25 de Novembro …

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À falta de assunto, agora uma data foi escolhida para nova centralidade temática, na política caseira.

Antigamente havia uma “coisa” que eram as carpideiras de serviço, assim uma espécie de profissionais do choro, para indigentes jacentes sem ninguém que os chorasse.

Analogamente, na política, existe algo parecido, especialmente quando na falta de assunto, vai-se ao baú, e tira-se de lá um qualquer assunto que agite as águas.

Confesso, que em matéria de celebrações, o 25 de Novembro nunca me disse grande coisa, a não ser um episódio, entre muitos, do período turbulento do nascimento da nossa democracia, graças a uma data, essa sim, demasiado importante para ser ignorada – o 25 de Abril.

Isto traz-me à memória, a minha passagem, pessoal e profissional, por terras da pérola do atlântico, quando tendo em mãos a elaboração de um regulamento de protocolo municipal, fui confrontado com a resistência e até a oposição á inclusão de uma data a celebrar, com a pompa e circunstância que a mesma reclamava – o célebre 25 de Abril.

Imposições de um todo poderoso, lá da ilha, vulgo AJJ, para quem apenas a data da criação da Região Autónoma era licita ser celebrada.

Mesmo observando, ingenuamente convencido de lograr inverter aquele absurdo, dever-se precisamente à revolução do 25 de Abril, a existência das autonomias regionais, tão queridas, por aqueles lados, nem assim a vetusta imposição abanou.
Isto foi em 2006.

Em 2023, o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, resolve dar “palco” a uma data, ainda por cima, longe de recolher uma sensata unanimidade, numa atitude que se não é, parece, e muito, um colocar-se em bicos de pés, para dar nas vistas. Roça o perfeito disparate.
Se um Presidente de Câmara quiser celebrar, com toda a dignidade a data da publicação da Constituição da República Portuguesa, em 1976, que CONSAGROU, pela primeira vez na nossa história, um Poder Local, escorado nas autarquias locais, então seria louvável, mas ainda assim, sem obliterar o 25 de Abril, afinal a data em que tudo mudou, em Portugal.

Assume, pois, foros de insensatez, injustiça, e alguma cegueira, a atitude do Dr. Carlos Moedas, mesmo entendendo isso na perspectiva de ter segundas intenções no que á vida interna do seu partido diz respeito.

Já no Parlamento, é a Iniciativa liberal (IL), quem mais ruído faz á volta de uma data, e as declarações de uma sua dirigente, relativamente á agenda de celebrações da Assembleia da República, é o paradigma da baixa política.

O plano de celebrações foi acordado por unanimidade por todas as bancadas, há já algum tempo, não tendo sido prevista, nem proposto por ninguém, o 25 de Novembro, incluso pela IL, e agora, estes, pretendendo levar á prática algo de diferente, daquilo com que tinham acordado, mas não sendo possível inverter, lá vêm com “sound bytes” apodando o Presidente da Assembleia da República, de “riscar” o 25 de Novembro das celebrações oficiais.

Percebe-se a IL, tem a ingrata tarefa de “correr” no encalço do CHEGA, mas até agora sempre esteve condenada a ver a sua traseira, e a aumentar a distância que precisa de vencer.

Pelo meio os protagonistas da data, aqueles que deram o “peito às balas” como o senhor General Ramalho Eanes, lá vai dizendo que o assunto não passa de uma “Trica” sem interesse, entre outros que dedicam à data semelhante desprezo.

E para o vulgo? O povo nem quer saber disso para nada. Aliás até o 25 de Abril já começa a ser sinónimo de enfadonhas celebrações, de circunstância.
A nossa história é riquíssima em datas a celebrar, sobretudo porque temos novecentos anos de história, muito nossa, sem paralelo no mundo ocidental.

Diria, mesmo, que as datas que mais interessam ao povo nos dias que correm, é mesmo o dia 31 de cada mês, quando recebem a sua magra retribuição, para as muitas despesas com que se vê confrontado.

Aqueles, para quem nada mais têm de importante para fazer, seja nos Paços do maior município do País, seja na Assembleia da República, seja lá onde for, não se deram conta de vegetarem num mundo paralelo, sem nenhum interesse popular, aproximando-se vertiginosamente da obsolescência política.

Mas atrevo-me a vaticinar, em matéria de datas, para este ano, ainda ser o 25 de Dezembro, para crentes e não crentes, logo seguido do dia 29 de Dezembro, para quem como eu celebra a sua existência neste mundo, e depois o dia 31 de Dezembro.

Já para 2024, diria que o dia 10 de Março é a DATA.

É a data de quando ficaremos a saber se Marcelo se voltou a enganar na sua leitura política.

E se Montenegro, vai ter de mudar de vida, ou de partido … certo, certo é que no CHEGA não tem hipótese.

  • Oliveira Dias, Politólogo
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