo a acentuar na sociedade portuguesa uma espécie de “status quo” que cultua uma forma de encarar as vicissitudes da vida politica, e não só, mas sobretudo no “mundus” politico, uma postura de hipersensibilidade, perante contrariedades, de que no meu tempo de moçoilo se apodava de “mariquinhas” ou “pé de salsa”,…

  • |

    Vergonha Alheia…

    Em semana de presença do Presidente da Republica Ucraniana em sessão solene da Assembleia da Republica, com a participação do Presidente da República, Marcelo Rebelo Sousa e do Primeiro Ministro, António Costa, assistimos ao episódio mais triste, provavelmente desde o… Conteúdo reservado a assinantes Este artigo faz parte do arquivo premium do NoticiasLX. O acesso…

  • Venezuela

    Leituras: 136 Publicidade Venezuela 2024 Por norma, já o expliquei anteriormente, não gosto de referir nomes de “concorrentes”, mas neste caso, Sebastião Bugalho, deixou de ser um concorrente jornalístico, quando abraçou a confortável carreira política em Bruxelas, razão porque desta vez, e no seguimento de uma entrevista que deu num canal de televisão, motivou esta…

  • “Vemos, ouvimos e lemos Não podemos ignorar …”

    Deste jornal online regional, de seu nome “Noticias LX”, recebi o convite, na qualidade de Vereador da Câmara Municipal de Mafra eleito pelo Partido Socialista, entre outras funções onde desempenho funções de representação institucional e sociais para vir a colaborar,… Conteúdo reservado a assinantes Este artigo faz parte do arquivo premium do NoticiasLX. O acesso…